Novo Roadmap Net Zero redefine estratégia climática da indústria do cimento

Versão atualizada amplia o foco do processo produtivo para toda a cadeia da construção e o ciclo de vida

A indústria brasileira do cimento deu um passo decisivo na agenda climática com o lançamento do novo Roadmap Net Zero, que atualiza e amplia de forma significativa a estratégia setorial de descarbonização até 2050. Diferentemente da primeira versão, apresentada em 2019, o novo documento deixa de olhar apenas para o processo industrial e passa a considerar todo o ciclo de vida do cimento, do clínquer à obra, incluindo energia, sistemas construtivos e soluções baseadas na natureza.

Segundo Gonzalo Visedo, Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC), a reformulação foi motivada pelo amadurecimento técnico do setor e pela necessidade de alinhar o cimento brasileiro às metas globais de neutralidade climática.

Do ‘portão para dentro’ à cadeia completa

O Roadmap de 2019 estava estruturado em quatro frentes: uso de adições, combustíveis alternativos, eficiência energética e captura, uso ou estocagem de carbono (CCUS). Embora esses eixos permaneçam centrais, o novo Roadmap Net Zero incorpora Reduções Indiretas através do uso de energias limpas como eólica e solar, Remoções e Compensações, através do CCUS e de Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e a Desmaterialização, considerando uma maior eficiência nos concretos e sistemas construtivos.

Na prática, isso significa olhar para além da fábrica. “Passamos a considerar, além das reduções diretas no clínquer e no cimento, as reduções indiretas via eletricidade limpa, as remoções e compensações por meio do CCUS e das Soluções Baseadas na Natureza, além da desmaterialização, com maior eficiência no uso do concreto e dos sistemas construtivos”, explica Visedo.

Onde estão as maiores oportunidades de redução

De acordo com as projeções do Roadmap Net Zero para 2050, a contribuição potencial para a neutralidade climática do setor se distribui da seguinte forma:

  • Reduções diretas (clínquer e cimento): 30%
  • Reduções indiretas (eletricidade): 5%
  • Desmaterialização (concreto e construção): 19%
  • Remoções e compensações (CCUS, SbN e metanização): 46%

Apesar do peso crescente das remoções, as prioridades imediatas seguem sendo as ações sob controle direto da indústria. “As prioridades do setor continuam sendo, certamente, as Reduções Diretas, que contemplam o processo produtivo do clínquer e cimento e onde temos participação direta no esforço de descarbonização. Estamos falando das soluções ‘portão pra dentro’, como o aumento do uso de adições, do coprocessamento de combustíveis alternativos e de medidas de eficiência térmica”, destaca Gonzalo.

Novo Roadmap Net Zero incorpora Reduções Indiretas através do uso de energias limpas como eólica e solar.
Crédito: Envato

Ao mesmo tempo, o executivo chama atenção para o tamanho do desafio que é descarbonizar as emissões remanescentes do setor, aqui consideradas no eixo Remoções e Compensações, com uma participação relativa de 46% do potencial de redução.

“Neste capítulo específico, o Roadmap Net Zero inova ao trazer, além do CCUS – que vem sendo estudado há tempos pelo setor, mas que tem demonstrado enorme complexidade para se materializar nos países em desenvolvimento – as Soluções Baseadas na Natureza (SbN) e o papel estruturante que as remoções biogênicas e compensações florestais podem ter no esforço para alcançar a neutralidade carbônica da indústria brasileira. Principalmente considerando as condições climáticas e de biodiversidade do país e o potencial custo-efetivo desta solução frente ao CCUS, representando um diferencial competitivo nacional em relação a soluções tecnológicas de elevado custo”, afirma.

Marcos temporais e horizonte de médio prazo

A modelagem do Roadmap foi desenvolvida a partir de ferramenta da Global Cement and Concrete Association (GCCA) e trabalha com horizontes de curto e longo prazo, especialmente 2030 e 2050.

“Para estes períodos, foram realizadas inúmeras interações e consultas ao setor e a especialistas, tentando projetar as tendências, oportunidades, desafios e potencial de penetração de cada uma das principais alavancas de descarbonização do setor”, relata Visedo.

Como diferencial, o Roadmap Net Zero Brasil incluiu também uma linha de tendência para 2040, permitindo uma leitura mais clara do médio prazo.

Monitoramento, governança e revisões

O Roadmap não estabelece metas obrigatórias, mas funciona como um instrumento orientativo, capaz de projetar e simular diferentes cenários integrados, além de dimensionar o impacto de diferentes estratégias ao longo do tempo. Dessa forma, subsidia a formulação de planos de ação voltados à implementação das diversas alternativas de mitigação.

O acompanhamento dos indicadores é realizado com base no banco de dados ambiental internacional do setor, o GNR/GCCA, considerado o maior do mundo em um segmento industrial.

“Este monitoramento nos ajuda a avaliar periodicamente o progresso em cada um dos principais KPI’s do Roadmap, compreender quais estratégias têm se mostrado mais eficazes frente a outras, quais soluções tecnológicas se revelam mais factíveis e buscar formas de alavancar aquelas soluções que estejam prosperando mais lentamente”, ressalta Visedo.

Diálogo com construtoras, projetistas e incorporadoras

Pela primeira vez, o Roadmap brasileiro explicita o papel da cadeia da construção na descarbonização do cimento, incluindo construtoras, projetistas e incorporadoras.

“O cimento, como insumo fundamental da construção civil, tem um papel transversal na agenda de sustentabilidade da cadeia como um todo. Ao abordar, pela primeira vez, potenciais de descarbonização do cimento ao longo desta cadeia, o Roadmap simboliza um convite para a incorporação de novos atores, segmentos e especialistas para, de forma conjunta, buscarmos soluções para um objetivo comum”, afirma Gonzalo. “Quanto mais integrados estiverem os setores, maior será o alcance e mais rápido o atingimento dos objetivos.”

Desafios para sair do papel

Para que o Roadmap Net Zero se concretize, o setor aponta a necessidade de condições estruturantes claras. O documento elenca seis ações-chave para viabilizar a transição:

  1. Modernização regulatória e segurança jurídica;
  2. Apoio financeiro e incentivos econômicos direcionados;
  3. Integração da cadeia de valor;
  4. Valorização do atributo sustentável e estímulo à demanda;
  5. Inovação aplicada e desenvolvimento tecnológico;
  6. Coordenação de políticas e governança integrada.

“Todas elas, de certa forma, demandam políticas públicas específicas, aspectos regulatórios ou instrumentos financeiros habilitantes”, conclui Gonzalo Visedo.

Fonte

Gonzalo Visedo é Head de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland/Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (ABCP/SNIC).

Contato

Assessoria de imprensa: daniela.nogueira@fsb.com.br

Jornalista responsável: 
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