Mercado do cimento projeta crescimento moderado em 2026, sustentado por programas habitacionais, infraestrutura e saneamento

Sindicato Nacional da Indústria do Cimento estima comercialização de 67 milhões de toneladas em 2025, com crescimento de 3,7%

O mercado brasileiro de cimento chega a 2026 com expectativas de expansão, ainda que em ritmo mais moderado do que o observado nos últimos dois anos. De acordo com dados do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), as vendas em 2025 alcançaram 67 milhões de toneladas, resultado de um crescimento de 3,7%, o que consolidou a retomada iniciada no ano anterior. Para o próximo ciclo, a avaliação do setor é de cautela, combinada com oportunidades estruturais que podem sustentar o consumo.

Flávio Guimarães, economista do SNIC, aponta que a demanda por cimento deve seguir em trajetória de crescimento em 2026, condicionadas à efetivação de políticas públicas e investimentos voltados à habitação, ao saneamento e à logística. O contexto macroeconômico, porém, impõe limites a uma performance mais robusta. “O crescimento, no entanto, deve ser menor do que o registrado nos dois últimos anos, acompanhando o desempenho da economia”, afirma.

Juros altos e crédito restrito impõem desafios

A manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado e o alto nível de endividamento das famílias seguem pressionando a construção civil. Em 2025, a Selic permaneceu em 15% ao ano, encarecendo o crédito imobiliário, reduzindo a atratividade do financiamento via poupança e tornando ativos imobiliários menos competitivos frente às aplicações financeiras. “O elevado grau de inadimplência e a concorrência do orçamento doméstico com gastos não essenciais continuam afetando a capacidade de investimento das famílias”, destaca Guimarães. Em contrapartida, o mercado de trabalho aquecido e a expansão da massa salarial funcionam como amortecedores parciais desse cenário.

Indústria do cimento projeta 2026 de crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura
Crédito: Envato

Minha Casa, Minha Vida segue como principal motor

No segmento habitacional, o programa Minha Casa, Minha Vida permanece como o principal vetor de demanda para a indústria do cimento. A nova meta do governo federal de contratar 3 milhões de unidades habitacionais entre 2023 e 2026 representa um aumento significativo em relação ao objetivo inicial. Esse volume de contratações tende a gerar impacto direto no consumo do insumo, ao sustentar a produção de moradias populares em todo país.

“O programa tem apresentado desempenho positivo e já superou a meta inicial, o que levou o governo a ampliar o objetivo. Essa nova meta deve demandar cerca de 13,5 milhões de toneladas de cimento no período”, explica Flávio Guimarães.


Industrialização avança com falta de mão de obra

A dificuldade de contratação de trabalhadores nos canteiros tem acelerado a adoção de sistemas industrializados na construção civil. Produtos pré-moldados, argamassas industrializadas e componentes fabricados fora do canteiro ampliam participação no mercado e impactam positivamente a demanda por cimento.

Para Flávio Guimarães, trata-se de uma tendência estrutural. “A utilização de produtos industrializados acelera a execução das obras e proporciona mais segurança, pois são fabricados com base em normas técnicas e sob rigoroso controle de qualidade”, avalia.

Nesse contexto, soluções construtivas industrializadas, como paredes de concreto moldadas in loco e o uso de blocos de concreto, ganham relevância ao viabilizar maiores volumes de produção com mais eficiência e menor custo, especialmente diante da escassez de mão de obra no setor.

Infraestrutura e saneamento ampliam oportunidades

Na infraestrutura, o pavimento rígido de concreto desponta como alternativa estratégica para rodovias e vias urbanas, em linha com diretrizes de durabilidade e redução de emissões. Com apenas 13% da malha rodoviária brasileira pavimentada, o potencial de expansão é significativo, inclusive em obras de restauração por meio do whitetopping.

O saneamento básico também deve seguir aquecido em 2026, impulsionado por leilões e investimentos privados associados ao novo marco legal do setor. Obras estruturantes de água e esgoto tendem a reforçar a demanda por cimento ao longo do ano.

Diante desse conjunto de fatores, a indústria projeta um ano de 2026 com crescimento moderado, sustentado por políticas públicas, inovação construtiva e investimentos em infraestrutura. Um cenário menos expansivo do que nos anos recentes, mas ainda promissor para um setor que completa um século de atuação no país atento aos desafios econômicos e ambientais.

Entrevistado

Flávio Guimarães é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Fluminense com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), tem experiência no mercado financeiro e de construção, atuando há mais de 20 anos no setor de cimento. Integrante do Conselho Empresarial de Economia e do Conselho Empresarial de Meio Ambiente da FIRJAN. Atualmente, é economista do Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), responsável pelas análises macroeconômicas e do mercado de cimento e sua segmentação.

Contato
daniela.nogueira@fsb.com.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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