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O impacto do gol, das “olas” e das torcidas nos estádios

Finanças, Gestão, Gestão de Obras 18 de junho de 2014

Estruturas precisam levar em consideração número significativo de esforços para suportar movimentação das torcidas ao longo dos 90 minutos

Por: Altair Santos

Os doze estádios que sediam jogos da Copa do Mundo foram construídos para dar total segurança ao público que os frequenta. Uma parte desta segurança é visível; outra, está nas estruturas das obras. Porém, são tão relevantes quanto o conforto oferecido pelas arenas. Neste quesito, os projetos adotaram o que há de mais moderno em termos de análise de carga dinâmica e de análise de carga estática. Por isso, para quem está nas arquibancadas, a sensação é de que os estádios não balançam. Neste caso, o padrão Fifa localiza-se nos sistemas de amortecimento adotados durante a construção dos complexos esportivos.

Westfalenstadion, na Alemanha: movimento da torcida do Borussia Dortmund, considerada a mais empolgante do mundo, fez com que capacidade reduzisse de 80.100 para 65.718 lugares

Uma das mais inovadoras tecnologias é a que foi instalada no Mineirão, em Belo Horizonte-MG. No estádio, foram colocados 166 amortecedores à base de TMD (Tuned Mass Dampers ou amortecedores de massa sintonizada). Esse tipo de equipamento funciona de forma semelhante a um amortecedor de veículo automotor, absorvendo a carga dinâmica causada pela movimentação da torcida. “Implantamos o que há de mais moderno em tecnologia de controle de vibrações. A arquibancada passa a ter mais conforto”, explica Ricardo Barra, diretor-presidente do consórcio Minas Arena.

Já no Mané Garrincha, em Brasília-DF, a solução para que o estádio suporte os gritos de gol e as tradicionais “olas” está no posicionamento dos pilares de sustentação. A análise dinâmica definiu onde cada um seria colocado para garantir o amortecimento e evitar a vibração da estrutura de concreto. “Nas décadas de 1960 e 1970, as torcidas tinham comportamentos diferentes. Pulavam juntas, e isso excitava as estruturas de concreto, que também balançavam. Mas a dosagem de concreto evoluiu ao longo do tempo. Hoje, a torcida pode vibrar sem causar sensação desagradável”, assinala Eduardo Castro Mello, o arquiteto que projetou o estádio da capital federal.

A solução usada no Mané Garrincha predomina em boa parte dos estádios da Copa. Porém, o Maracanã usou uma engenharia diferente. Segundo o projetista João Luís Casagrande, da Casagrande Engenharia – responsável pelos cálculos estruturais da obra -, essa é a primeira vez no mundo que o sistema contraforte é utilizado na construção de um estádio. “A tecnologia que utiliza amortecedores semelhantes aos usados nos veículos, como o que foi aplicado no Mineirão, tem um problema que é o custo da manutenção. De tempos em tempos é preciso trocá-lo. Já o contraforte é definitivo”, diz.

Sistema de amortecimento usado no Mineirão: equipamento semelhante ao utilizado em veículos automotores

O sistema de contraforte foi instalado na base das arquibancadas do Maracanã e funciona como a borda de uma piscina, ou seja, as vibrações que virem a ser geradas pelos 78.639 torcedores que caberão no estádio serão contidas pela grande estrutura de concreto, preenchida com entulhos, que circunda a obra. Assim, o novo Maracanã suporta até 6 Hz (hertz) de frequência – normalmente, o máximo exigido para estádios é 3 Hz. Outra vantagem desse sistema de amortecimento é que ele permite que as estruturas metálicas que sustentam as arquibancadas do anel intermediário fossem concebidas com uma massa mais leve. “Consequentemente, o custo da obra reduziu”, avalia o engenheiro.

Estádios antigos
Muitos estádios brasileiros, construídos principalmente entre os anos 1960 e 1970, foram projetados para suportar uma torcida menos vibrante. As estruturas acabaram concebidas com carga estática de 5 kN/m2. Com a chegada dos torcedores organizados, e o uso dos estádios para shows de música, as estruturas passaram a sofrer maior impacto de cargas dinâmicas. Com isso, as construções começaram a apresentar problemas de vibrações excessivas, exigindo adaptações. A solução para a maioria foi instalar assentos e reduzir a capacidade dos complexos esportivos.

Isso ocorreu não só no Brasil como em outros países. É o caso, por exemplo, do Westfalenstadion, na Alemanha. A arena, que pertence ao Borussia Dortmund – clube que tem a torcida mais empolgada do mundo, segundo pesquisas – precisou ter sua capacidade reduzida de 80.100 para 65.718 lugares. Houve também estádios que recorreram a novas tecnologias de amortecimento, como o Cícero Pompeu de Toledo (Morumbi). Engenheiros contratados para fazer análise de carga da edificação decidiram aplicar as normas inglesas para estádios, adotadas em 1996. Foram a partir delas que as arenas pararam de tremer durante os gritos de gol ou na execução das olas.

Entrevistados
Engenheiro civil João Luís Casagrande, que coordenou a implantação do sistema de contraforte no Maracanã
Arquiteto Eduardo Castro Mello, responsável pelo projeto do Mané Garrincha
Engenheiro civil Ricardo Barra, ex-diretor-presidente do consórcio Minas Arena
Contatos
jlcasagrande@cagen.com.br
castromello@castromello.com.br
www.minasarena.com.br/contato

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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