Revisão da ABNT 8953 estimula tecnologia do concreto

Norma aprimora a concretagem e incentiva a boa construção, demonstrando ao consumidor que há concretos específicos para cada finalidade.

Norma aprimora a concretagem e incentiva a boa construção, demonstrando ao consumidor que há concretos específicos para cada finalidade

Por: Altair Santos

Está em vigor, desde 2011, a versão corrigida da ABNT NBR 8953:2009 Errata 1:2011 – Concreto para fins estruturais – Classificação pela massa específica, por grupos de resistência e consistência. Sob o ponto de vista técnico, a norma estimula o uso de concretos que agilizem a descarga e sua aplicação, além de facilitar o bombeamento. Ela também ajuda a combater as deficiências de adensamento do material e a decorrente perda de resistência e desempenho da estrutura.

Carlos Campos: "A normalização é imprescindível ao bem construir”
Carlos Campos: "A normalização é imprescindível ao bem construir”

Mas há um componente ainda mais importante agregado à revisão da ABNT NBR 8953:2009. Segundo o mestre em estruturas e concreto, Carlos Campos, a norma serve de estímulo ao desenvolvimento tecnológico do concreto. “Ela aprimora conceitos de concretos leves e densos, permite uma abordagem mais específica de concretos mais fluidos, com abatimentos elevados ou elevadíssimos, como no caso dos concretos autoadensáveis. Tais conceitos induzem o consumidor, e também o construtor, a considerar que há concretos específicos para cada finalidade. Trata-se de um grande estímulo à tecnologia do concreto”, resume.

O especialista destaca ainda que a revisão da ABNT NBR 8953:2009 acrescenta informações de padronização, sem tolher a criatividade de projetistas e construtores, que poderão especificar concretos convenientes a cada caso ou condição de concretagem. “As empresas de serviços de concretagem passarão a oferecer um produto normalizado. Esclarece os clientes, que, em alguns casos, supunham estar a concreteira empurrando um produto que ele, consumidor, pensava não precisar. Para muitos consumidores, o pedido de um concreto bombeável com fck 30,0 MPa serviria para executar tudo na obra, desde os pilares e lajes do subsolo ao pavimento mais alto. Com a correção da norma, oficializa-se que não é assim”, completa.

Sobre os três critérios que norteiam a norma (massa específica, grupo de resistência e trabalhabilidade) Carlos Campos afirma que eles reforçam o bem construir. “Um grande número de manifestações patológicas nas obras advém do uso inadequado de um material. O concreto é particularmente muito suscetível ao mau uso. O que a norma permite é um diálogo mais claro entre projetista e construtor, por oferecer uma lista de opções normalizadas. Um exemplo: para se construir um bunker de instalação de uma câmara de tratamento radiológico, pode-se dialogar com o projetista da estrutura quanto ao uso de uma parede muito espessa ou o uso de um concreto denso, de massa específica alta, elaborado com agregados pesados como barita ou hematita. A normalização é muito saudável para quem produz ou consome. É imprescindível ao bem construir”, afirma.

NBR 8953: revisão insiste que existem concretos adequados para cada caso.

Ainda de acordo com Carlos Campos, a revisão da ABNT NBR 8953:2009, Versão Corrigida 1:2011, praticamente abole o uso de concretos exóticos, como o de fck 13,5 MPa ou o de fck 18 MPa – muito usados na década de 1990. “A norma insiste que, além das classes de resistência, a massa específica e a consistência também são importantes para classificar um concreto. Historicamente, fomos condicionados a acompanhar uma concretagem apenas com a verificação do resultado de resistência à compressão. Apresentou resistência à compressão igual ou superior ao fck, está bom e aceito o concreto. Não se dava maior importância ao abatimento, ao consumo de cimento e à relação água-cimento. Com a norma revisada, fica claro que existem concretos adequados a cada caso. E o mais importante: normalizados”, ressalta.

 Pontos de destaque da ABNT NBR 8953:2009, Versão Corrigida 1:2011

1) Classifica os concretos em normais, leves ou pesado/denso, em função de sua massa específica, classificação que não ocorria em nenhuma outra norma.

2) Classifica os concretos em 3 grupos, sendo os grupos I e II concretos estruturais e um grupo de concretos não estruturais que seriam os fck 10 MPa e o 15 MPa. Os concretos do grupo I começam com o fck 20 MPa e vão até o fck 50 MPa. Os concretos do Grupo II são considerados de alto desempenho e começam com fck 55 MPa e atingem até fck 100 MPa.

3) Classifica os concretos pela sua trabalhabilidade, sendo criadas 5 classes:

– S10: concretos com consistência seca, que vão desde o abatimento 10 mm até 45 mm
– S50: concretos pouco trabalháveis, que vão desde o abatimento 50 mm até 95 mm
– S100: concretos de aplicação normal, que vão desde o abatimento 100 mm até 155 mm
– S160: concretos plásticos aplicados por bombeamento, que vão desde o abatimento 160 mm até 215 mm
– S220: os concretos fluídos

Fonte: ABNT

Entrevistado
Carlos Campos, diretor da empresa Carlos Campos: laboratórios, obras e consultorias
Currículo

– Geólogo pela Universidade de Brasília (1968)
– Diretor da empresa Carlos Campos: laboratórios, obras e consultorias (desde 1973)
 – Mestre em engenharia civil, estruturas, concreto e construção civil, pela Universidade Federal de Goiás (2000)
– Diretor Técnico do IBRACON, de 2007 a 2011
 – Professor de pós-graduação na UNIP (Universidade Paulista) no curso de patologias e terapias nas edificações
Contato: cc@carloscampos.com.br

Créditos foto: Divulgação / Carlos Campos

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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