Por que o Brasil não tem graduação em engenharia sísmica?

Para quem quer se graduar no tema precisa ir para fora do país. Escolas nos EUA e em Portugal são as mais procuradas por brasileiros

Por que o Brasil não tem graduação em engenharia sísmica?

Por que o Brasil não tem graduação em engenharia sísmica? 1024 682 Cimento Itambé
Intensidade dos tremores no Brasil não é igual aos que ocorrem em outros países latinos ou asiáticos, mas não justifica falta de especialização
. Crédito: Divulgação

Intensidade dos tremores no Brasil não é igual aos que ocorrem em outros países latinos ou asiáticos, mas não justifica falta de especialização
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Em 2 de abril de 2018, um terremoto de 6,8 graus na escala Richter, e com epicentro no sul da Bolívia, fez balançar edificações em cinco estados brasileiros (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais), além do Distrito Federal. Provavelmente não será o único no ano, haja vista que o Centro de Sismologia da USP aponta que o Brasil é atingido, em média, por 150 tremores todos os anos – a maioria de magnitude inferior ao do começo de abril. Apesar desse volume, o país não possui um curso de graduação em engenharia sísmica.

Para quem quer se formar ou se especializar precisa ir para fora do Brasil. Mas por que o país ainda não tem graduação em engenharia sísmica, se existem terremotos que alcançam o território nacional? Na 69ª reunião anual da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), realizada em julho de 2017, o professor Marcelo Sousa de Assumpção, do Departamento de Geofísica do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (USP) foi o que chegou mais perto da resposta.

Para ele, o primeiro passo é revisar a norma técnica ABNT NBR 15421:2006 – Projeto de estruturas resistentes a sismos: Procedimento. A que está em vigor está baseada em um mapa de ameaça sísmica muito desatualizado. Recentemente, foram descobertas no Brasil muitas áreas que antes não eram tratadas como de risco. Entre elas, o Nordeste (Ceará e Rio Grande do Norte), norte do Mato Grosso, nordeste de Goiás e a área da Bacia do Pantanal, no Mato Grosso do Sul. “Nessas regiões a placa sul-americana é mais fina e fraca, além de serem regiões de concentração de tensões geológicas”, explica.

Revisão da ABNT NBR 15421:2006 ajudaria a chamar a atenção para a engenharia sísmica

Na avaliação de Marcelo Sousa de Assumpção, a partir da revisão da ABNT NBR 15421:2006, o Brasil terá um documento com regras mais claras para orientar a engenharia civil sobre a construção de edificações em áreas sujeitas a tremores de terra. Isso também ajudará as universidades a se posicionarem melhor sobre criar cursos que abranjam a engenharia sísmica. Até o momento, o país evoluiu significativamente em como detectar riscos sísmicos, mas não sobre como prevenir suas construções de eventuais abalos.

Por enquanto, os brasileiros que querem se graduar em engenharia sísmica precisam buscar a especialização fora do país. Estados Unidos e Portugal são os destinos mais procurados. Nos EUA, a Universidade de Stanford, na Califórnia, é considerada referência por causa dos estudos que realiza sobre a falha de San Andreas. Já em Lisboa existe a Sociedade Portuguesa de Engenharia Sísmica e na Universidade do Porto, dentro da Faculdade de Engenharia, está um dos mais respeitados departamentos de engenharia sísmica da Europa.

O país tem tradição em estudar sismos por conta do terremoto que destruiu Lisboa em 1755, e que causou pelo menos 10 mil mortes – não há números oficiais sobre a tragédia. Já no Brasil, a engenharia sísmica no máximo é tratada como disciplina dentro da engenharia civil ou abordada em cursos de especialização e extensão, normalmente voltados à norma técnica ABNT NBR 15421:2006.

Entrevistado
Reportagem com base na conferência “Tremores de terra e o novo mapa de ameaça sísmica do Brasil”, durante a 69ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

Contato: eventos@sbpcnet.org.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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