Alemanha desenvolve concreto-têxtil com fibras de linho

Material permite fabricar estruturas esbeltas e tem capacidade para revolucionar a construção industrializada

Alemanha desenvolve concreto-têxtil com fibras de linho

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Malha de linho

Malha de linho, que combinada com concreto autoadensável substitui as armaduras de aço e permite construir estruturas leves e esbeltas. (linho-concrete). Crédito: Jana Winkelmann

Pesquisadores do Instituto Fraunhofer de Pesquisa em Madeira, também conhecido como Wilhelm-Klauditz-Institut (WKI) ou Fraunhofer WKI, estão desenvolvendo concreto-têxtil a partir de fibras in natura de linho. Nos testes realizados na Alemanha, o material se mostrou tão eficiente quanto os costumeiramente usados para produzir o concreto-têxtil, que são polímeros, fibras de carbono, fibras de vidro e resinas epóxi.

O concreto-têxtil pode ter características superiores ao concreto armado, em termos de resistência à compressão e tração. O tecido, no caso, substitui as armaduras de aço. Desenvolvido na Alemanha, esse tipo de material permite construir estruturas mais esbeltas e é apontado como um elemento que pode revolucionar a construção industrializada do concreto.

Os pesquisadores do Fraunhofer WKI desenvolveram também um tear para tecer os fios a serem usados na malha do concreto-têxtil. A máquina é a única do gênero na Europa e pode compor várias estruturas têxteis para serem incorporadas por concretos de alto desempenho. Nos testes com fibras de linho, o centro de pesquisa para edifícios leves e ecológicos do WKI desenvolveu um concreto autoadensável especial para ser despejado sobre o tecido.

Segundo Jan Binde, que atua no centro de pesquisa, a qualidade do concreto-têxtil alcançado supera, e muito, a do concreto armado convencional. “A estrutura é tão densa que substâncias nocivas que podem causar patologias não conseguem penetrar no componente. Isso resulta em uma vida útil mais longa para o material”, diz.

Primeira ponte capaz de suportar veículos está em construção na Alemanha

A combinação entre a malha de linho e o concreto autoadensável reforçado com fibras de carbono, vidro e polímeros comprovou, durante os testes, ser um compósito durável, resistente a cargas e com baixa emissão de CO2. “As fibras naturais se encaixam muito bem no concreto. Temos elementos suficientes para construir estruturas leves e esbeltas, capazes de suportar carros”, afirma o pesquisador, que com sua equipe trabalha na construção de uma ponte para ser apresentada na BAU 2019, feira sobre arquitetura, materiais e sistemas, que acontece de 14 a 19 de janeiro, em Munique, na Alemanha.

A estrutura terá 15 metros de extensão, 40 centímetros de espessura e usará uma malha de linho com 12 centímetros de espessura. A ponte atende as normas técnicas europeias e se submeterá aos organismos alemães de fiscalização antes de ser apresentada.

No Brasil, a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) desenvolve pesquisa sobre concreto-têxtil no LEME (Laboratório de Ensaios e Modelos Estruturais). Em 2015, havia o projeto de construir duas passarelas para pedestres dentro do campus da universidade, em Porto Alegre-RS, mas que não foi viabilizado. Apesar dos esforços na UFRGS, os estudos sobre concreto-têxtil registram poucos avanços no país.

Entrevistado
Wilhelm-Klauditz-Institut (WKI) (
via assessoria de imprensa)

Contato: info@wki.fraunhofer.de

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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