Pesquisa nos EUA testa resíduos do milho no cimento

Universidade de Nebraska busca agregados alternativos que substituam cinzas volantes e escórias de alto-forno

Pesquisa nos EUA testa resíduos do milho no cimento

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Cinzas de espigas e da palha do milho apresentam características muito semelhantes às das cinzas volantes e escórias de alto-forno. Crédito: UNK

Cinzas de espigas e da palha do milho apresentam características muito semelhantes às das cinzas volantes e escórias de alto-forno. Crédito: UNK

Subprodutos das termelétricas e siderúrgicas, cinzas volantes e escórias de alto-forno costumam ser usadas para a produção do cimento em todo o mundo. Porém, são materiais que tendem a se tornar escassos. Políticas ambientais pressionam para que usinas movidas a carvão sejam desativadas, principalmente em países do Primeiro Mundo. Nos Estados Unidos, pesquisas já buscam soluções para substituir os resíduos das termelétricas como agregados do cimento.

Na Universidade de Nebraska (UNK), estudo concluiu que as cinzas geradas da queima do sabugo e da palha do milho são as que mais se aproximam das características agregantes das cinzas volantes e das escórias de alto-forno. O cimento produzido com o resultado da pesquisa gerou um concreto menos suscetível a cloretos, aponta a equipe que comanda o estudo. “Percebemos que a permeabilidade do concreto diminuiu com o uso desses agregados”, relata o professor-assistente Mahmoud Shakouri, da UNK.

A pesquisa conta com a supervisão de Jim Vaux, presidente do departamento de tecnologia industrial da Universidade de Nebraska, e há um investimento de 205 mil dólares para que o estudo seja aprofundado. Existe o interesse do governo local, pois a região está localizada no chamado “cinturão do milho” dos Estados Unidos. Com os recursos, os pesquisadores adquiriram equipamentos, como um forno ciclônico de alta temperatura para queimar os resíduos do milho. A pesquisa está programada para ser concluída até maio de 2019.

Segundo Shakouri, o fato dos agregados testados reduzirem a permeabilidade do concreto, tornando o material mais resistente a patologias – principalmente as causadas pela ação de íons cloretos -, pode ajudar os Estados Unidos a combaterem uma das principais causas da deterioração de pontes, viadutos e estradas de concreto no país, que é o uso de sal para a remoção da neve acumulada. “Quando esses agentes de degelo à base de cloreto penetram no concreto, eles deterioram o aço de reforço interno, enfraquecendo a estrutura e encurtando sua vida útil”, explica.

Conceito não é novo, mas tecnologias permitem aprimorá-lo

Concreto produzido no laboratório da Universidade de Nebraska reduz pegada de carbono. Crédito: UNK

Concreto produzido no laboratório da Universidade de Nebraska reduz pegada de carbono. Crédito: UNK

O pesquisador afirma que têm sido aplicados no estudo conceitos que não são novos, mas que as tecnologias disponíveis permitem aprimorá-los. “A ideia de usar cinzas de subprodutos agrícolas na composição do cimento não é nova. O Império Romano foi o primeiro a fazer uso disso. Da mesma forma, há outras regiões que usam cinzas de casca de arroz e cinzas de bagaço de cana-de-açúcar no material. O que estamos testando é a eficácia, e percebemos que as cinzas de espigas e da palha do milho apresentam características muito semelhantes às das cinzas volantes e escórias de alto-forno”, relata Mahmoud Shakouri.

Paralelamente à pesquisa do departamento de tecnologia industrial da Universidade de Nebraska, o departamento de química de UNK trabalha no desenvolvimento de aditivos que se adaptem melhor ao concreto que utilizar esse “cimento mais sustentável”. “Trabalhamos em conjunto para reduzirmos a pegada de carbono presente na fabricação de cimento e na produção de concreto”, finaliza Mahmoud Shakouri.

Entrevistado
Mahmoud Shakouri, Ph.D em engenharia civil e professor-assistente da Universidade de Nebraska

Contato: shakourim2@unk.edu

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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