Alvenaria vai predominar no Minha Casa, Minha Vida

  1. 25 de outubro / 2009

    O que deduz o Professor Francisco Cardoso infelizmente é realidade da produção de habitações no Brasil, notadamente aquelas destinadas a baixa renda.
    Lamentável porém é a falta de iniciativa e falta de incentivo à inovação com técnicas construtivas racionalizadas e industrializadas.
    Há que se lembrar que no final dos anos 70 e início dos anos 80, quando o país viveu um momento especial na construção habitacional popular, ocasião em que em pouco mais de 3 anos produziram-se cerca de 4 milhões de unidades habitacionais. Ocasião esta que o extinto BNH percebendo as dificuldades inerentes a este esforço, aliada a grande falta de materiais em geral e alto desperdício incentivou as empresas do setor a desenvolver e buscar tecnologias construtivas, mais modernas, mais rápidas, mais eficientes e produtivas , também visando a redução de custos e do desperdício.
    Ainda existe no Brasil um ranço no que tange a industrialização da construção civil, notadamente no setor habitacional, amplamente patrocinada por acadêmicos, empresas que atuam no setor (na condição de uma pseudo-reserva de mercado) e dos agentes financeiros em geral.
    Ocorre que os recursos naturais vêm sendo desperdiçados em larga escala, por conta da adoção de uma tecnologia construtiva arcaica. Madeira, areia, água, argila e minérios utilizados na construção são extraídos em grande quantidade para transforma-se em matéria prima das obras que posteriormente vão gerar volumes absurdos de entulho, gerando graves problemas ambientais desde a extração até o descarte, sem contabilizar o custo econômico envolvido.
    Há que se lembrar que outros povos do planeta, notadamente na Europa e Ásia no esforço de recompor sua infraestrutura em função da destruição provocada por guerras e cataclismos, quando tiveram que reconstruir suas edificações, o fizeram invariavelmente com técnicas construtivas industrializadas, incentivando o surgimento de técnicas construtivas inovadoras, econômicas e mais recentemente sustentáveis.
    O caso da Europa é especialmente relevante por tratar-se da base cultural de nosso país, cujas técnicas construtivas industrializadas em 20 anos reconstruíram mais de 40 milhões de unidades habitacionais. O comitê executivo do Plano Marshal (Europa Ocidental) calculava que para reconstruir em alvenaria as unidades habitacionais destruídas na guerra levaria em torno de 200 anos, daí a opção pela construção industrializada. Calculavam então produzir em 40 anos o que na prática realizaram em 20 anos.
    Esta realidade é muito próxima do Brasil, pois além dos traços culturais a apropriação tecnológica da engenharia nacional tem como base as técnicas construtivas européias e norte-americanas.
    Pelo exposto é lamentável que ainda se divulguem opiniões técnicas pejorativas a respeito da validade das técnicas construtivas industrializadas as quais dispões de soluções experimentadas a mais de 30 anos, que contemplam o desempenho, a segurança, a durabilidade, a versatilidade na adaptação regional, o conforto e a economia tudo isso com sustentabilidade e profissionalismo.

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