Recursos hídricos nortearão nova construção civil

Estudo faz raio-x da demanda por água nas principais metrópoles do mundo e mostra inovações que devem reduzir o consumo e minimizar desperdícios

Estudo faz raio-x da demanda por água nas principais metrópoles do mundo e mostra inovações que devem reduzir o consumo e minimizar desperdícios

Por: Altair Santos

A Coreia do Sul será o país-sede do Fórum Mundial da Água, entre 12 e 17 de abril de 2015. No evento, haverá um congresso específico para debater o uso de recursos hídricos na construção civil. Os especialistas estimam que do encontro, que acontecerá nas cidades de Daegu e Gyeongbuk, sairão novas tendências tecnológicas, ambientais e econômicas para o setor. Antecipando-se, a Arup – multinacional especialista em projetos de engenharia – encomendou um estudo para entender como estará a gestão da água em 2040. O levantamento analisa o abastecimento de água nas principais cidades do mundo daqui a 25 anos, comparando-as com Sydney, na Austrália.

Escassez dos recursos hídricos exige inovações em todos os setores, incluindo a construção civil

A maior metrópole da Oceania serviu de referência por ter o melhor gerenciamento de seus recursos hídricos – entre as cidades pesquisadas – e por possuir políticas consolidadas de gestão da água, incluindo a usada na construção civil. Um exemplo: em canteiros de obras onde são detectados vazamentos ou desperdícios, o governo de Sydney aplica multas severas e, em alguns casos, interdita a construção. A produção de concreto é uma das áreas que têm controle rigoroso. O motivo, segundo o estudo da Arup, é que a concretagem pode absorver entre 39% e 68% de toda a água consumida em uma obra, dependendo do tamanho do empreendimento e da gestão hídrica adotada pela construtora responsável.

A percepção do estudo é de que a cada metro quadrado de área construída é consumido 0,25 m³ de água. Por isso, o relatório da Arup aposta que se tornarão cada vez mais intensos e relevantes os avanços tecnológicos que agregam nanotecnologia ao concreto, principalmente por que essa inovação demanda menor consumo de água para produzir a mesma quantidade de material. “Este estudo traz uma grande contribuição, no sentido de propor soluções criativas para uma gestão inovadora e eficiente de nossos recursos hídricos, orientando pesquisadores, empresas e o poder público a inovarem, planejarem e realizarem mudanças em escala local e global”, avalia Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil.

Tecnologia a favor da água
A previsão é de que as inovações atingirão também os materiais com que são fabricados os tubos por onde correm as águas para abastecimento, as pluviais (provenientes da chuva) e as águas para tratamento de esgoto. Concreto que se autorregenera e mantas de grafeno são as apostas dos pesquisadores para conseguir reduzir vazamentos neste tipo de tubulação. A ciência e a engenharia estimam ainda que será dominante o emprego de robôs nos canteiros de obras. Betoneiras que dosam o concreto sem manipulação humana e lançadores que detectam vazamento eletronicamente estão entres as máquinas que devem estar presentes no mercado da construção civil até 2040.

O estudo da Arup define que “novos materiais podem proporcionar menos gasto de água e menor consumo de energia, além de reduzir o custo da infraestrutura e da manutenção desta infraestrutura”. O documento ressalta, no entanto, que a construção civil usa bem menos água do que o setor agropecuário. Estima-se que 70% da água doce do mundo são consumidos para produzir alimentos. Segundo dados do Water Resources Group, mantido o ritmo atual, em 2030 essa demanda irá gerar um déficit de 40% na água própria para consumo humano. “Ainda dá tempo para reverter esse quadro, e a saída está nas novas tecnologias”, finaliza o relatório a ser apresentado no Fórum Mundial da Água.

Faça o download da íntegra do documento (em inglês)

Entrevistado
Engenheiro civil Ricardo Pittella, diretor da Arup no Brasil
Contato: americas@arup.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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