Construsummit 2026 destaca gestão orientada por dados

Evento reuniu especialistas para discutir inteligência artificial, reforma tributária e crédito imobiliário

Nos dias 1 e 2 de julho de 2026, foi realizado o Construsummit 2026, em Florianópolis (SC).

A programação reuniu economistas, executivos e especialistas em mercado, inovação e gestão, entre eles Ana Maria Castelo (IBRE/FGV), Fernando Schüler, Fernando Honorato (Bradesco), Mauro Franco (ABRAMAT) e Junior Borneli (StartSe).

Cristiano Gregorius, diretor executivo do ecossistema Sienge, destaca que o Construsummit reuniu lideranças de diferentes áreas do setor para discutir os principais desafios e oportunidades da construção civil em um momento de profundas transformações.

“Entre os destaques, lançamos a primeira edição do Radar da Construção – Panorama Estratégico do Mercado Imobiliário e da Construção, um estudo desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, CV CRM, Grupo OLX e parceria da Nomad, que reúne indicadores de mercado e análises de especialistas para apoiar decisões mais estratégicas”, explica Gregorius. O relatório Radar da Construção pode ser baixado aqui.

De acordo com Gregorius, ao longo do evento, temas como cenário político e econômico, reforma tributária, financiamento imobiliário, inteligência artificial, produtividade e novos modelos de negócio mostraram que o setor está deixando de reagir às mudanças para começar a planejá-las de forma mais estruturada. “O principal aprendizado é que a competitividade passa, cada vez mais, por gestão baseada em dados, planejamento e capacidade de adaptação”, pontua Gregorius.

Inteligência artificial e dados

Legenda: Reforma tributária deve alterar a forma como construtoras e incorporadoras estruturam seus empreendimentos. Crédito: Construsummit

Um dos temas discutidos no evento foi o uso de inteligência artificial e de dados. Para Gregorius, a construção já gera um enorme volume de dados, mas ainda existe um desafio importante na forma como essas informações são organizadas e convertidas em inteligência para tomada de decisão.

“O Radar da Construção nasce justamente para ajudar nesse processo, consolidando indicadores que já fazem parte da rotina do mercado, mas que normalmente são analisados de forma isolada. Quando essas informações são integradas, elas permitem uma leitura muito mais estratégica do cenário. Ao mesmo tempo, o nível de maturidade digital varia bastante entre as empresas. Algumas já utilizam inteligência artificial para apoiar decisões e ganhar eficiência, enquanto outras ainda estão estruturando processos e organizando suas bases de dados”, afirma Gregorius.

Um ponto recorrente nas discussões foi que a inteligência artificial não substitui uma boa gestão. “Antes de automatizar, é preciso construir uma base sólida de processos, governança e dados confiáveis”, opina Gregorius.

Transformações na gestão das construtoras e incorporadoras

Para Gregorius, a primeira transformação será a reforma tributária. “Ela deve alterar significativamente a forma como construtoras e incorporadoras estruturam seus empreendimentos, realizam planejamento financeiro e definem seus modelos de negócio”, justifica.

No entanto, Gregorius acredita que o maior impacto será a necessidade de rever modelos de negócio. “A reforma muda a lógica tributária e exige uma visão muito mais integrada entre planejamento, engenharia, jurídico, financeiro e comercial. Além disso, ela tende a incentivar maior formalização, especialização da mão de obra e adoção de processos mais industrializados. As empresas que começarem essa preparação agora terão mais tempo para adaptar seus lançamentos, revisar as estruturas de custos e incorporar as novas regras desde a fase de concepção dos empreendimentos, e não apenas durante a execução da obra”, afirma.

A segunda transformação será a mudança demográfica. “O Brasil passa por um processo de envelhecimento da população e redução da taxa de natalidade, o que tende a alterar o perfil da demanda por imóveis e exigir novos produtos e estratégias de mercado”, pontua Gregorius.

Por fim, a terceira transformação será o avanço da digitalização do setor, impulsionada por inteligência artificial, automação, industrialização da construção e maior integração de dados. “Mais do que adotar novas tecnologias, será fundamental desenvolver capacidade analítica para tomar decisões mais rápidas e precisas”, defende Gregorius.

Produtividade e eficiência operacional

Na opinião de Gregorius, o aumento de produtividade e eficiência operacional passa pela gestão.

“Empresas que conseguem tomar decisões baseadas em dados, acompanhar indicadores em tempo real e revisar continuamente seus processos têm mais capacidade de antecipar riscos e aumentar sua previsibilidade. Também é fundamental avaliar constantemente o portfólio de produtos, entender a demanda do mercado e lançar empreendimentos que façam sentido para o contexto econômico. Produtividade não significa apenas produzir mais, mas reduzir desperdícios, aumentar previsibilidade e utilizar melhor os recursos disponíveis”, justifica Gregorius.

Adaptação às mudanças

Para Gregorius, a principal lição do evento é não resistir às mudanças. “O setor vive transformações regulatórias, tecnológicas e demográficas ao mesmo tempo. As empresas mais competitivas não serão necessariamente as maiores, mas aquelas que conseguirem aprender mais rápido, adaptar seus modelos de gestão e tomar decisões com base em dados e planejamento, em vez de repetir práticas que funcionaram no passado”, conclui.

Fonte

Cristiano Gregorius é diretor executivo do ecossistema Sienge

Contato

Assessoria de imprensa: janaina.biyikian@vcrp.com.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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