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Produtividade passa pela engenharia de gestão

Gestão, Mercado da Construção, Qualificação Profissional, Universidade e Pesquisa 13 de agosto de 2014

No Brasil, curso ainda é novo e só existe uma graduação no país. No entanto, especialidade é cada vez mais exigida na construção civil

Por: Altair Santos

Consolidada no exterior, a engenharia de gestão só agora começa a se propagar no Brasil. A Universidade Federal do ABC paulista (UFABC) é pioneira na oferta de um curso de graduação, enquanto o Instituto de Engenharia de Gestão (IEG) no Rio de Janeiro oferece a especialidade em formato de MBA e pós-graduação. De acordo com Rodrigo Lang, do IEG, tem crescido a demanda pelo curso, sobretudo por profissionais que empreendem na construção civil – com destaque para engenheiros civis. Ainda segundo o especialista, o que eles procuram é imprimir produtividade aos seus negócios. “A gente precisa propagar a produtividade para todas as engenharias e a gestão é fundamental para isso”, diz Lang, que na entrevista a seguir explica os fundamentos que fazem a engenharia de gestão ser imprescindível nos sistemas produtivos do país.

Rodrigo Lang, do Instituto de Engenharia de Gestão: grande fronteira do Brasil é a produtividade

Qual a aplicação da engenharia de gestão na construção civil?
O primeiro passo da engenharia de gestão é um conceito bastante horizontal. Ele passa por tudo o quanto é engenharia. É a engenharia de gestão que traz ferramentas de produtividade às outras engenharias. A grande fronteira do Brasil é realmente a produtividade. Vivemos batendo nesta tecla, de que para crescer sem pressões inflacionárias, crescer de forma sustentável, o país precisa ganhar produtividade. Nos últimos anos tivemos bastante investimento em consumo, pouquíssimo investimento em infraestrutura e nenhum investimento em produtividade. Se compararmos com outros países, o Brasil é um dos últimos colocados em produtividade mundial. Então, tanto na construção civil quanto na engenharia mecânica ou na engenharia naval, é preciso ganhar em produtividade. O modelo a ser seguido é o da agroindústria, que recebeu muito investimento em produtividade – produtividade humana e produtividade tecnológica. É o que precisa ocorrer com a construção civil, para que ela produza mais e reduza seus custos. E boa parte destes custos está relacionada à baixa produtividade. Aí é que entra a engenharia de gestão, que precisa ser aceita como um conceito. Um conceito que deveria nascer dentro das universidades, mas que não se disseminou pelas engenharias, exceto a engenharia de produção e a engenharia industrial. A gente precisa propagar a produtividade para todas as engenharias e a engenharia de gestão é fundamental para isso.

No Brasil, ao que parece, só existe um curso de graduação, que é na UFABC (Universidade Federal do ABC Paulista). Por que há tão poucos cursos de engenharia de gestão?
Infelizmente, nossas escolas de graduação estão muito desconectadas do mercado de trabalho. No Brasil, os cursos de engenharia se tornaram cursos teóricos. A engenharia civil, por exemplo, tem uma base curricular que vem desde 1700, dos tempos do Império. Houve apenas adaptações tecnológicas, mas a ementa curricular é a mesma. Todas as mudanças conceituais envolvendo a engenharia não foram incorporadas à graduação, mas empurradas para cursos de MBA, de pós-graduação, enfim, tornaram-se uma complementação do ensino. Por isso, eu vejo muitos alunos desesperados para cursar MBA, cursar pós-graduação, às vezes num momento errado. E aqui há uma parcela de culpa das universidades federais, que ao exigirem exclusividade de seus professores os desconectaram da realidade de mercado. Com o tempo, isso cria um gap muito grande entre o mercado de trabalho e a universidade. Resultado: os cursos de pós-graduação, hoje, tem cada vez mais demanda. Na média, 20% dos que os procuram são engenheiros civis.

O Instituto de Engenharia de Gestão trabalha de que forma para difundir essas mudanças?
Estamos atuando no mercado. Além de consultoria, temos uma escola de negócios que já existe há cinco anos e que prepara os profissionais graduados para ter o foco em gestão. Formamos engenheiros de gestão.

Entre os que procuram se especializar em gestão, quantos são engenheiros graduados?
A maioria. Os engenheiros que mais procuram são os com formação em civil e mecânica. Por quê? Por que o futuro do engenheiro é a gestão.

No caso de um curso de graduação em engenharia de gestão, ele tem duração de quantos anos?
Como as outras graduações em engenharia, cinco anos. Mas se for um curso complementar, como MBA ou pós-graduação, em um ano se consegue converter um profissional de outra engenharia em um profissional de gestão.

Em termos de produtividade, o quanto a boa gestão permite obter ganhos, sobretudo em projetos relacionados à construção civil?
Atualmente, existe um cálculo estimado de que a boa produtividade eleva os ganhos entre 30% a 40%, só melhorando os fundamentos de gestão. Isso vale para todas as engenharias, para todos os projetos. Grande parte das obras de infraestrutura lançadas no país, por exemplo, não tem gestão de projeto. Isso resulta em falha no preço, estouro no orçamento e prazos não cumpridos.

Fora do país, a engenharia de gestão já está bem disseminada?
Os engenheiros fora do país têm ciclos muito claros, ciclos extremamente profissionais. Nos primeiros três, quatro anos, a universidade se concentra nos fundamentos da profissão. Nos últimos anos, o foco é na gestão.

Como está o mercado de trabalho para quem se gradua em engenharia de gestão, e em quais áreas o profissional pode atuar?
A grande vantagem do profissional de engenharia de gestão é que ele pode atuar em todas as áreas, seja ela pública ou privada. Mas o setor público, em especial, tem um grande ganho relacionado a isto, pois no longo prazo ocorre a profissionalização. Futuramente, se o Brasil quiser mesmo ter um crescimento sustentável, deverá ter engenheiros de gestão em cargos estratégicos do governo.

No mercado, os empresários já preferem, normalmente, engenheiros para gerir as suas empresas. Por que isto ocorre?
A vantagem do engenheiro é que ele tem um raciocínio quantitativo e uma capacidade de análise muito forte. Então, ao casar a capacidade de análise de dados do engenheiro, o raciocínio quantitativo do engenheiro, com algumas disciplinas tipicamente de economia e de administração, surge o engenheiro de gestão. Geralmente, outras profissões têm dificuldade de análise de dados, uma dificuldade de raciocínio lógico e estruturado, onde um engenheiro tem muita facilidade. Por isso, a preferência por engenheiros.

Entrevistado
Engenheiro de produção Rodrigo Lang, sócio-diretor do Instituto de Engenharia de Gestão, com especialidade em empreendedorismo, vida corporativa e motivação empresarial. Autor de artigos e publicações nas áreas de Logística e Supply Chain.

Contatos
rodrigo.lang@institutodegestao.com.br
www.institutodegestao.com.br

Crédito Foto: Divulgação/IEG

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 



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