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Sarcófago de Chernobyl está em colapso. Por quê?

Área Técnica, Gestão, Gestão de Obras, Mercado da Construção, Sobre Concreto 15 de junho de 2016

Há 30 anos, concreto usado para isolar reator da usina não possuía tecnologia para suportar radioatividade. Por isso, é alvo de patologias

Por: Altair Santos

Trinta anos depois da explosão do reator da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, a comunidade europeia está financiando uma obra de 2,1 bilhões de euros para encapsular o local do desastre e impedir que nos próximos 100 anos haja novo vazamento. O risco existe porque o concreto usado para moldar o sarcófago que envolve o reator está entrando em colapso. A radioatividade causou fissuras e desencadeou patologias no material, mesmo com o uso de chumbo em sua mistura.

Megaestrutura de aço vai envolver o reator, a fim de impedir que haja novos vazamentos

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Há três décadas, o concreto utilizado não detinha a tecnologia de hoje. Atualmente, o concreto pesado, que usa hematita, barita ou magnetita como agregados graúdos, é o mais recomendado para sarcófagos de reatores nucleares. A alta densidade, entre 2.800 a 4.500 kg/m³, é comprovadamente um excelente isolante radioativo. Também não se descarta a utilização de limalhas de ferro, bolas de ferro ou de chumbo para encorpar o concreto, sem que seja necessário aumentar suas dimensões.

O que os russos não conheciam, na época em que decidiram blindar o reator, é que o concreto pesado tem uma trabalhabilidade que precisa ser monitorada rigorosamente. Caso contrário, ele tende a segregar os agregados graúdos, assim como ter retardo de pega e de endurecimento, escreveu o pesquisador Marco Forlin Mateus Birck, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), em trabalho divulgado em 2012. Quando ocorreu o acidente de Chernobyl também não havia aditivos que corrigissem esses problemas.

Isolante radioativo

No entanto, alerta Marco Forlin Mateus Birck, aditivos em concretos pesados também carecem de cuidados. Se bem usados, podem melhorar o lançamento e reduzir a tendência de segregação. “Deve-se ficar atento para assegurar que a mistura não sofrerá adensamento inadequado e as partículas do concreto pesado não segregarão”, ressalta o pesquisador em seu estudo. Realizado o processo corretamente, o concreto pesado é excelente isolante radioativo.

Na nova operação para encapsular o reator 4 da usina, cogitou-se construir um cubo de concreto pesado para isolar o equipamento. Porém, a alta radioatividade no local impediu essa hipótese, pois colocaria em risco mais vidas humanas. A solução foi erguer um gigantesco arco de aço de 29 mil toneladas que cobrirá o reator. A estrutura tem 108 metros de altura, 250 metros de largura e 150 metros de comprimento. Quando pronta, terá consumido 30 mil toneladas de aço. É o suficiente para cobrir a Estátua da Liberdade dentro de um estádio de futebol como o Beira-Rio.

Só essa obra está avaliada em 990 milhões de euros. O custo total de 2,1 bilhões engloba ainda o trabalho de logística, de contratação de mão de obra e de projeto e execução. Os países que financiam a megacobertura são Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Reino Unido, Itália, Japão e Rússia. A obra deve ser concluída em 2018.

Veja aqui o vídeo sobre a gigantesca cobertura da usina de Chernobyl.

Entrevistado
Engenheiro civil Marco Forlin Mateus Birck, pesquisador da UFRGS, através de seu estudo desenvolvido em 2012, sobre concreto pesado

Contato
deciv@cpgec.ufrgs.br

Crédito Foto: Divulgação/Nils Bøhmer

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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