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Favelas carecem de política habitacional específica

Gestão, Mercado Imobiliário 24 de janeiro de 2012

Brasil tem 11 milhões de pessoas vivendo em aglomerados subnormais e solução do problema vai além do Minha Casa, Minha Vida

Por: Altair Santos

O Brasil tem 11,4 milhões de pessoas vivendo em favelas, distribuídas em 323 municípios do país. Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre aglomerados subnormais divulgada no final de 2011 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se de um problema que, na opinião do professor Natal Destro, diretor e fundador da Universidade Corporativa Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção) pode resultar em oportunidades, desde que o poder público não engesse sua política habitacional.

Natal Destro: "Não é um modelo único de política habitacional que vai acabar com as favelas".

Para o especialista, só o programa Minha Casa, Minha Vida não vai resolver o problema das favelas no Brasil. Natal Destro defende que haja um projeto específico para transformar essas áreas, ancorado por um forte subsídio governamental. “Quem tem renda de zero a três salários mínimos precisa ser subsidiado integralmente, pois lá na frente esse subsídio vai se transformar em lucro para o governo. Uma favela com casas regularizadas, ruas, luz elétrica e saneamento básico se converte em IPTU, contas de luz e de água”, explica.

Outra tese apoiada pelo professor  é que o investimento maciço na transformação das favelas resultaria em geração de empregos e em mais crescimento para o setor da construção civil. “Com o envolvimento de cooperativas, associações de bairros, associações de classe e de interesse social poderia haver a qualificação dos moradores das favelas para eles mesmos gerirem as obras. É preciso perseguir todas as formas para extinguir as favelas, e não só um modelo de programa habitacional”, diz.

Natal Destro se apega a uma teoria econômica, a curva de Laffer, para defender que o subsídio às habitações de interesse social resulta em crescimento para o país. “Em economia se estuda a curva de Laffer. De cada real investido na construção civil, ele se multiplica catorze vezes. Nenhuma cadeia produtiva é tão lucrativa no Brasil. A segunda maior é a automobilística, que multiplica cerca de oito vezes cada real investido. Então, para eliminar a linha da pobreza, o país tem de investir em construção civil”, avalia.

Obstáculos

O governo federal planeja acabar com o déficit habitacional brasileiro até 2023. Para o professor da universidade Anamaco, isso é possível desde que sejam combatidas três frentes: a corrupção, o desperdício na construção civil e o risco de o Minha Casa, Minha Vida se elitizar. “O Brasil já cometeu esse erro com o BNH (Banco Nacional de Habitação) que terminou como uma instituição que financiava apenas os ricos. Além disso, é preciso seguir combatendo o desperdício na construção civil. Há 15 anos, as perdas em uma obra chegavam a 40%. Hoje, está em 15%. É necessário investir em tecnologias de construção para diminuir cada vez mais o desperdício. Por fim, a corrupção, que desvia anualmente quase R$  80 bilhões – dinheiro que seria suficiente para zerar o déficit habitacional em um ano”, alerta.

Apesar dos gargalos a serem superados, Natal Destro lembra que os programas do Brasil para combater a pobreza hoje inspiram outros países. “Nosso modelo é copiado na América Latina, na África, na Ásia e, inclusive, na Europa. Não é perfeito, mas é bom. Porém, dá para aperfeiçoar e fiscalizar com mais eficiência. Com isso, as chances de chegarmos em 2023 com um déficit habitacional zero ou perto de zero são grandes. E a construção civil é a alavanca para isso”, finaliza. 

Favela no Brasil: transformação beneficiaria 11,4 milhões e manteria crescimento da construção civil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Entrevistado
Natal Destro, presidente da ACOMAC-SP (Associação dos Comerciantes de Material de Construção de São Paulo)
Currículo
Natal Destro é graduado em administração de empresas, com pós-graduação em comércio exterior e recursos humanos
É palestrante, professor de gestão comercial e de vendas e diretor e fundador da Universidade Corporativa Anamaco (Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção)
Também atua como consultor das entidades como ABRAPE (Associação Brasileira de Produtores de Eventos),  ADIMACO (Associação Nacional dos Distribuidores e Instaladores de Material da Construção a Seco) e ABRADICON (Associação Brasileira dos Atacadistas e Distribuidores de Material de Construção)
Contato:presidente@acomacsp.com.br

Créditos foto: Divulgação/Agência Brasil

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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