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Aliança Trump-Putin pode viabilizar maior estrada do mundo

Gestão, Infraestrutura, Inovação, Obras Inovadoras 1 de fevereiro de 2017

Chamada de Trans-Eurasian Belt Development, rodovia ligaria Londres a Nova York, cruzando toda a Rússia e o estreito de Bering

Por: Altair Santos

Já imaginou um complexo rodoferroviário entre Londres e Nova York, cruzando a Rússia siberiana de ponta a ponta e atravessando o estreito de Bering? O projeto pode sair do papel se a aliança entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin se estreitar, como parece ser a tendência. A megaobra já tem até nome: Trans-Eurasian Belt Development. O plano prevê o aproveitamento de rodovias e ferrovias já existentes na Europa, na Rússia e nos Estados Unidos, combinado com a construção de novos trechos que encurtariam a distância.

Desafio da rodovia é construir uma estrutura que possibilite cruzar o Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca, nos Estados Unidos

Desafio da rodovia é construir uma estrutura que possibilite cruzar o Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca, nos Estados Unidos

Entre traçados novos e antigos, a Trans-Eurasian Belt Development terá 20.776 quilômetros. Para superar o estreito de Bering, precisará da construção de uma megaponte com 88,5 quilômetros, ligando os pontos mais próximos entre os dois continentes (Ásia e América) ou um túnel submarino. Tecnologia e engenharia de ponta para viabilizar essas estruturas já existem. Porém, há dois obstáculos: o alto custo, estimado em 75 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 230 bilhões), e o afastamento do maior incentivador do projeto, o russo Vladimir I. Yakunin, que dirigia a Russian Railways até agosto de 2015, quando foi exonerado do cargo.

Antes de deixar a direção da estatal russa responsável por ferrovias no país, Vladimir I. Yakunin afirmou que o projeto não deve ser incentivado apenas pelo governo russo. “É um projeto que está acima das nações, é internacional, intercontinental”, disse. No papel, a Trans-Eurasian Belt Development passaria por nove países: Estados Unidos, Rússia, Bielorrússia, Polônia, Alemanha, Holanda, Bélgica, França e Inglaterra. O maior trecho, no entanto, ficaria em território russo: 9.977 quilômetros. Por esses cálculos, teriam de ser construídos 836 quilômetros de rodovias novas, sem aproveitar os traçados já existentes.

China saiu na frente

Traçado da Trans-Eurasian Belt Development passaria por nove países

Traçado da Trans-Eurasian Belt Development passaria por nove países

A Trans-Eurasian Belt Development serviria ao transporte de cargas e de turistas. Para a Rússia de Vladimir Putin e os Estados Unidos de Donald Trump, seria a oportunidade de confrontar o crescimento econômico da China, que em 2014 anunciou projeto com as mesmas características da antiga Rota da Seda. A diferença para a proposta russa é que o governo chinês estaria disposto a bancar 80% da obra, avaliada em US$ 50 bilhões (cerca de R$ 160 bilhões), e o plano envolveria, além de rodovias e ferrovias, um cinturão marítimo com a construção de portos estratégicos e a ampliação do Canal de Suez, no Egito, para receber supernavios.

Outra característica do projeto chinês é que a rota Eurásia cruzaria 21 países (China, Bangladesh, Malásia, Camboja, Laos, Mongólia, Mianmar, Cazaquistão, Paquistão, Azerbaijão, Índia, Irã, Iraque, Nairobi, Egito, Grécia, Turquia, Rússia, Alemanha, Áustria e Itália) em vez dos nove do plano russo-americano. A megaobra ainda permitiria avanços em áreas como telecomunicações e fornecimento de energia (gás e petróleo). Resta saber qual ficará pronta primeiro: se a Silk Road Economic Belt e Maritime Silk Road, pensada pela China, ou a Trans-Eurasian Belt Development.

Saiba mais sobre o projeto chinês, clique aqui.

Entrevistado
Russian Railways (via assessoria de imprensa)

Contato
int-press@css-rzd.ru

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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