7th fib Congress destaca inovação e sustentabilidade no concreto estrutural
Evento aponta IA, industrialização e descarbonização como prioridades para o setor
Entre os dias 15 e 19 de junho de 2026, Lisboa, em Portugal, sediou a 7ª edição do fib Congress, um dos principais eventos mundiais sobre engenharia do concreto. Na sequência, Bergamo, na Itália, recebeu o encontro “Estruturas de Concreto: oportunidades e novos desafios”. Nos dois eventos, especialistas discutiram as principais tendências para o setor, com destaque para industrialização, Inteligência Artificial e descarbonização.
Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic), participou dos dois encontros. No congresso da fib, atuou como anfitriã da entidade, que reúne representantes de 42 países. Já na Itália, ministrou a palestra magna sobre as transformações que estão remodelando a engenharia estrutural.
“Os dois eventos deixaram claro que os principais vetores da engenharia do concreto para os próximos anos serão a industrialização, a digitalização, os novos materiais e a entrada de novos agentes no mercado. Todos esses temas estão conectados a dois desafios centrais: descarbonização e resiliência“, afirma Íria Doniak.

Crédito: fib Congress
Segundo ela, as mudanças climáticas e as questões geopolíticas exigirão estruturas mais resistentes, enquanto a necessidade de reduzir emissões impulsiona soluções capazes de consumir menos recursos. “A saída está no equilíbrio e no avanço tecnológico. Sustentabilidade e resiliência não podem ser vistas como conceitos opostos, mas complementares.”
A executiva ressalta que essa visão deve estar presente desde o projeto estrutural, considerando todo o ciclo de vida da obra, incluindo construção, operação, manutenção, reuso, demolição e economia circular.
Estruturas existentes ganham protagonismo
Além das novas obras, Íria destaca que a conservação das estruturas existentes será uma das principais prioridades da engenharia mundial. Segundo ela, o envelhecimento da infraestrutura está acelerando a adoção de tecnologias voltadas ao monitoramento estrutural, à inspeção automatizada e à manutenção preditiva.
“O uso de sensores, drones, visão computacional, Inteligência Artificial e gêmeos digitais permite acompanhar o desempenho das estruturas em tempo real, identificar precocemente sinais de deterioração e planejar intervenções de forma muito mais eficiente”, explica.
Na avaliação da presidente da fib, a integração entre monitoramento estrutural, IA e gêmeos digitais representa uma mudança de paradigma ao substituir modelos de manutenção corretiva por estratégias preventivas, aumentando a durabilidade, a segurança e a sustentabilidade das obras.
Ela lembra ainda que o fib Model Code 2020 dedicou amplo espaço às estruturas existentes, estabelecendo metodologias voltadas à durabilidade e ao planejamento do ciclo de vida. “A tecnologia, por si só, não resolve os problemas. A base conceitual e a capacidade de interpretar dados continuam sendo fundamentais.”
Sustentabilidade vai além da questão ambiental
Para Íria, a sustentabilidade precisa ser analisada de forma ampla, incluindo também aspectos sociais e econômicos. Um exemplo é a redução da disponibilidade de mão de obra qualificada, fenômeno observado em diversos países.
Arquitetura Paramétrica
Outro ponto destacado por Íria foi a evolução da arquitetura paramétrica, bem como a combinação de diferentes sistemas e materiais nos projetos. “Os grandes desafios não estão ligados apenas à engenharia, mas, principalmente, à visão arquitetônica”, pontua.
Industrialização e concretos de baixo carbono
A executiva afirma que a industrialização da construção é um dos caminhos mais promissores para aumentar a produtividade e reduzir impactos ambientais. O objetivo é utilizar menos concreto, porém com desempenho estrutural superior, aliado ao desenvolvimento de concretos de baixo carbono e novos materiais.
“No Brasil ainda existe uma cultura muito voltada ao menor custo inicial, deixando em segundo plano o custo-benefício ao longo da vida útil da estrutura. À medida que cresce a demanda por soluções sustentáveis, as novas tecnologias tendem a se tornar mais competitivas”, afirma.
Segundo Íria, o Brasil tem avançado nesse cenário. “A industrialização tornou-se prioridade para muitas construtoras diante da escassez e do custo da mão de obra. Somos o único país da América Latina com normalização própria nessa área e avançamos em iniciativas como a futura norma para projeto com UHPC, além de pesquisas sobre reforços não metálicos, geopolímeros e outros materiais inovadores.”
Inteligência Artificial transforma todo o ciclo da obra
A combinação entre Inteligência Artificial, BIM, sensores e gêmeos digitais está modificando todas as etapas do ciclo de vida das estruturas de concreto.
“No projeto, essas ferramentas permitem otimizar o dimensionamento estrutural, comparar diferentes alternativas e reduzir incompatibilidades. No entanto, elas não substituem a experiência do projetista. Um bom projeto nasce do conhecimento técnico antes mesmo do uso de qualquer software”, destaca.
Durante a execução, sensores e drones permitem acompanhar a obra em tempo real, reduzindo desperdícios, retrabalhos e riscos. Já na fase operacional, os gêmeos digitais associados à IA tornam possível monitorar continuamente o desempenho das estruturas, antecipar falhas e otimizar o planejamento da manutenção.
Segundo Íria, além dos ganhos em produtividade e segurança, essas tecnologias contribuem para reduzir a pegada de carbono, ao otimizar o consumo de materiais, prolongar a vida útil das estruturas e apoiar estratégias de economia circular. “Elas não garantem, isoladamente, a neutralidade de carbono, mas são ferramentas essenciais para acelerar essa transição.”
Visita técnica
Além das conferências, a programação do fib Congress incluiu visitas técnicas à Ponte Vasco da Gama, ao Phoenix Building e ao MIMA Living (condomínio residencial do Parque das Nações), permitindo aos participantes conhecer na prática soluções inovadoras em engenharia.
Segundo Íria Doniak, a experiência reforçou que inovação também passa pelo aprendizado com obras históricas e contemporâneas. Entre os destaques, o Phoenix Building chamou atenção pelo uso intensivo de protensão, fachadas pré-fabricadas em UHPC e elevado nível de industrialização para vencer vãos livres superiores a 45 metros.
Já a Ponte Vasco da Gama, uma das maiores da Europa, demonstra como concreto de alto desempenho, elementos pré-fabricados e sistemas permanentes de monitoramento estrutural podem garantir durabilidade, segurança e sustentabilidade em uma obra executada sob condições geotécnicas e ambientais extremamente desafiadoras. “Seu principal desafio foi a construção sobre o estuário do rio Tejo, com solos de baixa capacidade resistente, ambiente marinho agressivo e elevada exigência de resistência a ações sísmicas, ventos e marés. Para superar essas condições, foram adotados fundações profundas, concreto de alto desempenho, elementos pré-fabricados e métodos construtivos que reduziram o impacto ambiental e aumentaram a eficiência da execução”, relata Íria.
Impactos para o mercado brasileiro
Na avaliação da presidente da fib, o Brasil acompanha as principais tendências internacionais da engenharia do concreto, embora sua adoção ocorra em velocidades diferentes entre empresas e órgãos públicos.
“A qualidade precisa vir antes da tecnologia. Ainda enfrentamos desafios relacionados à contratação de projetos, burocracia, legislação, qualificação profissional e questões culturais. Precisamos romper paradigmas que consomem tempo e recursos”, afirma.
Entre as mudanças com maior potencial de impacto no curto prazo, Íria destaca a ampliação do BIM, da Inteligência Artificial, do monitoramento estrutural por sensores, dos concretos de alto desempenho e da industrialização da construção.
“Em pesquisa e desenvolvimento, a engenharia brasileira evolui rapidamente. O maior desafio não está na tecnologia, mas na forma como contratamos projetos e estruturamos nossos processos. Precisamos transformar esse conhecimento em produtividade, sustentabilidade e infraestrutura de maior qualidade“, conclui.
Fonte
Íria Doniak, presidente da fib e presidente executiva da Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (Abcic).
Contato
Assessoria de imprensa: sylvia@meccanica.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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