O impacto do gol, das “olas” e das torcidas nos estádios

Westfalenstadion

O impacto do gol, das “olas” e das torcidas nos estádios

O impacto do gol, das “olas” e das torcidas nos estádios 1024 769 Cimento Itambé

Estruturas precisam levar em consideração número significativo de esforços para suportar movimentação das torcidas ao longo dos 90 minutos

Por: Altair Santos

Os doze estádios que sediam jogos da Copa do Mundo foram construídos para dar total segurança ao público que os frequenta. Uma parte desta segurança é visível; outra, está nas estruturas das obras. Porém, são tão relevantes quanto o conforto oferecido pelas arenas. Neste quesito, os projetos adotaram o que há de mais moderno em termos de análise de carga dinâmica e de análise de carga estática. Por isso, para quem está nas arquibancadas, a sensação é de que os estádios não balançam. Neste caso, o padrão Fifa localiza-se nos sistemas de amortecimento adotados durante a construção dos complexos esportivos.

Westfalenstadion, na Alemanha: movimento da torcida do Borussia Dortmund, considerada a mais empolgante do mundo, fez com que capacidade reduzisse de 80.100 para 65.718 lugares

Uma das mais inovadoras tecnologias é a que foi instalada no Mineirão, em Belo Horizonte-MG. No estádio, foram colocados 166 amortecedores à base de TMD (Tuned Mass Dampers ou amortecedores de massa sintonizada). Esse tipo de equipamento funciona de forma semelhante a um amortecedor de veículo automotor, absorvendo a carga dinâmica causada pela movimentação da torcida. “Implantamos o que há de mais moderno em tecnologia de controle de vibrações. A arquibancada passa a ter mais conforto”, explica Ricardo Barra, diretor-presidente do consórcio Minas Arena.

Já no Mané Garrincha, em Brasília-DF, a solução para que o estádio suporte os gritos de gol e as tradicionais “olas” está no posicionamento dos pilares de sustentação. A análise dinâmica definiu onde cada um seria colocado para garantir o amortecimento e evitar a vibração da estrutura de concreto. “Nas décadas de 1960 e 1970, as torcidas tinham comportamentos diferentes. Pulavam juntas, e isso excitava as estruturas de concreto, que também balançavam. Mas a dosagem de concreto evoluiu ao longo do tempo. Hoje, a torcida pode vibrar sem causar sensação desagradável”, assinala Eduardo Castro Mello, o arquiteto que projetou o estádio da capital federal.

A solução usada no Mané Garrincha predomina em boa parte dos estádios da Copa. Porém, o Maracanã usou uma engenharia diferente. Segundo o projetista João Luís Casagrande, da Casagrande Engenharia – responsável pelos cálculos estruturais da obra -, essa é a primeira vez no mundo que o sistema contraforte é utilizado na construção de um estádio. “A tecnologia que utiliza amortecedores semelhantes aos usados nos veículos, como o que foi aplicado no Mineirão, tem um problema que é o custo da manutenção. De tempos em tempos é preciso trocá-lo. Já o contraforte é definitivo”, diz.

Sistema de amortecimento usado no Mineirão: equipamento semelhante ao utilizado em veículos automotores

O sistema de contraforte foi instalado na base das arquibancadas do Maracanã e funciona como a borda de uma piscina, ou seja, as vibrações que virem a ser geradas pelos 78.639 torcedores que caberão no estádio serão contidas pela grande estrutura de concreto, preenchida com entulhos, que circunda a obra. Assim, o novo Maracanã suporta até 6 Hz (hertz) de frequência – normalmente, o máximo exigido para estádios é 3 Hz. Outra vantagem desse sistema de amortecimento é que ele permite que as estruturas metálicas que sustentam as arquibancadas do anel intermediário fossem concebidas com uma massa mais leve. “Consequentemente, o custo da obra reduziu”, avalia o engenheiro.

Estádios antigos
Muitos estádios brasileiros, construídos principalmente entre os anos 1960 e 1970, foram projetados para suportar uma torcida menos vibrante. As estruturas acabaram concebidas com carga estática de 5 kN/m2. Com a chegada dos torcedores organizados, e o uso dos estádios para shows de música, as estruturas passaram a sofrer maior impacto de cargas dinâmicas. Com isso, as construções começaram a apresentar problemas de vibrações excessivas, exigindo adaptações. A solução para a maioria foi instalar assentos e reduzir a capacidade dos complexos esportivos.

Isso ocorreu não só no Brasil como em outros países. É o caso, por exemplo, do Westfalenstadion, na Alemanha. A arena, que pertence ao Borussia Dortmund – clube que tem a torcida mais empolgada do mundo, segundo pesquisas – precisou ter sua capacidade reduzida de 80.100 para 65.718 lugares. Houve também estádios que recorreram a novas tecnologias de amortecimento, como o Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi). Engenheiros contratados para fazer análise de carga da edificação decidiram aplicar as normas inglesas para estádios, adotadas em 1996. Foram a partir delas que as arenas pararam de tremer durante os gritos de gol ou na execução das olas.

Entrevistados
Engenheiro civil João Luís Casagrande, que coordenou a implantação do sistema de contraforte no Maracanã
Arquiteto Eduardo Castro Mello, responsável pelo projeto do Mané Garrincha
Engenheiro civil Ricardo Barra, ex-diretor-presidente do consórcio Minas Arena
Contatos
jlcasagrande@cagen.com.br
castromello@castromello.com.br
www.minasarena.com.br/contato

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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