Estaca escavada de concreto usa resíduos de pneus

Resíduos de pneus substituem 10% da areia na composição de agregados e, com mais cimento, mantêm as mesmas propriedades do concreto convencional

Estaca escavada de concreto usa resíduos de pneus

Estaca escavada de concreto usa resíduos de pneus 600 338 Cimento Itambé

Borracha substitui areia, mas estrutura consegue preservar resistência com a adição de mais cimento na mistura

Por: Altair Santos

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp conseguiu tornar realidade a incorporação de resíduos de borracha proveniente da recauchutagem de pneus, substituindo parcialmente a areia. O estudo permite que o agregado seja usado em estacas escavadas e moldadas in loco, para obras do tipo residência de pequeno e médio porte (até dois pavimentos). Para compensar a perda de resistência do concreto, por causa da substituição da areia por partículas de resíduos de pneus como agregado miúdo, é aumentada a adição de cimento à mistura.

Resíduos de pneus substituem 10% da areia na composição de agregados e, com mais cimento, mantêm as mesmas propriedades do concreto convencional

Resíduos de pneus substituem 10% da areia na composição de agregados e, com mais cimento, mantêm as mesmas propriedades do concreto convencional

A pesquisa tornou-se realidade a partir da dissertação do engenheiro civil Valério Henrique França, com a orientação do professor Newton de Oliveira Pinto Júnior. O conceito inicial da pesquisa não tinha como objetivo produzir estacas escavadas, mas sim testar a aderência entre o aço e o concreto, preparado a partir da substituição parcial da areia por resíduo de borracha proveniente da recauchutagem de pneus. O rumo do estudo começou a mudar quando foram realizadas as pesquisas de campo. Foram moldadas três estacas em concreto convencional e outras três em concreto com resíduos de borracha. Os dois tipos de estacas revelaram comportamentos muito similares quanto à deformação e ao recalque.

Todas as estruturas moldadas tinham seis metros de profundidade e 30 centímetros de diâmetro. Elas foram submetidas a ensaios de carga sob pressão de até 25 toneladas. As estacas em que 10% da areia foram substituídas por resíduos de borracha se comportaram nos testes de resistência igual às estacas convencionais. Vale lembrar que a mistura também recebeu a mesma proporção a mais de cimento, ou seja, 10%. “Os testes comprovam que o aproveitamento de resíduos de borracha em estacas escavadas in loco é totalmente viável do ponto de vista técnico”, diz Valério Henrique França.

Trinta anos de pesquisa
A dissertação começou em 2003, na Faculdade de Engenharia do Campus de Ilha Solteira – unidade que integra a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP). Na Unicamp, junto com o professor Newton de Oliveira Pinto Junior, Valério Henrique França, que hoje também é professor na Universidade Paulista (UNIP), vem desenvolvendo sua pesquisa para chegar ao mercado. Embora o processo ainda dependa de um estudo de viabilidade econômica, o pesquisador considera que o maior lucro advém do ganho ambiental.

A Unicamp alerta que pesquisas sobre a incorporação de resíduos de borracha de pneus em concreto têm sido realizadas há mais de 30 anos. Porém, o uso efetivo em estacas, particularmente em estacas moldadas in loco, não possui registro na literatura técnica e científica. Outra motivação para o estudo é que o Brasil fabrica anualmente 68 milhões de pneus, além de ser o segundo país do mundo em recauchutagem de compostos de borracha. Tal processo libera grande volume de resíduos e que, em aterros sanitários, levam até 240 anos para completar o ciclo de degradação.

Entrevistado
– Newton de Oliveira Pinto Júnior, professor-doutor do departamento de estruturas da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp (via assessoria de imprensa da Unicamp)
– Engenheiro civil Valério Henrique França, doutorando pela Unicamp, professor da Universidade Paulista (UNIP- Campus Araçatuba-SP) e gerente da construtora Andrade Galvão Engenharia Ltda. (via assessoria de imprensa da Unicamp)

Contato
pintojr@fec.unicamp.br

Crédito Foto: YouTube

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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