Em pleno século 21, marquises ainda caem. Por quê?

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Em pleno século 21, marquises ainda caem. Por quê?

Em pleno século 21, marquises ainda caem. Por quê? 800 526 Cimento Itambé

Erros de projeto, falta de manutenção e uso inadequado estão entre as principais causas que levam ao desabamento dessas estruturas

Por: Altair Santos

Marquise caída em Porto Alegre, em 2007: cidade é uma das mais vulneráveis a esse tipo de acidente

Marquise caída em Porto Alegre, em 2007: cidade é uma das mais vulneráveis a esse tipo de acidente

No Brasil, em pleno século 21, marquises ainda caem. Pior: fazem vítimas fatais. Em 2015, houve 15 casos registrados de marquises que desabaram no país – três delas com vítimas. A estatística pode ser maior, pois há casos que não são comunicados aos organismos de fiscalização. Neste ano, os acidentes não regrediram. Entre janeiro e julho aconteceram nove desabamentos de marquises construídas em concreto armado, causando cinco mortes e deixando três pessoas feridas.

As quedas acontecem indiscriminadamente, do sul ao norte do país. Mas em um estado o volume de quedas de marquises é maior: o Rio Grande do Sul. Só em 2016, houve dois desabamentos e três mortes. Em 25 de abril, em São Leopoldo, uma pessoa morreu e outra ficou ferida. Em 21 de julho, foram duas vítimas fatais em Porto Alegre. Neste acidente recente, o CREA-RS concluiu que houve sobrecarga na estrutura.

Segundo o professor Marcelo Medeiros, coordenador da pós-graduação em engenharia da construção civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná), as principais causas que levam as marquises ao colapso estão relacionadas às seguintes possibilidades: deficiências de projeto, mau posicionamento das armaduras, corrosão de armaduras, sobrecarga e escoramento incorreto.

O engenheiro civil ainda lembra que dois problemas fundamentais fazem com que as marquises caiam. Um é conceitual: alguns especialistas as projetam como se fossem lajes. O outro está relacionado à manutenção. Segundo Marcelo Medeiros, marquises precisam ser constantemente avaliadas, o que dificilmente ocorre no Brasil. “Marquises fogem à regra de que o concreto avisa quando vai desabar. Elas simplesmente caem”, afirmou, em palestra no 1º Simpósio Paranaense de Patologia de Construções (SPPC).

Atenção especial

Marcelo Medeiros, da UFPR: marquises fogem à regra de que o concreto avisa quando vai desabar

Marcelo Medeiros, da UFPR: marquises fogem à regra de que o concreto avisa quando vai desabar

Marcelo Medeiros explica também que marquises são estruturas de concreto armado que precisam ter um olhar diferente. “Fica claro que é fundamental criar a conscientização de que uma marquise é um elemento de características diferenciadas em relação ao resto da estrutura e, por isso, deve ter atenção especial na fase de projeto, execução e uso. Além disso, um programa de manutenção preventiva é de extrema importância para qualquer estrutura de concreto armado e, no caso das marquises, muito mais, já que se trata de uma estrutura isostática e com um único vínculo que sofre ruptura brusca, sem aviso”, disse em artigo que escreveu em parceria com Maurício Grochoski, intitulado “Marquises: por que algumas caem?”, publicado na edição 46 da Revista Concreto.

O professor da UFPR ainda lembra em seu artigo que uma marquise consiste em um elemento estrutural que fica em contato com a edificação principal apenas pela região de engastamento. “Isto implica em uma característica, se não perigosa, no mínimo merecedora de atenção especial, seja no projeto, na execução e na conservação desta ao longo do tempo”, diz, complementando que o profissional para as vistorias periódicas de marquises não pode ser um simples engenheiro civil. “É preciso especialização e muita experiência na área de patologia e funcionamento estrutural do concreto armado”, finaliza.

Leia o artigo completo.

Entrevistado
Engenheiro civil Marcelo Medeiros
, professor e coordenador da pós-graduação em engenharia da construção civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná)

Contato:
medeiros.ufpr@gmail.com

Crédito Fotos: Divulgação/PetCivil UFPR

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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