Construir pontes começa pelo papel e pelo macarrão

Construir pontes começa pelo papel e pelo macarrão

Construir pontes começa pelo papel e pelo macarrão 150 150 Cimento Itambé

Universidades promovem concursos para alunos de engenharia civil aprenderem a estruturar edificações de concreto ou pré-fabricados  

Por: Altair Santos

Já é tradição em um bom número de escolas de engenharia promover competições em que o objetivo final é construir pontes com materiais como papel ou espaguete. Vence a equipe que projetar a estrutura que mais suportar peso. No Brasil, as universidades federais de Juiz de Fora e do Rio Grande do Sul estão entre as que realizam essa atividade há mais tempo. O país já conta com 15 cursos de engenharia civil que incentivam campeonatos deste tipo. O mais recente a aderir foi o da Universidade Federal do Paraná (UFPR). 

Ponte vencedora do 1º concurso promovido pela UFPR: estrutura de papel suportou 18 quilos

Segundo o professor Marcelo Medeiros, do departamento de construção civil da UFPR, o envolvimento dos alunos nestas competições os ajudam a ter noções de como se projetam estruturas de concreto. “É possível traçar um paralelo com as estruturas confeccionadas em pré-moldado. Por exemplo, uma etapa do concurso é a apresentação do projeto estrutural, que exige que os alunos façam todos os cálculos de resistência do papel para aplicá-los na fabricação das pontes. Neste momento, os alunos precisam raciocinar onde estão os esforços de compressão e os de tração e aplicar teorias de dimensionamento. É exatamente o que se faz para o concreto armado“, explica. 

No concurso da UFPR, as pontes deveriam ser instaladas em um vão livre de pelo menos 100 centímetros e teriam que resistir à maior carga possível até a ruptura. Venceu o projeto que suportou 18 quilos. Foram usados apenas papel e cola na elaboração das estruturas. As equipes inscritas contaram com a orientação dos 12 alunos que formam o grupo PET (Programa de Educação Tutorial) do curso de engenharia civil da Universidade Federal do Paraná – organizador do campeonato -,  e do qual o professor Marcelo Medeiros é o orientador. “O grupo PET foi criado para idealizar projetos que estimulem os alunos do curso de engenharia civil, até para diminuir a evasão escolar”, diz Medeiros. 

Alunos da UFPR durante a elaboração das pontes: cálculos e projetos simulam obras de verdade

Os alunos que integram o PET são bolsistas.  Ao ingressar no programa, eles ganham condições de realizar atividades extracurriculares para completar a formação acadêmica. A inspiração vem de conceitos criados nas universidades americanas, como os honours programs. Atualmente, no Brasil, o Programa de Educação Tutorial conta com 400 grupos em instituições de ensino superior públicas e privadas. São 4.274 alunos bolsistas e 400 tutores, um para cada grupo de pesquisa. A cada ano, o programa lança um edital com 30 novas vagas. O PET que funciona no curso de engenharia civil é um dos 17 em operação na UFPR. 

Recorde mundial 

Entre as universidades brasileiras que promovem concursos de pontes, a UFRGS detém o recorde mundial. O departamento de engenharia civil da escola de Porto Alegre realiza campeonatos desde 2004, só que utiliza o macarrão espaguete, cola e epoxi como materiais. Em novembro de 2011, o projeto da equipe formada pelas Carlise Schmitz, Bruna Zakharia e Tieli Silva Fraga resistiu 234 kg antes de romper. A marca superou o recorde mundial de 176 kg, que pertencia à Okanagan University College, nos Estados Unidos, também usando uma estrutura feita com macarrão. 

Entrevistado
Marcelo Medeiros, professsor do Departamento de Construção Civil (DCC) da UFPR,
vice-coordenador do Programa de Pós-graduação em Construção civil (PPGCC) e tutor do Grupo PET-Civil (Programa de Educação Tutorial)

Currículo

– Graduado em engenharia civil pela Universidade de Pernambuco (1999)
– É mestre em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (2002) e doutor em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (2007)
– Atualmente é professor da Universidade Federal do Paraná onde tem ministrado aulas na graduação e pós-graduação strictu sensu
– É professor colaborador de cursos de pós-graduação Latu sensu da Universidade de Pernambuco e Universidade do Oeste de Santa Catarina
– É membro colaborador do Colaboración Interamericana en Materiales (CIAM) no México
– Atuou nos trabalhos de inspeção, diagnóstico e projeto de recuperação de obras de arquitetos renomados, como Oscar Niemeyer (Brasil), Villa Nova Artigas (Brasil) e Fresnedo Siri (Uruguai)
– Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em materiais de construção, patologia e terapia das estruturas de concreto, atuando principalmente nos seguintes temas: durabilidade, concreto armado, reparo, dosagem de concreto e argamassa, ataque por cloretos, corrosão de armaduras e vida útil
Contato: medeiros.ufpr@gmail.com / http://www.petcivil.blogspot.com 

Veja vídeo da ponte que bateu o recorde mundial: Clique aqui 

Créditos foto: Divulgação/UFPR/UFRGS 

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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