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Combate às patologias mobiliza sete países

Agenda de Eventos, Área Técnica, Sobre Cimento, Sobre Concreto, Universidade e Pesquisa 12 de junho de 2013

Cinpar 2013 reuniu especialistas do Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal, com foco nos prédios históricos

Por: Altair Santos

De 3 a 5 junho, em João Pessoa-PB, aconteceu o IX Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas – Cinpar 2013. O evento reuniu especialistas de sete países (Brasil, Espanha, Argentina, Chile, França, República Tcheca e Portugal ) e atraiu cerca de cinco mil participantes, entre professores, pesquisadores, alunos e profissionais que atuam nas áreas da engenharia civil e arquitetura. Sediado no espaço do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB) o evento começou como todos queriam: um palestrante de peso.

Carmen Andrade abriu o Cinpar 2013: referência em estudos sobre patologias do concreto.

Quem abriu os debates foi a pesquisadora espanhola María del Carmen Andrade Perdrix, considerada uma das referências internacionais sobre corrosão e premiada internacionalmente por suas pesquisas nesta área. O título de sua palestra foi “Análise crítica sobre a modelização da vida útil para corrosão de armaduras em ambientes com cloretos”. O tema abordado pela especialista tratou de uma das manifestações patológicas que mais afetam as estruturas de concreto armado no Brasil, como explica o professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD, César Henrique Sato Daher.

As corrosões de armadura, na maioria das vezes, são provenientes de más especificações de projeto, emprego de concretos de baixa qualidade ou má execução das estruturas. “São fenômenos que ocorrem quando há a quebra da camada protetora do concreto sobre as armaduras, causadas por agentes agressivos (gás carbônico, cloretos, sulfatos etc) e que permitem a ocorrência das reações eletroquímicas de corrosão da armadura. Essas reações fazem com que uma parte da armadura sofra um aumento de seção, e outra uma redução. O perigo está nas regiões em que o aço da armadura sofre redução da seção transversal com consequente perda da capacidade estrutural, podendo levar a um colapso localizado e a um colapso generalizado, se as devidas medidas terapêuticas não forem aplicadas”, diz Daher.

César Henrique Sato Daher: normas incorporam diretrizes de medidas preventivas.

O Cinpar 2013 se dividiu em três áreas temáticas: manifestações patológicas na construção; ensaios não destrutivos e destrutivos para avaliação de estruturas; materiais (materiais de reparo, materiais inovadores e materiais sustentáveis) e patrimônio histórico. Em todas elas, os debatedores se concentraram em mostrar o que está sendo feito no Brasil e no mundo para prevenir manifestações patológicas. No caso das corrosões das armaduras, está se trabalhando na melhoria da qualidade dos projetos de estruturas e dos concretos. Além disso, produtos mais eficazes têm surgido, como os concretos de alto-desempenho, os autoadensáveis e produtos inibidores de corrosão que podem ser adicionados aos concretos no estado fresco.

César Henrique Sato Daher destacou ainda que a conscientização do meio técnico e a troca de experiências, através da divulgação de pesquisas em congressos e em cursos específicos, também ajudam a buscar soluções contra as manifestações patológicas. “No IDD, por exemplo, temos trabalhado fortemente neste sentido, através de cursos de pós-graduação com os maiores especialistas da área, visando a disseminação do conhecimento inclusive com intercâmbios internacionais. A Alconpat (Associação Latino Americana de Controle de Qualidade, Patologia e Recuperação das Construções) tem feito um grande trabalho neste sentido, assim como o Cinpar (no congresso, dos 176 trabalhos apresentados, 102 foram publicados). São eventos que têm sido uma grande fonte de trocas de experiências e aprendizado para quem se interessa pelo assunto. O que felizmente temos observado é um número cada vez maior de adeptos a essa área de suma importância dentro da engenharia”, destacou.

Cinpar 2013 teve 102 trabalhos aprovados para publicação.

Normas

Fundamentais para estimular a evolução das construções, as normas brasileiras publicadas pela ABNT também desempenham papel importante na prevenção às patologias, e não deixaram de ser citadas no Cinpar 2013. Entre elas, destacam-se a NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento – e a NBR 12655 – Concreto – Preparo, controle e recebimento -, que regulamentam os projetos de estruturas de concreto armado e as especificações de concretos para estruturas, respectivamente. “Elas incorporam diretrizes de medidas preventivas, principalmente no que tange à corrosão das armaduras”, reforça Daher, lembrando ainda da NBR 15577 – Agregados – Reatividade álcali-agregado – e da NBR 15575 – norma de desempenho -, que, segundo ele, vem corroborar para a minimização das manifestações, através do atestado de desempenho. A NBR 15575 entra em vigor no dia 19 de julho de 2013.

Entrevistado
Congresso Internacional sobre Patologia e Recuperação de Estruturas – Cinpar 2013 (via assessoria de imprensa)
Cesar Henrique Sato Daher, professor da Universidade Positivo e sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD

Cinpar 2013 atraiu para estudantes, técnicos, tecnólogos, engenheiros, arquitetos, empresários e pesquisadores.

Currículo
– César Henrique Sato Daher possui master internacional em patologia avançada, pelo Cinvestav-MX.
– Mestre em construção civil (2009) pelo programa de pós-graduação em construção civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR).
– Possui graduação em Engenharia Civil (1998) pela mesma Universidade e é técnico em edificações pela UTFPR (1995).
– É sócio-fundador e diretor de planejamento do Instituto IDD.
– Sócio-fundador da DAHER Tecnologia em Engenharia Ltda.
– Professor do curso de Engenharia Civil da Universidade Positivo (UP).
– Diretor técnico do Instituto Brasileiro do Concreto – regional Paraná (IBRACON-PR) desde 2010.
Contato: daher@institutoidd.com.br
Créditos fotos: Adino Bandeira/IFPB

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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