Uma Língua para todos

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Reforma ortográfica padronizou a escrita nos países de Língua Portuguesa, atingindo 210 milhões de pessoas no mundo

Desde 1.º de janeiro a Língua Portuguesa convive com novas regras ortográficas. São mudanças que mexem com o dia a dia de quem convive com as palavras, mas que não precisam ser adotadas abruptamente. Nos próximos três anos, haverá um período de transição. Significa que quem continuar escrevendo regido pelas regras antigas não estará cometendo erros. Essa fase de adaptação termina em dezembro de 2012.

Órgãos governamentais, decidiram manter textos e documentos já redigidos de acordo com as normas antigas. Já o Diário Oficial da União manterá as duas formas nos conteúdos oficiais – editais, portarias, resoluções. O texto será publicado de acordo com a grafia que cada órgão resolveu adotar.

O presidente da Comissão de Língua Portuguesa do Ministério da Educação e do Instituto Internacional de Língua Portuguesa, Godofredo de Oliveira Neto, lembra que é natural esse período de adaptação dos editores. “Por isso se criou o período de transição”, disse. Ele recorda que a lei não prevê nenhum tipo de punição a quem desobedecer as regras no país.

No mundo, a nova ortografia estará atingindo 210 milhões de pessoas. A grande maioria — 190 milhões — vive no Brasil. O presidente da Abigraf Nacional (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) e vice-presidente da Abrasca (Associação Brasileira das Companhias Abertas), Alfried Karl Plöger, lembra que essas mudanças eram necessárias para que a Língua Portuguesa ganhasse o reconhecimento da ONU (Organizações das Nações Unidas). “A ortografia-padrão facilitará sobremaneira o intercâmbio cultural. Livros de todos os segmentos, documentos e escrituras internacionais, contratos comerciais e textos de todos os gêneros poderão circular livremente entre os países, sem necessidade de revisão. É o que já ocorre com o Espanhol. Além disso, o ensino do Português também será padronizado”, alerta.

Segundo Plöger, as mudanças ortográficas são muito pequenas. “É algo ínfimo ante os benefícios que a reforma trará no aspecto de reconhecimento internacional da língua”. De fato, as alterações atingem menos de 1% das palavras da Língua Portuguesa e padronizam o idioma no Brasil, em Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, Angola e São Tomé e Príncipe.

Além disso, avalia Alfried Karl Plöger, a reforma ortográfica deverá alavancar a economia na indústria gráfica. “À medida que avance, milhões de exemplares de livros, dicionários, apostilas, manuais e jogos estarão desatualizados. Terão de ser reimpressos, criando uma previsível demanda extra bastante atraente para o setor. Os itens ligados à educação e cultura deverão ser os primeiros a passar novamente pelas impressoras, pois é fundamental que tenham a nova base ortográfica o mais rapidamente possível. A internacionalização também favorece muito o trabalho de pré-impressão, considerando que o fornecimento de serviços para um cliente de Portugal, por exemplo, não exigirá mais a adaptação ortográfica da digitalização dos textos e editoração eletrônica”, assegura.

Fique por dentro das novas regras

HÍFEN
Não se usará mais:

1. quando o segundo elemento começa com s ou r, devendo estas consoantes ser duplicadas, como em “antirreligioso”, “antissemita”, “contrarregra”, “infrassom”. Exceção: será mantido o hífen quando os prefixos terminam com r – ou seja, “hiper-“, “inter-” e “super-” – como em “hiper-requintado”, “inter-resistente” e “super-revista”

2. quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com uma vogal diferente. Exemplos: “extraescolar”, “aeroespacial”, “autoestrada”.

Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc.

• Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça etc.

• Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, panamericano, etc.

TREMA
Não se usa mais o trema (¨), sinal colocado sobre a letra u para indicar que ela deve ser pronunciada nos grupos gue, gui, que, qui.

Atenção: o trema permanece apenas nas palavras estrangeiras e em suas derivadas.

Exemplos: Müller, mülleriano.

ACENTOS
Não se usa mais o acento dos ditongos abertos éi e ói das palavras paroxítonas (palavras que têm acento tônico na penúltima sílaba).

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Atenção: essa regra é válida somente para palavras paroxítonas. Assim, continuam a ser acentuadas as palavras oxítonas terminadas em éis, éu, éus, ói, óis.

Exemplos: papéis, herói, heróis, troféu, troféus.

– Nas palavras paroxítonas, não se usa mais o acento no i e no u tônicos quando vierem depois de um ditongo.

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Atenção: se a palavra for oxítona e o i ou o u estiverem em posição final (ou seguidos de s), o acento permanece.

Exemplos: tuiuiú, tuiuiús, Piauí.

– Não se usa mais o acento das palavras terminadas em êem e ôo(s).

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– Não se usa mais o acento que diferenciava os pares pára/para, péla(s)/pela(s), pêlo(s)/pelo(s), pólo(s)/polo(s) e pêra/pera.

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Atenção:

• Permanece o acento diferencial em pôde/pode. Pôde é a forma do passado do verbo poder (pretérito perfeito do indicativo), na 3.ª pessoa do singular.

Pode é a forma do presente do indicativo, na 3.ª pessoa do singular.

Exemplo: Ontem, ele não pôde sair mais cedo, mas hoje ele pode.

• Permanece o acento diferencial em pôr/por. Pôr é verbo. Por é preposição.

Exemplo: Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.

• Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como de seus derivados (manter, deter, reter, conter, convir, intervir, advir etc.).

Exemplos:

Ele tem dois carros. / Eles têm dois carros.

Ele vem de Sorocaba. / Eles vêm de Sorocaba.

Ele mantém a palavra. / Eles mantêm a palavra.

Ele convém aos estudantes. / Eles convêm aos estudantes.

Ele detém o poder. / Eles detêm o poder.

Ele intervém em todas as aulas. / Eles intervêm em todas as aulas.

• É facultativo o uso do acento circunflexo para diferenciar as palavras forma/fôrma. Em alguns casos, o uso do acento deixa a frase mais clara. Veja este exemplo: Qual é a forma da fôrma do bolo?

– Há uma variação na pronúncia dos verbos terminados em guar, quar e quir, como aguar, averiguar, apaziguar, desaguar, enxaguar, obliquar, delinqüir, etc. Esses verbos admitem duas pronúncias em algumas formas do presente do indicativo, do presente do subjuntivo e também do imperativo.

Veja:

a) se forem pronunciadas com a ou i tônicos, essas formas devem ser acentuadas.

Exemplos:

• verbo enxaguar: enxáguo, enxáguas, enxágua, enxáguam; enxágue, enxágues, enxáguem.

• verbo delinquir: delínquo, delínques, delínque, delínquem; delínqua, delínquas, delínquam.

b) se forem pronunciadas com u tônico, essas formas deixam de ser acentuadas.

Exemplos :

• verbo enxaguar: enxaguo, enxaguas, enxagua, enxaguam; enxague, enxagues, enxaguem.

• verbo delinquir: delinquo, delinques, delinque, delinquem; delinqua, delinquas, delinquam.

ALFABETO
Passará a ter 26 letras, ao incorporar as letras “k”, “w” e “y”.

GRAFIA
No português lusitano:

– desaparecerão o “c” e o “p” de palavras em que essas letras não são pronunciadas, como “acção”, “acto”, “adopção”, “óptimo” -que se tornam “ação”, “ato”, “adoção” e “ótimo”.

– será eliminado o “h” de palavras como “herva” e “húmido”, que serão grafadas como no Brasil – “erva” e “úmido”.

Serviço

A Prefeitura de Curitiba oferece às pessoas com dúvidas sobre a Língua Portuguesa um serviço telefônico chamado de Telegramática. Basta ligar para o número (41) 3218-2425 que os atendentes prestam esclarecimentos na hora.

O atendimento conta com a assessoria de professores e acadêmicos de Letras e funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h.

Com a reforma ortográfica, o serviço teve um aumento de 20% na procura. Dos cerca de 5 mil atendimentos por mês, saltou para quase 6 mil. No ano passado, o Telegramática tirou 50.201 dúvidas e atendeu 25.272 pessoas.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação.

12 de fevereiro de 2009

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