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Ranking de riscos logísticos mostra ameaças às obras

Gestão, Mercado da Construção 8 de maio de 2014

Professor Hélio Flávio Vieira, da Fundação Universidade Regional de Blumenau, defende que construção civil valorize planejamento logístico na obra

Por: Altair Santos

Professor do departamento de engenharia civil da FURB (Fundação Universidade Regional de Blumenau) Hélio Flávio Vieira fez uma revelação no Workshop 2014 Sobratema, que aconteceu recentemente em São Paulo-SP. Segundo dados pesquisados por ele, de cada 13 edifícios construídos no Brasil, dois poderiam ser erguidos com o material desperdiçado no canteiro de obras. “Isso acontece, por que a construção civil nacional é pouco desenvolvida em logística”, alerta.

Hélio Flávio Vieira: especialista ranqueou os principais riscos logísticos que ameaçam os empreendimentos

Engenheiro civil por formação, Hélio Flávio Vieira elencou os porquês que fazem com que a construção civil gere perdas que estão acima dos registrados por outros setores produtivos. “Um motivo relevante é que trata-se de um segmento que não enfrenta competição externa. Além disso, há um déficit habitacional enorme no Brasil, que praticamente garante a venda de todos os empreendimentos, independentemente da qualidade”, relaciona o especialista.

Isso, segundo analisa Vieira, não estimula o empresário do setor a melhorar, o que gera um verdadeiro ranking de riscos para as obras. Entre eles, desperdício de materiais, falta de planejamento no canteiro de obras, ausência de padronização, técnicas construtivas não racionalizadas, descontinuidade produtiva, falta de integração entre projetos estrutural, elétrico e hidráulico, logística pouco desenvolvida, falta de tecnologia de informação, baixa manutenção de equipamentos e treinamento inexistente.

Hélio Flávio Vieira faz uma comparação. “No Japão, leva-se um ou dois anos para se planejar um prédio e seis meses para construir. No Brasil, seis meses para planejar e três anos para construir”, afirma. Para ele, a fim de que o país reverta esse quadro, a mudança deve começar nas escolas de engenharia. “Faltam horas de disciplinas voltadas para processos industrializados da construção e sobram horas sobre o concreto armado. O engenheiro precisa conhecer sistemas construtivos e saber optar pelo melhor para cada empreendimento”, cita.

Outras soluções listadas pelo especialista para que o país melhore o tempo e a qualidade de suas obras passam por planejamento logístico do canteiro, redução do retrabalho, investimento na industrialização, abertura à tecnologia da informação, estabelecimento de parcerias entre construtoras e fabricantes de materiais, para que pensem a logística de forma integrada, além de maior destinação de recursos para a qualificação de profissionais. “São procedimentos como esses que reduzem significativamente o risco de improvisações no canteiro de obras”, define Hélio Flávio Vieira.

Entrevistado
Hélio Flávio Vieira, graduado em engenharia civil, pós-graduado em engenharia de produção, com mestrado e doutorado na área de logística e transporte pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e professor do departamento de engenharia civil da Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB).
Contato: hfvieira@furb.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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