Construção industrializada materializa a construção 4.0 por meio de processos e tecnologia de produtos

Com integração entre projeto, manufatura digital e montagem em ambiente controlado, industrialização consolida nova lógica produtiva

A industrialização no Brasil deixou de ser apenas um campo experimental e se consolidou como uma estratégia estruturante do setor da construção. A incorporação de tecnologias de processo e de produto vem redefinindo a forma de conceber, produzir e montar edificações, gerando impacto direto na produtividade, na qualidade e na previsibilidade dos empreendimentos. Nesse cenário, a construção industrializada se apresenta como a materialização da construção 4.0, ao integrar projeto digital, produção em ambiente fabril e montagem racionalizada no canteiro.

Segundo o professor Paulo Eduardo Fonseca de Campos, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP), o debate ganhou intensidade nos últimos anos por uma conjunção de fatores estruturais. “Em função do apagão de mão de obra que o setor atravessa, nunca se falou tanto em construção industrializada como agora. Trata-se de um movimento que responde a uma necessidade concreta do mercado”, afirma.

Tecnologias de processo redefinem o canteiro

As tecnologias de processo são pilares centrais dessa transformação. Todos os componentes estruturais, de fechamento e complementares passam a ser produzidos em ambiente fabril, com controle rigoroso de qualidade e de cronograma. “O que caracteriza a construção industrializada é justamente a transferência das atividades do canteiro de obras para a fábrica. Quando isso acontece, o canteiro deixa de ser um local de produção e passa a ser um espaço de montagem”, explica Campos. Esse deslocamento altera profundamente a lógica da obra, reduz interferências externas e permite maior previsibilidade de custos e prazos.

Dentro dessa abordagem, destaca-se o conceito de edifício-produto, baseado em padronização flexível. “A edificação deixa de ser um projeto único e passa a ser concebida como um produto que utiliza componentes e sistemas escaláveis, replicáveis e configuráveis”, diz o professor. Painéis, módulos tridimensionais completos e sistemas construtivos híbridos compõem esse repertório, permitindo diferentes arranjos a partir de uma mesma base industrial.

Industrialização se consolida como novo modelo produtivo para a arquitetura e construção no Brasil
Crédito: Envato.

Tecnologias de produto ampliam o repertório material

Paralelamente, as tecnologias de produto ampliam de forma significativa as possibilidades de aplicação dos materiais, com destaque para o concreto. O desenvolvimento de concretos de alto e ultra desempenho tem permitido a produção de peças mais leves, esbeltas e com maior densidade tecnológica. “Hoje temos concretos de alto desempenho, concretos de pós-reativos, microconcretos e materiais compósitos de base cimentícia, como o concreto reforçado com fibra de vidro. Isso amplia enormemente a paleta de produtos disponíveis para a construção industrializada”, afirma Campos.

Esses avanços possibilitam soluções arquitetônicas mais complexas, com precisão dimensional e elevado nível de acabamento já na fábrica. O uso de materiais híbridos também se intensifica, combinando concreto, aço e madeira engenheirada conforme as potencialidades de cada sistema e material. “Não é necessário que o edifício seja monomaterial. Ao combinar materiais, é possível explorar o melhor desempenho de cada um deles”, observa o professor.

Construção 4.0 ganha forma no setor

A convergência entre tecnologias de processo e de produto encontra na digitalização seu elo integrador. Ferramentas como BIM, DfMA (Design for Manufacturing and Assembly),manufatura digital e impressão 3D tornam possível planejar e controlar o processo de forma integral, estruturando um fluxo contínuo em todas as fases da obra.

O BIM se consolida como ferramenta central. “O Building Information Modeling foi feito para a construção industrializada, pela sua capacidade de integrar projeto, manufatura e montagem”, afirma Campos. A ferramenta permite ajustes precisos ainda na fase de concepção, reduz retrabalhos e eleva o nível de controle sobre custos, prazos e qualidade do empreendimento.

Mais do que uma tendência tecnológica, a industrialização se consolida como um novo modelo produtivo para a arquitetura e a construção no Brasil. Ao combinar processos industriais, inovação em materiais e digitalização, o setor avança rumo a um modelo mais integrado, previsível e alinhado às demandas contemporâneas de desempenho e eficiência.

Entrevistado
Paulo Eduardo Fonseca de Campos é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela PUC-Campinas, mestre em Engenharia de Construção Civil e Urbana pela EPUSP, Doutor em Arquitetura e Urbanismo e pós-doutor pela School of Architecture, Planning and Landscape da Newcastle University, no Reino Unido. É professor associado da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAUUSP), onde implantou e coordenou o laboratório de fabricação digital FAB LAB SP e o Grupo de Pesquisa DIGI-FAB – Tecnologias digitais de fabricação aplicadas à produção do Design e Arquitetura Contemporâneos. Foi superintendente do Comitê Brasileiro da Construção Civil (CB-02) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Atuou no Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQP-H) do Ministério das Cidades, onde foi membro do Comitê Nacional de Desenvolvimento Tecnológico da Habitação (CTECH).

Contato
pfonseca@usp.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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