Certificação mede impacto da obra na saúde das pessoas

Certificação WELL exige que, a cada três anos, prédios verdes mostrem que transmitem saúde e bem-estar aos usuários

Certificação mede impacto da obra na saúde das pessoas

Certificação mede impacto da obra na saúde das pessoas 1024 599 Cimento Itambé

Prédios verdes têm que ir além do uso de materiais e sistemas construtivos sustentáveis. Eles precisam comprovar que proporcionam qualidade de vida

Por: Altair Santos

O Green Building Certification Institute (GBCI) está dando um passo à frente no modelo de certificação. Além da qualidade da obra, ele agora quer medir o impacto da construção na saúde das pessoas que utilizam os prédios com selo LEED. Para isso, foi lançada recentemente a certificação WELL, em parceria com o International WELL Building Institute (IWBI). Ela oferece parâmetros para que construtoras e incorporadoras projetem espaços que promovam qualidade de vida, bem como o aumento de produtividade e conforto dos usuários.

Certificação WELL exige que, a cada três anos, prédios verdes mostrem que transmitem saúde e bem-estar aos usuários

Certificação WELL exige que, a cada três anos, prédios verdes mostrem que transmitem saúde e bem-estar aos usuários

A certificação WELL tem validade de três anos. Após esse período, é necessário submeter à certificação novamente. Todo esse processo é responsável por desafiar arquitetos, engenheiros civis e designers a olharem não somente para o meio ambiente, mas também para as particularidades do ambiente construído, e que impactam diretamente na saúde e bem-estar das pessoas. “A importância da certificação WELL é trazer à tona essa necessidade de reinventar os edifícios, de forma que o usuário seja colocado em primeiro lugar”, avalia Paul Scialla, diretor do IWBI.

A certificação WELL baseia-se em sete categorias, com destaque para a qualidade da água, qualidade do ar, qualidade da luz e confortos térmicos e acústicos. Segundo os certificados, um olhar atento para estes conceitos mostra que eles são significativamente relevantes em um edifício, uma vez que as pessoas passam 90% do tempo em ambientes construídos. “Em edifícios habitacionais, a certificação WELL pode ajudar a melhorar o humor e os padrões de sono. Já em prédios comerciais, ela tende a aumentar a produtividade, fortalecer os esforços de responsabilidade corporativa e reduzir o absenteísmo (faltas no trabalho)”, explica Paul Scialla.

Nenhum prédio no Brasil

Atualmente, mais de 80 edifícios, com cerca de 2 milhões de m² e localizados em 12 países, já possuem a certificação WELL ou encontram-se registrados e em fase de desenvolvimento. Boa parte destes empreendimentos – cerca de 90% – são edifícios corporativos. No Brasil, ocorreu apenas o registro de um projeto na GBC Brasil, mas sem prazo para que entre em fase de execução. “Avaliamos que a certificação permite agregar ao projeto um elevado potencial comercial, fruto da redução de despesas no longo prazo, tanto na melhoria da saúde das pessoas quanto com relação à vida útil do edifício”, estima o diretor do IWBI.

Sede da CBRE, na Califórnia - EUA: primeiro prédio do mundo com a certificação WELL

Sede da CBRE, na Califórnia – EUA: primeiro prédio do mundo com a certificação WELL

O primeiro prédio do mundo a obter a certificação LEED-WELL foi a sede da CBRE (Commercial Real Estate Services), na Califórnia – Estados Unidos. Desde que a edificação ficou pronta e foi habitada, o IWBI passou a monitorar o comportamento dos usuários. No primeiro relatório, divulgado em 2015, as primeiras conclusões foram as seguintes: 83% dos ocupantes disseram sentir-se mais produtivos e 92% informaram que o novo espaço de trabalho criou efeitos positivos na sensação de bem-estar.

Lançada em 2013, a certificação WELL é fruto de sete anos de pesquisas, contando com a participação de engenheiros civis, arquitetos, designers e profissionais da medicina.

Entrevistado
Paul Scialla, diretor do IWBI e CEO da Delos, empresa com sede em Nova York especializada em medir o bem-estar das edificações
Contato: info@wellcertified.com

Créditos Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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