Whitetopping ultradelgado amplia durabilidade de vias urbanas e reduz custos de manutenção

Tecnologia cimentícia aplicada sobre o asfalto existente surge como alternativa ao recapeamento tradicional e avança em estudos no Brasil

A reabilitação de vias urbanas representa um desafio constante para gestores públicos, que precisam conciliar restrições orçamentárias com a demanda por soluções duráveis e que minimizem intervenções recorrentes no pavimento. Nesse cenário, o whitetopping ultradelgado tem se destacado como uma solução técnica e econômica para recuperar pavimentos asfálticos deteriorados, ampliando a vida útil das vias e diminuindo gastos com novas manutenções ao longo do ciclo de serviço da via.

A técnica consiste na aplicação de uma camada fina de concreto de cimento Portland diretamente sobre o asfalto existente. No caso do whitetopping ultradelgado, essa camada varia, em geral, de 5 a 10 centímetros, podendo chegar a espessuras ainda menores em estudos experimentais. Segundo o engenheiro Pedro Matiazzi da Silva, doutorando pela Unisinos e diretor regional do Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) no Mato Grosso, trata-se de uma estratégia de reabilitação consolidada no exterior e em evolução no Brasil. “O whitetopping ultradelgado é uma técnica de reabilitação de pavimentos flexíveis, em que se executa uma camada fina de concreto sobre o pavimento asfáltico para recuperar sua capacidade estrutural”, afirma.

Origem e evolução da tecnologia

Whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo.
Crédito: Divulgação DER

O whitetopping surgiu nos Estados Unidos ainda no século passado e começou a ser estudado no Brasil a partir da década de 1990. Com o avanço das pesquisas, a redução das espessuras tornou-se o principal foco de desenvolvimento, dando origem ao whitetopping ultradelgado.“Quando falamos em ultradelgado, estamos tratando de espessuras menores, uso de fibras e outros componentes que melhoram o desempenho do concreto”, explica.

Esses estudos buscam aprimorar propriedades como resistência mecânica, controle de fissuração, aderência entre as camadas e desempenho estrutural sob tráfego intenso, garantindo a integridade do sistema mesmo com redução das espessuras e menor consumo de material.

Vantagens técnicas e econômicas

Entre os principais diferenciais do whitetopping ultradelgado está o potencial de durabilidade superior quando comparada ao recapeamento asfáltico convencional, especialmente tratamentos superficiais como o microrevestimento. “É um material que apresenta vida útil muito maior, reduzindo significativamente a necessidade de manutenção”, destaca o engenheiro.

Do ponto de vista econômico, embora o custo inicial possa ser mais elevado, análises de custo de ciclo de vida indicam vantagens em médio e longo prazo. A maior durabilidade e a menor frequência de intervenções compensam o investimento ao longo dos anos. Além disso, o reaproveitamento do pavimento asfáltico existente reduz a necessidade de remoção integral da estrutura, diminuindo custos associados à demolição e à reconstrução. “Quando se avalia o custo ao longo do tempo, fica evidente a economia, já que a manutenção é menor e o intervalo entre intervenções é muito maior”, afirma Silva.

Outro aspecto relevante é o desempenho térmico. Superfícies de concreto tendem a apresentar maior refletância solar e menor absorção de calor quando comparadas ao revestimento asfáltico. Essa característica contribui para a redução de deformações plásticas associadas à altas temperaturas e favorece a estabilidade do pavimento sob tráfego.

Rigidez, fadiga e durabilidade

Pesquisador Pedro Matiazzi da Silva.
Crédito: Acervo pessoal

O comportamento estrutural do whitetopping ultradelgado está associado ao elevado módulo de elasticidade do concreto, que resulta em maior rigidez ao sistema e menor deformação sob carga. A incorporação de fibras sintéticas contribui para o controle de fissuras, aumentando a tenacidade e pode ampliar a resistência à fadiga. “Trabalhar com fibras permite aumentar o desempenho à fadiga, principalmente em espessuras menores, controlando a propagação de fissuras”, explica o pesquisador. Em termos de durabilidade, estudos indicam vida útil superior a 12, 15 e até 20 anos, superando com folga o desempenho do micro revestimento asfáltico, geralmente estimado em cerca de 10 anos.

Aderência entre camadas e novos compósitos

Um dos principais desafios técnicos do whitetopping ultradelgado é garantir a aderência entre o concreto e o pavimento asfáltico existente. Avanços recentes envolvem o preparo adequado da superfície, com controle rigoroso de limpeza e umidade, além do uso de primers e adesivos poliméricos para melhorar a ligação mecânica e química entre as camadas. “Ainda é um aspecto que precisa ser aprimorado, mas já existem estudos que indicam rugosidade ideal e técnicas eficientes para essa aderência”, ressalta Silva.

As pesquisas também avançam na redução adicional de espessura com o uso de fibras de polipropileno e PVA, além de compósitos cimentícios de alto desempenho, como os do tipo ECC, caracterizados por alta ductilidade e controle rigoroso da fissuração. No exterior, especialmente nos Estados Unidos e na China, já há aplicações experimentais com camadas entre 25 e 50 milímetros. No Brasil, esses materiais ainda enfrentam desafios de custo e execução, permanecendo principalmente no campo da pesquisa e desenvolvimento.

Estratégia para gestores públicos

Para a gestão pública, o whitetopping ultradelgado se apresenta como alternativa de planejamento de longo prazo. A redução de manutenções corretivas, os maiores intervalos entre intervenções nas vias e o aproveitamento do pavimento existente contribuem para maior previsibilidade orçamentária. Além disso, há ainda ganhos ambientais, já que a diminuição de espessura reduz o consumo de concreto e as emissões associadas à sua produção.

“Quando se pensa no longo prazo, o gestor consegue reduzir gastos não previstos com manutenção e ainda adotar uma solução mais durável e sustentável para o ambiente urbano”, conclui Silva.

Entrevistado

Pedro Matiazzi da Silva é engenheiro civil graduado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), pós-graduado em Gerenciamento de Projetos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC), mestrado em Arquitetura e Urbanismo com a pesquisa com foco em concreto com adição de fibras de polipropileno pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), doutorando em Engenharia Civil com o trabalho focado em desenvolvimento de compósitos cimentícios para recapeamento urbano como alternativa ao whitetopping ultradelgado também na UNISINOS. Atualmente, é diretor regional do IBRACON (Instituto Brasileiro do Concreto) no Mato Grosso, é responsável técnico da Vipp Mix e Concreart, docente no Centro Universitário Fasipe de Sinop -MT.

Contato
eng.pedro@concreart.net.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho

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