Governo do RS adota monitoramento remoto para obras

Sistema de captura de realidade ampliada permite o monitoramento remoto das obras com imagens em 360°

O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Obras Públicas (SOP), começou a utilizar um sistema de captura de realidade ampliada que permite o monitoramento contínuo das obras de forma remota, com o apoio de imagens em 360°.

De acordo com a Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, a tecnologia contribui para tornar a execução mais eficiente, ao possibilitar o registro constante do avanço físico, reduzindo falhas, desperdícios e a necessidade de retrabalho.

Tecnologia de Captura da Realidade

Para Tales Silva, CEO da CONSTRUCT IN, empresa responsável pelo sistema adotado no Rio Grande do Sul, o grande diferencial do uso da Captura da Realidade é a transição da gestão baseada em percepções subjetivas para decisões fundamentadas em evidências e dados estruturados.

O sistema utiliza um modelo híbrido que combina uma plataforma digital (Visi) com serviços especializados, garantindo a padronização e qualidade das informações geradas.

“Tecnicamente, a captura utiliza tecnologias como câmeras 360°, drones e laser scanning para criar um histórico visual contínuo. Essas imagens e ortomosaicos são organizados cronologicamente e integrados aos modelos BIM e dados físico-financeiros da obra”, explica Silva.

Ferramenta gera economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores. Crédito: CONSTRUCT IN

As imagens 360º são registradas por meio de uma câmera 360º conectada ao aplicativo Visi, no qual são vinculadas, no momento da captura, a um ponto na planta baixa da edificação, além de registrar a data e horário da imagem. “Dessa forma, as imagens são facilmente coletadas em campo e enviadas automaticamente para o sistema”, afirma o CEO.

Processo do registro de imagens

O registro das imagens é orientado pela localização dos pontos na planta baixa do projeto, portanto é necessário que o profissional responsável pela captação, saiba identificar corretamente o ambiente em que se encontra. “A orientação é que os registros sejam feitos sempre no centro do ambiente, uma margem de erro de até 1,5m não afeta a qualidade da comparação”, destaca Silva. 

Além disso, o sistema utiliza uma inteligência artificial que ajusta e compatibiliza automaticamente as capturas realizadas em um mesmo local ao longo do tempo. “Esse alinhamento automatizado permite a comparação precisa do histórico da obra, transformando registros isolados em uma “verdade visual” auditável e contínua”, pontua o CEO da CONSTRUCT IN.

A periodicidade das capturas é flexível e deve ser adaptada à velocidade e à fase do ciclo de vida da construção para gerar valor real na tomada de decisão:

  • Estágios Iniciais (Fundação e Estrutura): Recomendam-se capturas mais espaçadas, variando entre 7 e 15 dias, dependendo da complexidade do cronograma.
  • Fase de Acabamento e Instalações: Devido à rapidez das mudanças e à criticidade dos detalhes, a frequência pode ser aumentada para uma ou duas vezes ao dia.
  • Monitoramento de Deformações: Em casos específicos de engenharia, como o controle de estruturas, as campanhas podem ser quinzenais para garantir a precisão milimétrica necessária.

Para lidar com os desafios físicos inerentes ao canteiro de obras, como poeira, iluminação precária e movimentação intensa, Silva aponta que em situações de baixa luminosidade, utiliza-se suporte de luz externa para viabilizar a nitidez da imagem capturada.

“A combinação dessas abordagens assegura que o dado operacional seja transformado em um ativo estratégico, independente das condições adversas do canteiro físico”, justifica.

Integração com plataformas de gestão de obras

A plataforma centraliza indicadores físico-financeiros, cronogramas de avanço, modelos BIM e Relatórios Diários de Obra (RDO).

“A solução centraliza modelos BIM diretamente na plataforma, unindo a ‘verdade visual’ aos dados de projeto. No aspecto técnico de engenharia, as nuvens de pontos geradas pela engine Raise são compatíveis e integráveis com os principais softwares de mercado, como Revit, ArchiCAD, AutoCAD, Inventor e AVEVA. Além disso, a plataforma Visi atua como um hub que consolida dados de execução para apoiar a tomada de decisão estratégica”, comenta o CEO da CONSTRUCT IN.

Benefícios e ganhos

A adoção contínua de registros visuais tende a tornar as decisões mais assertivas e a ampliar a transparência na aplicação de recursos em infraestrutura de prédios públicos. Com a documentação detalhada de cada fase da obra, o Estado passa a ter mais controle e visibilidade sobre prazos, custos e o cumprimento dos requisitos técnicos das intervenções.

“Estamos elevando o padrão das obras do Estado. A adoção dessa tecnologia torna o monitoramento dos trabalhos mais eficiente e preciso. O acompanhamento minucioso de cada etapa garante maior exatidão na construção e, consequentemente, edificações mais qualificadas e seguras”, comenta a secretária de Obras Públicas, Izabel Matte.

De acordo com Silva, a ferramenta pode trazer diversos ganhos:

  • Redução de retrabalho: até 22% do custo de correções, com identificação precoce de desvios evita demolições e retrabalho de instalações.
  • Redução de visitas de engenharia: de R$ 10 mil a R$ 25 mil por mês por obra. Economia em deslocamentos, hospedagem, diárias e horas improdutivas de gestores.
  • Otimização de reuniões e aprovações: redução de até 30% no tempo de decisão. Decisões mais rápidas por meio de registros visuais claros e verificáveis.
  • Redução de tempo de obra (gestão visual): de 3 a 7 dias por mês de obra. Maior previsibilidade e coordenação de etapas com base no status visual da execução.
  • Economia em documentação técnica e fotos: de R$ 2 mil a R$ 6 mil por mês. Substituição de vistorias e relatórios manuais por registros automáticos e organizados.

Fontes

Tales Silva é CEO da CONSTRUCT IN.

Izabel Matte é secretária de Obras Públicas do Governo do Estado do Rio Grande do Sul.

Contato

Assessoria de imprensa CONSTRUCT IN: cassio.valler@camp1.co

Governo do Estado do Rio Grande do Sul – jornalismo-secom@secom.rs.gov.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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