Faixa de pedestre em 3D lembra elementos de concreto

Ideia se espalha pelo mundo para conseguir combater uma estatística perversa: as mortes por atropelamento

Faixa de pedestre em 3D lembra elementos de concreto

Faixa de pedestre em 3D lembra elementos de concreto 520 310 Cimento Itambé
Santo André

Santo André é a primeira cidade brasileira com mais de 500 mil habitantes a adotar as faixas de pedestres em 3D. 
Crédito: Prefeitura de Santo André

Cidades do Amazonas, do Acre, do Mato Grosso e de São Paulo decidiram copiar ideias que trouxeram bons resultados na Índia, na China e na Islândia: as faixas de pedestres em 3D. As pinturas criam uma ilusão de ótica que induz o motorista a frear. A uma distância de até 20 metros, lembram elementos de concreto encravados no asfalto. Na Islândia, é onde há os resultados mais positivos. Os atropelamentos caíram 25% nas ruas em que as faixas 3D foram pintadas. No Brasil, existe a expectativa de alcançar percentuais próximos disso.

A ponto de a ideia começar a se espalhar pelo país. Também já existem cidades dos estados do sul pensando em adotar o mesmo modelo de faixa de pedestre. A iniciativa deve partir das Circunscrições de Trânsito, as Ciretrans, que são os organismos municipais encarregados de fiscalizar, organizar e planejar o trânsito em cada cidade.

No Brasil, quem primeiro colocou a ideia em prática foi o município de Primavera do Leste, no Mato Grosso, onde quatro faixas de pedestres em 3D foram pintadas por grafiteiros. O secretário de infraestrutura da prefeitura, Eduardo Wolff, comenta os resultados. “A repercussão foi boa. Como é algo novo, os motoristas se assustam com o aparente volume da faixa e diminuem a velocidade. Já deu para sentir o efeito”, diz.

A segunda cidade brasileira a adotar a ideia também avalia como positiva as pinturas de faixas de pedestres em 3D. “Essa faixa em 3D cria um impacto visual maior. Isso deve alertar mais o condutor em relação à existência da faixa de pedestres nestes locais. Queremos que o condutor tenha o sentido de alerta aguçado”, afirma o chefe da Ciretran de Cruzeiro do Sul, no Acre, Valdeci Dantas.

Na Islândia, os atropelamentos foram reduzidos em 25% nas ruas com faixas de pedestres em 3D. Crédito: Gusti Productions

Na Islândia, os atropelamentos foram reduzidos em 25% nas ruas com faixas de pedestres em 3D. Crédito: Gusti Productions

Alto índice de atropelamentos levou Nova Déli, na Índia, a ser pioneira

Primavera do Leste e Cruzeiro do Sul são municípios com menos de 100 mil habitantes. A cidade brasileira mais populosa a adotar as faixas de pedestres em 3D é Santo André, no ABC Paulista, com mais de 500 mil habitantes. Dois projetos-pilotos foram instalados no município, no final de 2017. O trabalho foi executado por funcionários do Departamento de Engenharia de Tráfego (DET) de Santo André, treinados para esse tipo de pintura. 

Fora do Brasil, a cidade pioneira na pintura de faixas de pedestres em 3D foi Nova Déli, na Índia, em 2015. A metrópole indiana tem algumas das maiores incidências de atropelamentos de pedestres no mundo. A ideia se espalhou para outras cidades do país e chegou em Xingsha, China. Na Europa, Ísafjörður, na Islândia, foi a primeira.

Primavera do Leste

Primavera do Leste, em Mato Grosso, foi a pioneira no Brasil a adotar faixa de pedestre em 3D. Crédito: Prefeitura de Primavera do Leste

Na Califórnia, nos Estados Unidos, também existem faixas de pedestres em 3D. O conceito se espalha pelo mundo para conseguir combater uma estatística perversa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 22% das mortes no trânsito no mundo são causadas por pedestres atropelados. O Brasil aparece em 5º lugar entre os países recordistas em mortes no trânsito, precedido por Índia, China, EUA e Rússia e seguido por Irã, México, Indonésia, África do Sul e Egito.

Entrevistado
Reportagem com base em relatório da Organização Mundial de Saúde sobre alternativas para minimizar mortes no trânsito

Contato: eportuguese@who.int

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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