Setor da construção civil desembarca na Bolsa

Setor da construção civil desembarca na Bolsa

Setor da construção civil desembarca na Bolsa 150 150 Cimento Itambé

Após euforia, ações de construtoras retomam crescimento sustentável e atraem até investidores estrangeiros

Elas já são 24, mas em 2010 a expectativa é que o número cresça. Tratam-se das empresas ligadas ao setor imobiliário – construtoras e incorporadoras – que desde 2005 invadiram as bolsas de valores do Brasil e, após quatro anos no mercado de ações, estão saindo do estado de euforia para o de confiabilidade. Neste ponto, a crise global do ano passado fez bem ao setor. Ela serviu para estourar a bolha e depurar os investimentos. “O excesso de otimismo foi tocado por um crescimento mais consistente e de longo prazo”, explica o analista de investimentos Sílvio Araújo, da Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos Ltda.

No período de euforia, em 2006, o setor imobiliário chegou a invadir o pregão da Bovespa com o recorde de 15 ofertas de ações em apenas 12 meses. Com altas que chegaram a bater em 80%, o mercado acionário atraiu mais empresas, o que começou a deixar os investidores desconfiados. O motivo era o histórico do setor, que tinha alto grau de informalidade. Com o fim da bolha, ficaram as empresas que hoje têm compromisso com a governança, gestão, transparência e que conseguiram transmitir confiabilidade ao mercado. Resultado: elas estão conseguindo atrair investidores estrangeiros e estabelecendo parcerias cada vez mais sólidas com instituições financeiras.

Empresas que investem na baixa renda e têm compromisso com a governança são as que mais dão lucro na Bolsa

Empresas que investem na baixa renda e têm compromisso com a governança são as que mais dão lucro na Bolsa

Analistas avaliam que os bancos passaram a enxergar o crédito imobiliário não apenas como uma obrigação perante o governo federal (que determina o uso dos recursos obtidos via poupança para este fim), mas também como forma de captar e fidelizar clientes. Isso levou instituições financeiras, como Banco do Brasil e Bradesco, além dos estrangeiros BNP Paribas e Societé Generale, a investirem no segmento. E a tendência é de aumentarem o grau de investimento a partir do programa Minha Casa, Minha Vida. A razão é que as empresas redefiniram suas estratégias para atender a baixa renda, para onde o programa habitacional aponta e onde há um déficit de mais de 7 milhões de residências.

Como exemplo, a Company, de São Paulo, decidiu estudar as condições do mercado de imóveis de valor entre R$ 50 mil e R$ 150 mil. Já a Cyrela criou uma nova empresa, a Living, para atuar no mercado de apartamentos de R$ 100 mil – valor cinco vezes menor do que aquele dos imóveis que costumava entregar antes. Gafisa, por sua vez, fez uma joint venture (empreendimento conjunto) com a Odebrecht também para atender esse público. De todas as listadas, a Rossi é a que mais acumula experiência no segmento de baixa renda. “Temos um extenso histórico de empreendimentos para essas classes, desde a época do Plano 100, em 1992. Continuamos atentos a esse mercado”, afirma Leonardo Diniz, diretor comercial da Rossi.

Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abcip) revelam que o crédito imobiliário em relação ao PIB no Brasil situa-se em torno de 5%. Neste ano, apesar dos reflexos da crise internacional, o volume de crédito deverá superar os R$ 30 bilhões de 2008. Isso demonstra que o crédito imobiliário cresce com sustentabilidade. Além do mais, em outros países, como Espanha e Portugal, por exemplo, o crédito imobiliário chega a até 50% do PIB. Significa que no Brasil ainda há muito espaço para crescimento, desde que o setor faça o que vem fazendo: se adaptando à realidade nacional.

Números da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp) mostram que 92% das famílias sem imóveis no país têm renda inferior a cinco salários mínimos – R$ 2.325,00. “As empresas que fizeram esse reordenamento, para atender os consumidores de média e baixa renda, são as que terão maior suporte para continuar crescendo e colhendo sucesso na Bolsa”, prevê o analista de investimentos Sílvio Araújo.

Entrevistados:
Sílvio Araújo, da Lopes Filho & Associados, Consultores de Investimentos Ltda: silvio@lopesfilho.com.br
Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abcip) – Assessoria de imprensa: fabio@abecip.org.br e site (www.abecip.org.br)

Vogg Branded Content – Jornalista responsável Altair Santos MTB 2330

9 de dezembro de 2009

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