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Quantidade de engenheiros na contramão da qualidade

Comportamento e Carreira, Gestão, Qualificação Profissional, Universidade e Pesquisa 11 de dezembro de 2013

Estudo do Ipea revela que falta tempo para que profissionais adquiram competências específicas. Dados servem de reflexão para o Dia do Engenheiro

Por: Altair Santos

A profissão de engenheiro civil comemora, neste 11 de dezembro de 2013, 80 anos de regulamentação. A data, já consagrada como o Dia do Engenheiro, é propícia para reflexões em torno da capacitação técnica de quem atua nesta área. Recentemente, o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) abordou essa temática, através de ampla pesquisa sobre o mercado de trabalho para este profissional no Brasil. Comandado por seis pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) o estudo conclui que não faltam engenheiros no Brasil, mas que o volume de profissionais vai na contramão da qualificação e da experiência.

Maior dificuldade do mercado é contratar engenheiros civis experientes para liderar projetos e obras

Na pesquisa liderada por Mário Sergio Salerno, Leonardo Melo Lins, Bruno César Pino Oliveira de Araújo, Leonardo Augusto Vasconcelos Gomes, Demétrio Toledo e Paulo Meyer Nascimento, o Ipea procurou avaliar o mercado da engenharia sob a percepção dos agentes econômicos e concluiu que quem contrata está muito preocupado com a qualidade dos engenheiros civis formados. “A evolução na quantidade não foi acompanhada pela mesma evolução na qualidade. Criou-se um hiato geracional, o que dificulta a contratação de profissionais experientes para liderar projetos e obras. Há déficits em competências específicas e em regiões localizadas”, diz o estudo.

Um item apontado na pesquisa, e que pode explicar o distanciamento entre quantidade e qualidade, está ligado à inovação. “A engenharia está profundamente ligada ao desenvolvimento econômico e à inovação. Neste aspecto, o Brasil apresenta baixo índice e é necessário mobilizar o sistema de educação superior, de que o país já dispõe, para que sejam satisfeitas as demandas emergentes, que se expressam no debate cotidiano sob termos como escassez, apagão e semelhantes”, diagnostica o Ipea, apontando que as áreas de engenharia da produção, engenharia civil e engenharia da computação mostram ser as mais preocupadas com a qualificação. Por isso, são as que mais diversificaram as habilitações nos cursos e as que mais buscam parcerias com o setor privado.

Para o presidente do sistema Confea/Crea, José Tadeu da Silva, o problema para dar mais impulso à qualificação está no âmbito governamental. Nos três níveis (federal, estadual e municipal) menos de 10% da alta cúpula burocrática é formada por engenheiros, enquanto na China esse percentual chega a 80%. “Isso gera carência de gestão, planejamento e projetos para alavancar o segmento nacional de serviços e obras públicas”, escreveu em artigo recentemente publicado, intitulado “Excelência da engenharia brasileira”. Para o dirigente, “a luz no final desse túnel” se vislumbra por meio do PLC 13/13 (Projeto de Lei Constitucional) que caracteriza como essenciais e exclusivas de Estado as atividades exercidas por engenheiros, arquitetos e engenheiros agrônomos ocupantes de cargo efetivo no serviço público federal, estadual e municipal.

Mercado de trabalho

Segundo o estudo do Ipea, a expectativa é de que, até 2020, o número de engenheiros requeridos pelo mercado de trabalho formal, dependendo do cenário econômico, atinja entre 600 mil e 1,15 milhão de profissionais. A pesquisa traz também a evolução do salário médio dos engenheiros em relação aos dos demais profissionais com educação de nível superior. “Os engenheiros e profissionais afins recebem salários sistematicamente acima dos demais empregados com escolaridade superior. Entre 2000 e 2009, os setores que mais apresentaram elevação do salário pago a engenheiros foram os de cimento, álcool, artefatos de couro e calçados, serviços imobiliários e aluguel e construção”, aponta.

O levantamento ainda aponta que, atualmente, o Brasil tem 18,8 ingressantes em engenharia civil para cada 10 mil habitantes, número acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é 15,3. Entretanto, o número total de candidatos aos cursos ainda é a metade da média desses países – 44,5 para cada 10 mil habitantes no Brasil e 78,5 em média para cada 10 mil habitantes nos países da OCDE. “Ainda há muito a fazer, mas estamos no caminho certo”, finaliza o estudo do Ipea.

Confira o estudo completo do Ipea

Parte 1 – Evolução da formação de engenheiros e profissionais técnico-científicos no Brasil entre 2000 e 2012
http://www.ipea.gov.br/portal/images/convite/debate_brasil_escassez_gusso.pdf

Parte 2 – Uma proposta de sistematização do debate sobre falta de engenheiros no Brasil
http://www.ipea.gov.br/portal/images/convite/debate_brasil_escassez_td_sal.pdf

Parte 3 – A demanda por engenheiros e profissionais afins no mercado de trabalho formal
http://www.ipea.gov.br/portal/images/convite/debate_brasil_escassez_demanda.pdf

Entrevistado
Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) (via assessoria de imprensa)
Sistema Confea/Crea (via assessoria de imprensa)
Contatos
ascom@ipea.gov.br
gco@confea.org.br

Crédito foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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