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Em cidades inovadoras, concreto estimula mobilidade

Área Técnica, Inovação, Sobre Concreto 12 de junho de 2014

Urbanista dinamarquês David Sim cita exemplos em que o material serviu para gerar obras que transformaram algumas das principais metrópoles do mundo

Por: Altair Santos

No Encontro Nacional para Inovação na Construção Civil (ENINC) que aconteceu dias 2 e 3 de junho na sede da Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) o arquiteto paranaense Edson Yabiku, sócio do escritório de arquitetura Foster & Partners – localizado em Londres -, e o urbanista dinamarquês David Sim mostraram ser possível viabilizar cidades inovadoras com o concreto predominando nas obras. Masdar, a cidade “carbono zero” em construção em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, é a prova. “Desenvolvemos um concreto sustentável, com uma pegada menor de carbono, e que vai ajudar a resfriar a cidade”, diz Sim, que junto com Yabiku está envolvido no projeto.

Masdar City, em Abu Dhabi: exemplo de que é possível inovar sem abdicar do concreto

Estima-se que a construção de Masdar City consuma 2 milhões de m³de concreto. Para se chegar à pegada ideal de carbono do material, foram testados treze tipos de misturas, onde o cimento recebeu alto volume de escórias de alto forno, variando de 50% a 80%. A escolha recaiu sobre um composto que usa 30% de escórias e 30% de cinzas volantes, com resistência à compressão de 40 MPa e pegada de carbono de 154 kg/m3. “O objetivo é ter um concreto que permita resfriar a cidade. Em Abu Dhabi, a temperatura média é de 39°C com sensação térmica de 52°C. Em Masdar, a sensação térmica será menor que a marcada pelos termômetros”, revela Edson Yabiku.

Cidade sustentável

É curioso como surgiu o projeto para construir a cidade de Masdar. Em 2006, o governo dos Emirados Árabes recebeu um relatório que apontava para o alto índice de cidadãos com diabetes. O sedentarismo da população, motivado pelo uso excessivo de carros, motivou o investimento em uma cidade sustentável, onde a prioridade seria o pedestre. “O projeto, que começou a ser concebido em 2006, levou três anos para ficar pronto. Em Mazda, tudo poderá ser feito a pé. A entrada de carros será proibida”, explica Yabiku. O distrito de seis quilômetros quadrados ainda está em construção e será finalizado em 2015, ao custo de US$ 22 bilhões (cerca de R$ 45 bilhões).

Edson Yabiku e David Sim disseram na palestra no ENINC – evento que também comemorou os 70 anos de fundação do SindusCon-PR – que Curitiba inspirou conceitos aplicados em Mazda. Uma das ideias é a Rua das Flores. “Em Mazda também haverá ruas das flores, inspiradas em Curitiba. A cidade aqui é exemplar, limpa. Há um forte uso do transporte público, com baixo consumo de gasolina se comparada a outras. Isso nos inspirou a emprestar boas práticas para usar em nossos projetos”, completa Yabiku. A dupla também atuou recentemente na revitalização da Trafalgar Square, em Londres.

Entrevistados
Arquiteto Edson Yabiku e urbanista David Sim, sócios do escritório londrino Foster & Partners
Contato: info@fosterandpartners.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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