Na carreira, não basta conhecimento. É preciso agir

Jaqueline Salles: grande desafio dos profissionais da construção civil está relacionado com a comunicação

Na carreira, não basta conhecimento. É preciso agir

Na carreira, não basta conhecimento. É preciso agir 793 619 Cimento Itambé

Jaqueline Salles, especialista em business coach, ensina que tanto o profissional quanto a empresa são bem-sucedidos quando compartilham conhecimento

Por: Altair Santos

Para ter sucesso, além de especializar-se e dominar as técnicas de seu ramo de atividade, o profissional precisa saber entrar em ação. Por mais brilhante que seja, uma das variáveis é ter a percepção de quando colocar em prática as potencialidades. Enfrentar problemas, ter consistência no dia a dia e atuar com decisão perante as demandas são três vértices que acabam definindo os bem-sucedidos. A isso se define como habilidade de entrar em ação, segundo a business coach Jaqueline Salles. Confira a entrevista sobre carreira, desenvolvimento pessoal, resiliência e empreendedorismo.

Jaqueline Salles: grande desafio dos profissionais da construção civil está relacionado com a comunicação

Jaqueline Salles: grande desafio dos profissionais da construção civil está relacionado com a comunicação

Para alcançar o sucesso profissional, além de especializar-se e dominar as técnicas de seu ramo de atividade, o indivíduo precisa saber entrar em ação. Como transformar conhecimento em ação?
Existe o mito de que ação, tanto na vida pessoal quanto profissional, é sinônimo de sacrifício, de pesar e de dureza. Na verdade, estamos agindo o tempo todo. Até dormir é uma ação. Hoje vivemos na era da informação. Um indivíduo desse século recebe mais informações diariamente do que um indivíduo no século XVIII em todo aquele século. Somos bombardeados pelo conhecimento, mas nem todo conhecimento é válido para ser transformado em ação. Recebemos mais do que expomos, e isso gera estresse e irritabilidade. Para transformar conhecimento em ação é preciso prática. A teoria sem prática não serve para nada. Às vezes, instruir um colega de trabalho ou compartilhar uma descoberta nas redes sociais é transformar conhecimento em ação. Vivemos na era do compartilhamento. Somos o que compartilhamos. Compartilhar é colocar o conhecimento em ação.

Por mais brilhante que seja o profissional, se não souber colocar em prática suas potencialidades ele está fadado ao fracasso?
Sucesso e fracasso são palavras relativas. Existem pessoas que pensam ter alcançado o sucesso e são pegas de surpresa por uma demissão, por exemplo. Não observaram seus pontos cegos. Existem pessoas que fazem de seus fracassos belas histórias de superação e vendem muitos livros alcançando o sucesso. Nessa era do conhecimento não existe zona de conforto e estabilidade. Somos confrontados todos os dias e precisamos mostrar conhecimento através de nossas iniciativas e também através de nossa capacidade de terminar o que começamos. Ao mesmo tempo, precisamos estar em conexão com novas áreas. A questão não está só em praticar o que já sabemos, e sim descobrir o que não sabemos. Essa ação nos faz descobrir os pontos cegos e gerar novos insights.

Enfrentar problemas, ter consistência no dia a dia e atuar com decisão perante as demandas são três vértices que acabam definindo os bem-sucedidos?
Os problemas surgem o tempo todo. A questão é como vamos agir diante deles. A grande maioria não tem uma estratégia. Ao reagir, geram ações negativas ou irrelevantes e se envolvem ainda mais no problema, ao invés de resolvê-lo. Quando se tem consciência de onde se quer chegar e se tem estratégia de vida e de carreira, o indivíduo age em relação ao problema e não simplesmente reage. Ação e reação são dois verbos diferentes, assim como são visões que geram resultados de ações diferentes. O primeiro estágio da equação formada por enfrentar problemas, ter consistência no dia a dia e atuar com decisões é: ter uma estratégia de vida e de carreira bem planejada. Saber onde está e onde vai chegar, e estar sempre se perguntando: aonde eu quero que essa ação me leve?

O ambiente que o profissional encontra na empresa é fator decisivo para ele ser pró-ativo?
As empresas em geral estão ainda presas a modelos passados. Penso que isso é fruto também do modelo tradicional de ensino, que modela pessoas a seguirem determinados padrões que foram criados há séculos e já não representam o indivíduo na atualidade. Indico aos profissionais chegarem devagar e mostrarem suas capacidades com equilíbrio e resiliência. Depois que esse profissional gerar autoridade dentro da empresa, mostrando seus resultados mediante modelos de ação que já estão em andamento, aí sim indico uma maior pró-atividade. Os funcionários mais pró-ativos, que não encontram espaço dentro das empresas em que atuam, geralmente encontram no empreendedorismo uma saída criativa para suas inspirações.

No caso de um trainee, é recomendável que ele já chegue transformando seu conhecimento em ação?
O ideal é modelar os princípios da empresa. A ação pode ser também a observação e o estudo de ambiente. Observar e agir mediante ao que nos espera também é uma excelente estratégia. Ouvir mais do que falar, idem. Muitas pessoas desprezam o poder de escutar ativamente, e é na escuta que moram as oportunidades. Principalmente, para quem está começando. Escutar também é agir.

Transformar conhecimento em ação serve também como desenvolvimento pessoal, de que forma?
A vida profissional não se separa da vida profissional nem em limitações nem em resultados. É isso que as empresas precisam começar a perceber: o ser humano funciona como um todo.

Engenheiros são tidos como cartesianos. Quando a senhora atua como coach para essa categoria de profissionais, o que muda no treinamento?
Todos os que buscam coaching querem transformação, independentemente de seus cargos. Transformação é diferente de mudança. Quantos já quiseram mudar de emprego e encontraram um ambiente ainda mais hostil no novo emprego? Isso não tem nada a ver com o cargo que se ocupa, e sim com o ser humano. Engenheiros, assim como médicos, arquitetos e outros profissionais, são seres humanos. O que um coach faz é potencializar os sentimentos, usando-os como combustível para a realização de sonhos pessoais e metas profissionais.

Quando a senhora atende um público ligado à construção civil quais as maiores demandas deste público para atingir o desenvolvimento profissional?
O grande desafio dos profissionais da construção civil está relacionado com a comunicação. Muitos profissionais não conseguem falar a linguagem de todos os envolvidos num projeto: do engenheiro ao pedreiro, passando por quem encomendou a obra. É preciso ter disponibilidade para entrar no mundo do outro, ouvir o que o outro diz e o que ele não diz. Ouvir e decifrar a linguagem dos diversos seres humanos, com diversos níveis de escolaridade, é realmente um grande desafio dentro de um canteiro de obras.

Em relação ao empreendedorismo, o que muda quando o assunto é transformar conhecimento em ação?
Quando trabalhamos em uma empresa somos geridos por alguém. A empresa escolhe onde iremos trabalhar, qual horário, com quem, etc. A liberdade do empreendedor o obriga a se autogerir. Mandar em si, e ser obediente consigo, demanda muito poder pessoal e resiliência. Muitas vezes o empreendedor não consegue colocar em ação o próprio conhecimento porque procrastina e se envolve na sua autogestão de forma incompleta. Ele não obedece a si mesmo. E para compensar isso, se enche de cursos e mais cursos, sem colocar nada em prática. Não são todos que estão preparados para empreender. É preciso ter um senso de autoconhecimento antes de investir no sonho de ser seu próprio patrão. Todos os empreendedores de sucesso dizem que o autoconhecimento foi o grande diferencial na vida deles.

Entrevistada
Jaqueline Salles
, business coach, especialista em mudança de hábito, escritora e palestrante
Contatos:
contato@jaquelinesalles.com.br
www.jaquelinesalles.com.br

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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