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Publicado por: Cimento Itambé em 8 de março de 2010

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Bairro brasileiro vira referência internacional em sustentabilidade

Em Palhoça (SC), está em construção um empreendimento para 30 mil pessoas credenciado por organismos de construção verde dos EUA

Bairro Pedra Branca, em Palhoça (SC): conceito de bairro sustentável vira referência internacional

O Conselho da Construção Verde dos Estados Unidos (USGBC, na sigla em inglês) criou recentemente o programa de desenvolvimento positivo para o clima. O objetivo é acompanhar projetos urbanos que comprovem estar comprometidos com a redução do volume da emissão de CO2. Em todo o planeta, foram escolhidos 16 empreendimentos que servirão de exemplo para comprovar que, com estratégias construtivas, é possível criar áreas ambientalmente sustentáveis. No Brasil, o projeto escolhido é o bairro Pedra Branca, que está em construção no município de Palhoça, em Santa Catarina.

Estruturas do bairro pregam economia de energia, pouca geração de resíduos e mobilidade urbana

A área, com cerca de 1,7 milhão de metros quadrados, deverá abrigar uma população de 30 mil pessoas dentro de 15 anos. A âncora do empreendimento, a universidade Unisul, ganhou um terreno de 150 mil metros quadrados onde construiu seu campus. O conceito urbanístico adotado no Pedra Branca prioriza a caminhabilidade integrada com edificações sustentáveis. O bairro também conta com um sistema de drenagem de águas pluviais. A meta é otimizar a utilização dos recursos naturais e gerar a menor quantidade de resíduos possível.

Sílvia Manfredi: Diretora-geral da Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica

Para a diretora-geral da Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica, Silvia Manfredi, o desafio do bairro Pedra Branca será conseguir coexistir com a infraestrutura da cidade, que não prioriza a sustentabilidade. “O conceito puro de bairro sustentável propõe que ele seja totalmente autossuficiente. Por exemplo, deveria gerar a própria energia consumida, gerar alimento para a população, gerar todos os recursos que ele consome ali. O ideal, neste bairro, seria que as pessoas morassem e trabalhassem lá e que tudo o que se consumisse fosse produzido nele. Mas na prática não é isso que ocorre”, diz.

No entanto, ela elogia o projeto. “No Brasil são raras ideias como essa e quando elas surgem devem ser valorizadas. Se, na prática, o Pedra Branca conseguir tornar-se 50% sustentável já será um avanço”, afirma. O bairro em Palhoça prega que as construções utilizem materiais renováveis ou de menor impacto ambiental, com proficiência energética em termos de economia de energia elétrica e economia de água. A ANAB acompanha um desses empreendimentos. Trata-se de uma construção comercial que busca a certificação LEED.

Silvia Manfredi lembra que na China e no Japão já existem cidades sustentáveis. “Lá, além das premissas de sustentabilidade, existe a preocupação com a mobilidade urbana. O transporte público e meios alternativos, como a bicicleta, são priorizados. O carro tem pouco espaço naquelas cidades”, conta. No programa da USGBC, no entanto, os projetos que serão acompanhados, além do de Palhoça, estão em Melbourne, Austrália; Toronto, Canadá; Victoria, Canadá; Ahmedabad, Índia; Jaipur, Índia; área externa da Cidade do Panamá, Panamá; Pretória, África do Sul; Joanesburgo, África do Sul; Seul, Coreia do Sul; Estocolmo, Suécia; Londres, Reino Unido; São Francisco, EUA; e Destiny, Florida, EUA.

 

Texto complementar

Cidades cada vez mais poluidoras

No ano passado, pela primeira vez, metade da população do mundo (3,2 bilhões de pessoas) morava em cidades – esse número deve crescer para 70% até 2050. As cidades ocupam apenas 2% da massa de terra do planeta e já são responsáveis por mais de dois terços do uso da energia e das emissões de gases causadores do efeito estufa no mundo. O rápido crescimento urbano e as mudanças climáticas estão colocando as cidades do planeta numa situação difícil, com crescentes custos de infraestrutura, energia, serviços de saúde e assistência social que ganharão maior vulto com a pressão da adaptação climática. A maneira como as cidades mudam e crescem é, portanto, um componente essencial para lidar com a crise do clima.

 

Entrevistada:
Sílvia Manfredi, diretora-geral da ANAB, arquiteta e Urbanista formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie em 1997 e especialista em Gestão Ambiental pelo Senac em 2004.
Pesquisa, desde 2002, o tema da sustentabilidade na Construção Civil e saúde nas habitações.
Email: lubra@ig.com.br

ANAB – Associação Nacional de Arquitetura Bioecológica
Site: http://www.anabbrasil.org/index.asp

Site: www.cidadepedrabranca.com.brMeta-tags

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Publicado por: Cimento Itambé em 8 de março de 2010

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Métodos de ensaios não destrutivos para estruturas de concreto

Métodos não destrutivos contribuem para evitar danos à estrutura

Créditos: Engª. Giovana Medeiros – Assessora Técnico Comercial Itambé

Comumente, a inspeção e o diagnóstico do desempenho de estruturas de concreto armado estão relacionados com ensaios de resistência à compressão em testemunhos extraídos da própria estrutura, ou seja, ensaios destrutivos que danificam ou comprometem seu desempenho.

A utilização de ensaios não destrutivos passa a ser uma alternativa mais atraente, uma vez que os métodos se modernizaram, aumentando a precisão de análise. As vantagens dos ensaios não destrutivos são: proporcionar pouco ou nenhum dano à estrutura, serem aplicados com a estrutura em uso e permitir que problemas possam ser detectados em estágio ainda inicial.

Na construção civil, as aplicações destes ensaios são para verificar as resistências à compressão, localizar e detectar corrosão em armaduras do concreto armado e encontrar defeitos localizados como rachaduras e vazios, dentre outros. Frequentemente assistimos a quedas de marquises, viadutos e outras obras. Desta forma, a manutenção preventiva das estruturas é imprescindível, muito mais eficiente, com baixos custos e permite maior vida útil.

De maneira geral, existem duas classes de métodos de ensaios não destrutivos para aplicação  em estruturas de concreto. A primeira consiste em métodos utilizados para estimar a resistência do material, tais como ensaio de dureza superficial (esclerometria), resistência à penetração e método da maturidade. A segunda classe inclui métodos que medem outras características e defeitos internos do concreto, por meio de propagação de ondas e termografia infravermelha. Além destes métodos, existem ainda outros que fornecem informações sobre armaduras para localizar barras, especificar seu diâmetro e o potencial da corrosão.

Métodos de ensaios não destrutivos

Os métodos esclerométricos, segundo a NBR 7584/1995, fornecem informações sobre a dureza superficial do concreto e devem ser empregados principalmente em circunstâncias onde haja averiguação da uniformidade da dureza superficial do concreto, comparação de concretos com um referencial e estimativa da resistência à compressão do concreto. Neste método, é muito importante a capacitação do profissional que irá realizar os ensaios, para evitar erros e decisões precipitadas.

O método de resistência à penetração utiliza um penetrômetro Windsor, que por sua vez dispara um pino contra o concreto. O comprimento do pino que fica exposto é uma medida da resistência à penetração do concreto. Esta medida pode ser relacionada com sua resistência à compressão.

O método da maturidade permite uma estimativa da resistência do concreto, a partir do seu histórico de tempo e temperatura. Sendo assim, é possível realizar o cálculo do tempo necessário para que elementos estruturais sejam desmoldados após atingirem uma resistência suficiente às cargas decorrentes do andamento da obra.

O método do ultrassom, segundo a NBR 8802/1994, determina a velocidade de propagação de ondas longitudinais, obtidas por pulsos ultrassônicos, através de um componente de concreto. As principais aplicações deste método são: verificar a homogeneidade do concreto; detectar eventuais falhas internas de concretagem, profundidade de fissuras e outras imperfeições; e monitorar variações no concreto, ao longo do tempo, decorrentes de agressividade do meio.

A termografia infravermelha constitui na percepção da temperatura superficial de um corpo pelo mecanismo de transferência de calor (radiação), sendo possível detectar, com precisão, grandes defeitos e delaminações no interior de estruturas de concreto.

Com o crescimento considerável da construção civil, novos materiais foram desenvolvidos e as propriedades do concreto foram aprimoradas. Tecnologias mais avançadas por técnicas não-destrutivas não têm sido utilizadas com a eficiência e frequência no campo do concreto. E a carência de normalização nacional, que reflete no cenário tecnológico, faz com que a aplicação de ensaios não-destrutivos na indústria da construção civil se torne cada vez menos frequente.

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Publicado por: Cimento Itambé em 8 de março de 2010

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A importância da racionalização construtiva

Conjunto de boas práticas na construção garante aumento da produtividade, além de reduzir custos e tempo

Diminuir custos e prazos e ainda manter a qualidade. Este é o objetivo de quem adota a racionalização construtiva. Muitas construtoras já descobriram que, quando bem empregadas, as metodologias da racionalização ajudam a reduzir os problemas construtivos e ainda permitem ganhos de produtividade e qualidade.

Alberto Casado – engenheiro civil

A construção tradicional está, cada vez mais, perdendo espaço nos canteiros de obras por não atender à demanda do mercado. Para o engenheiro civil Alberto Casado, professor da Escola Politécnica de Pernambuco e coordenador do POLITECH - Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Gestão da Construção de Edifícios, “a racionalização construtiva deixou de ser uma estratégia competitiva e tornou-se uma necessidade para a própria sobrevivência da empresa”.

O que é racionalização?

Por definição, Casado explica que a racionalização trata da melhor utilização dos recursos existentes em todas as etapas da obra. “Isso significa que os recursos devem ser utilizados em sua total capacidade” reforça. Segundo o engenheiro, é preciso considerar como recursos a mão de obra, os materiais, as ferramentas, a energia, os meios de transporte, entre tantos outros.

A utilização racionalizada de todos os recursos envolvidos é possível através da mudança organizacional dos processos tradicionais de construção e da adequação tecnológica. Todo e qualquer tipo de desperdício deve ser combatido, sendo que a utilização de recursos além do necessário à produção também deve ser caracterizada como um desperdício.

O importante, de acordo com Casado, é que a racionalização seja contemplada desde a fase de projeto. “A inexistência de um projeto específico, que vise à racionalização, certamente vai gerar desperdícios, falhas de execução, retrabalho, gerando mais custos e prolongando os prazos de entrega” avalia.

Algumas vezes, a racionalização é minimizada a ações de pequeno impacto e extensão. Em alguns casos são feitas melhorias pontuais e individualizadas na obra, como a mudança de uma ferramenta ou técnica. Essas ações, no entanto, não atingem resultados tão significativos quanto uma ampla aplicação da racionalização construtiva poderia alcançar.

“A filosofia da racionalização construtiva serve para todo tipo de obra, independente do porte. Porém, as medidas e estratégias que serão adotadas visando à racionalização dependerão das características e particularidades de cada uma” orienta o engenheiro do POLITECH.

Características da racionalização construtiva:

- Otimização do processo produtivo;
- Racionalização do uso de recursos humanos;
- Racionalização de materiais;
- Racionalização do tempo;
- Padronização de projetos;
- Mecanização e uso de novas tecnologias;
- Projeto elaborado de acordo com a necessidade do empreendimento.

Para o sucesso da racionalização é necessária uma mudança de cultura no ambiente construtivo. Para isso, é fundamental contar com o engajamento de uma equipe multidisciplinar.  “Essa é uma tarefa que exige o envolvimento de todos os participantes da cadeia construtiva” confirma Casado.

Além da capacitação e comprometimento de todos os envolvidos, é necessária uma gestão global do processo de racionalização. Profissionais que atuem antecipando ações, planejando riscos, mensurando recursos humanos, insumos e maquinário, podem contribuir para alcançar os resultados almejados. “Consultorias, parcerias e convênios com universidades e institutos de pesquisa têm dado bons resultados a algumas construtoras” sugere Alberto Casado.

Industrialização na construção civil

Não tem como falar de racionalização sem considerar os benefícios da industrialização na agilidade e simplificação dos processos construtivos. “A industrialização está em um nível superior ao da racionalização, pois contempla também a mecanização” resume o engenheiro.
A racionalização, no entanto, ainda é considerada uma alternativa mais próxima à realidade da construção civil do que a industrialização, seja pela dificuldade de promover a mecanização maciça no canteiro de obras ou pela falta de recursos financeiros.

E-mail de contato: Alberto Casadoacasado@poli.br

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Publicado por: Massa Cinzenta em 8 de março de 2010

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Ponte Rio-Niterói completou 36 anos

Dia 04 de março a Ponte Presidente Costa e Silva comemorou mais um ano de vida 

Créditos: Vanda Pereira Cúneo – Assistente de Marketing 

36 Anos, o então presidente Médici percorria a Ponte Rio-Niterói a bordo de um Rolls Royce presidencial, na inauguração do que hoje é considerada a sétima maior ponte do mundo e um cartão postal do Rio de Janeiro. 

Além de marcar a fusão do antigo Estado do Rio com o Estado da Guanabara, a inauguração da ponte, no dia 4 de março de 1974, transformou o caminho daqueles que faziam a travessia de seus carros em balsas, da capital para os municípios não só da região metropolitana, mas do norte e noroeste do estado. 

Quem pode imaginar que, em 1970, para fazer a travessia da Baía de Guanabara, que hoje é feita em 15 minutos, era preciso esperar duas horas em uma fila para poder embarcar o veículo e depois mais uma hora para chegar? 

Construção ponte Rio-Niterói

Haroldo Cruz Júnior, que vivenciou as obras naquela época, contou que, durante a construção da ponte, muitos ainda duvidavam que ela seria concluída. “Era uma obra ousada para a época e perigosa”, disse. 

Para ele, atualmente é tão comum atravessá-la, que quem não viveu aquele tempo e as dificuldades para ir para Niterói, não consegue assimilar a importância de uma obra tão grande. 

“Se hoje já achamos cansativa a viagem, imagine naquela época? Os veículos de passeio não eram tão confortáveis, as estradas eram piores e a assistência de um socorro era praticamente inexistente”, lembrou Haroldo. 

A obra para a construção da ponte, que tem uma extensão de 13,29 km (8,83 deles sobre a água) e 72 m de altura em seu ponto mais alto, custou na época 400 milhões de dólares, o que hoje seria 2.5 bilhões de dólares. 

Cerca de dez mil operários e 200 engenheiros trabalharam no empreendimento, que durou cinco anos e três meses para a conclusão. Hoje, cerca de 145 mil veículos passam pela Ponte todos os dias. E, nos feriados, este volume chega a até 160 mil. 

Graças às melhorias que vem recebendo ao longo dos últimos anos, com a modernização da via, sistemas de controle de tráfego de última geração e revitalização com programas de conservação e manutenção que são referência no Brasil e no exterior, a ponte passou a ser considerada uma das rodovias mais modernas e seguras do país. 

Ponte Rio-Niterói

Curiosidades 

O vão central da ponte, com 72 metros de altura, é a única parte que não foi feita só de concreto. Com 800 metros de comprimento, ele foi construído também em aço e é o maior vão em viga reta do mundo. 

Para imaginar a quantidade de material usado, se pegássemos todo o concreto da Ponte, daria para fazer oito estádios do Maracanã. E, se as vigas de ferro fossem alinhadas, dariam a volta na Terra. 

A estrutura de concreto e aço da ponte possui um sistema de amortecimento que absorve a energia decorrente de vibrações (movimentos de carros e ventos). A ponte tem ainda 11 sub-estações de energia, 42 transformadores, 980 pontos de iluminação pública e 400 pontos de sinalização náutica e aérea. 

Fonte: SRZD 

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Publicado por: Cimento Itambé em 8 de março de 2010

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Megaobra encurta distâncias no Sul

Alta tecnologia em concreto está presente nos túneis da BR-101, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul

Túnel sob o Morro Alto, em Maquine (RS)

Considerada a obra rodoviária mais importante do país no momento, a duplicação da BR-101 Sul está finalizando a etapa de construção dos túneis sob o Morro Alto, na divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Com extensão de 1.662 metros cada um, eles evitaram o desmatamento de 14 quilômetros quadrados de uma área ambiental localizada na região de Maquiné (RS). Além disso, os túneis reduziram em 11 quilômetros o percurso de 99 quilômetros entre Osório, no litoral norte gaúcho, e Palhoça, do lado catarinense.
 

Sob a responsabilidade da empreiteira Queiroz Galvão, a construção contou com a assessoria da ABCP Sul (Associação Brasileira de Cimento Portland). Entre outubro e dezembro do ano passado foi executada a pavimentação dos túneis numa extensão de 3.560 metros e volume de 10.370 metros cúbicos de concreto. No momento, a executora está realizando trabalhos complementares, como barreiras de segurança e acabamentos de pista. O cronograma prevê a liberação da obra ainda neste semestre. Os túneis têm 15 metros de largura cada um, com 12 metros de pista.

Fernando Druck: ABCP cedeu equipamentos sob regime de comodato

A ABCP apoiou a executora da obra cedendo, sob a forma de comodato, equipamentos como pavimentadora de fôrma deslizante, usina de concreto e texturizadora, além de treinar a equipe de trabalho (engenheiros e operários) e acompanhar a execução das placas de concreto. Segundo o engenheiro Fernando Druck, representante regional da ABCP-RS, o projeto de dimensionamento do pavimento de concreto determinou a construção de uma camada de concreto compactado com rolo (CCR) de 11 centímetros e placas de concreto com 24 centímetros de espessura, capaz de suportar alto tráfego de veículo por 20 anos sem necessidade de manutenção.

O concreto utilizado é do tipo convencional. O material foi projetado para suportar resistências à tração na flexão de 4,5 MPa. Além disso, foram utilizados aditivos específicos para essa aplicação do concreto, com a inclusão de fibras de polipropileno – indicadas para evitar fissuramento por retração de secagem. “Trata-se de uma pavimentação de alta tecnologia. A utilização da pavimentadora de fôrmas deslizantes no túnel, inclusive com a concretagem de placas de pequena largura, mostrou-se eficaz e muito econômica em termos de prazo de conclusão e principalmente de acabamento final da pista”, explica Fernando Druck.

Concreto usado na pista dentro dos túneis é capaz de suportar 20 anos de alto tráfego sem receber manutenção

Diferente do material usado no pavimento, as paredes dos túneis receberam concreto fluído, desenvolvido para esse uso e aplicado com equipamentos de projeção, similares a um canhão de água. A função foi formar uma barreira de contenção das rochas do túnel e evitar a passagem de água. Toda a obra levou em conta um plano de gerenciamento ambiental. Com a opção pela construção de túneis sob o Morro Alto preservou-se as áreas de várzea e o ecossistema complexo da região, protegido por lei e considerado de preservação da Mata Atlântica.

 

 

 

Email do entrevistado
Fernando Druck, representante regional da ABCP-RS: fernando.druck@abcp.org.br
Nathalie Bandeira de Mello (assessoria de imprensa): nathalie@primecomunicacao.com.br

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Publicado por: Massa Cinzenta em 2 de março de 2010

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Green Buildings, antes tarde do que nunca!

* Marcos Casado

A onda de prédios verdes “Green buildings”, chegou definitivamente no país. Conforme dados do Green Building Council Brasil, o número de empreendimentos registrados junto ao USGBC para obterem a certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) cresce exponencialmente e o movimento da construção sustentável já faz parte da agenda mundial e felizmente não há mais como desprezar esse movimento. Ou as empresas do mercado se atualizam ou vão ficar obsoletas em um futuro próximo.

Hoje no país há 166 empreendimentos registrados (veja o gráfico anexo) em vários estados brasileiros buscando a certificação de desempenho ambiental para seus empreendimentos, com uma previsão de ultrapassar 300 empreendimentos no final do ano no Brasil, destes 14 empreendimentos já foram certificados no Brasil com um crescimento de 250% no último ano. E até 2010, a meta mundial é que 100 mil construções estejam em processo de certificação LEED.

Para receber a certificação, o empreendimento deve atender pré-requisitos e recomendações que avaliam o tipo de terreno, a localização, a infra-estrutura local, o uso racional de água, eficiência energética, qualidade do ar interno, reciclagem e diversas outras medidas que garantam eficiência operacional ao usuário e preservação do meio ambiente, antes, durante e após a obra. Todos estes critérios começam a impulsionar e a transformar o mercado da construção civil e têm se tornado uma importante ferramenta educacional e de comunicação com o consumidor, além de criar parâmetros de qualidade para o mercado.

A sociedade está chegando à conclusão de que, embora tenha trazido o maior desenvolvimento tecnológico que a humanidade já experimentou, o século 20 também registrou a gênese daquele que vem sendo considerado o maior desastre ecológico do planeta. Quando acompanhamos os índices de poluição do ar, água ou solo, o consumo de recursos naturais e a capacidade do planeta de repor estas necessidades, temos realmente que nos preocupar.

O novo contexto global exige, cada vez mais, por parte das empresas, governantes e sociedade a capacidade de levar em consideração fatores sociais, ambientais e econômicos de uma forma equilibrada em suas tomadas de decisões.
Portanto, o desafio mundial para este século é conciliar o desenvolvimento tecnológico com a preservação dos recursos naturais, garantindo a aplicação de práticas sustentáveis por parte dos atores deste processo.

Os impactos que o mercado da construção civil deixa ao planeta são imensos. O setor é responsável por até 35% das emissões de CO2 diretas ou indiretas em todo o mundo; as edificações no Brasil consomem cerca de 21% de toda a água tratada, 42% da energia gerada e geram cerca de 70% dos resíduos.

A construção civil começa a demonstrar que está se adequando cada vez mais aos conceitos de sustentabilidade que estão sendo impostos em todos os setores da economia e que a cada dia passam a ser uma exigência da sociedade, principalmente da nova geração. Os mais jovens estão começando a exigir de seus fornecedores uma postura mais correta em relação ao meio ambiente, desenvolvendo um dos maiores desafios corporativos deste milênio: o consumo consciente.

Consultores, grandes construtoras de imóveis, empreendedores e incorporadores tanto comerciais quanto residenciais, fornecedores de materiais, insumos e tecnologias, estão aos poucos, desenvolvendo expertise nessa área, em um movimento que ganhou força nos últimos cinco anos e que hoje já começa a criar uma nova demanda no mercado da construção civil no Brasil.

Além da certificação, que com certeza tem um peso importante nesta transformação mas por si só não será capaz de resolver todos os problemas, é muito importante o desenvolvimento de iniciativas educacionais para disseminar informações sobre as melhores práticas e tecnologias sustentáveis, a fim de capacitar os envolvidos na concepção, construção, operação e manutenção das edificações e espaços construídos. Toda essa nova visão começa a demandar a cada dia mais especialistas em áreas como, por exemplo, de comissionamento de sistemas de energia, profissionais especialistas em softwares de simulação energética e profissionais capacitados em consultoria para green buildings que no caso do LEED são os LEED AP´s, que também vem crescendo ano a ano no Brasil, porem os 62 profissionais LEED-AP´s no Brasil (veja gráfico anexo) ainda são poucos, devido a demanda que o setor hoje esta exigindo.

Além disso, é imprescindível o engajamento do governo neste processo de transformação, por meio de incentivos, bons exemplos e políticas públicas focadas no desenvolvimento da construção sustentável. O governo seja ele federal, estadual ou municipal é detentor de uma grande percentual das edificações construídas e também responsável por uma importante parcela das novas construções, podendo além de praticar estes conceitos em suas construções, impulsionar o mercado para esta transformação, por meio de exemplos ou na criação de legislações que viabilizem e estimulam as novas construções ou reformas, atendendo esta nova realidade.

Um empreendimento sustentável pode reduzir em 30% o consumo de energia, 50% o consumo de água, 35% das emissões de CO2 e até 70% o descarte de resíduos. Se os clientes finais também mudarem sua postura e passarem a exigir das construtoras uma posição mais sustentável, certamente veremos um movimento muito maior do mercado nesta direção. O futuro da construção civil já tem um caminho traçado e a sustentabilidade não será apenas um modismo. As boas práticas do mercado devem ser disseminadas, assim como o maior número de informações possíveis sobre as soluções implantadas, experiências de sucesso e iniciativas em prol da sustentabilidade.

A construção sustentável veio para ficar, talvez um pouco tarde, mas com o engajamento de toda a sociedade, revendo nossas ações e atitudes, certamente alavancará a formação de uma nova cultura baseada na visão sistêmica preconizada pela sustentabilidade. 
 
*Eng. Marcos Casado é o Gerente Técnico do Green Building Council Brasil.

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Publicado por: Cimento Itambé em 24 de fevereiro de 2010

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Calçadas e Acessibilidade

Caminhar com segurança e conforto é um direito de todo cidadão

Créditos: Engª. Giovana Medeiros – Assessora Técnico Comercial Itambé 

No dia 27 de março de 2007, foi publicado no informativo Massa Cinzenta da Itambé, um artigo sob o tema Segurança das Calçadas, onde foi citado que cerca de 30% das pessoas tem como seu meio de transporte exclusivo a caminhada. Sendo assim, as calçadas mostram ser de grande importância no dia- a- dia da população, porém não é difícil encontrá-las em condições precárias. O artigo também relata que, segundo a Legislação Municipal da grande maioria das cidades brasileiras, o responsável pela construção e manutenção das calçadas é o proprietário nos trechos em frente ao seu imóvel, cujo material para a pavimentação tem padrões definidos de acordo com os logradouros existentes na cidade.

Figura 1 – Av. Sete de Setembro (Curitiba – PR)

Quase 3 anos se passaram, e infelizmente continuamos a presenciar não só calçadas em péssimas condições, mas também sua falta de acessibilidade. Sabemos que todo cidadão tem o direito de ir e vir, ou melhor, qualquer pessoa, livre ou não de necessidades especiais deve ter acesso fácil para sair e chegar ao seu destino.

A liberdade que possibilitaria a todos caminhar pelos passeios, seria não deparar com desníveis, buracos, rampas fora dos padrões, lixeiras, pontos de ônibus, cabines telefônicas e outros. As calçadas inadequadas e os locais inacessíveis inibem a circulação das pessoas, principalmente daquelas com dificuldade de locomoção. Nossos passeios deveriam facilitar a circulação dos pedestres e proporcionar pouca ou nenhuma dificuldade para pessoas com necessidades especiais de chegar ao destino desejado.

Por isso, é de grande importância que as calçadas tenham superfície regular, contínua, firme e antiderrapante, executados sem mudanças abruptas de nível ou inclinações que dificultem a circulação dos pedestres. Não podem existir degraus, muito menos rampas para veículos na faixa da calçada, porque atrapalham a passagem de pessoas, principalmente aquelas com dificuldades de locomoção.

Outro fator importante é a rampa de acesso, indicada na Figura 1, que deve existir em todas as travessias, sobretudo para o acesso de pessoas com cadeiras de rodas e para o conforto de pedestres que empurram carrinho de bebê ou mala de rodas. Também é necessária a locação de forma adequada do mobiliário urbano, tais como: árvores, postes, cabines telefônicas e outros, necessários para não dificultar o trajeto do pedestre. Por fim, o piso táctil também conhecido como sinalização podotática, indicado na Figura 1, que conduz, alerta e identifica obstáculo para a locomoção segura dos deficientes visuais.

                   
Devido a todas as dificuldades citadas sobre a locomoção nos passeios e a falta de acessibilidade, a solução é a conscientização, isto é, cada um fazer seu papel. Tanto a iniciativa privada como os órgãos públicos devem ser responsáveis pelas suas próprias calçadas, sempre seguindo um projeto de acessibilidade, para proporcionar a todos não só uma qualidade de vida melhor, mas também deixar a cidade muito mais bonita e com um acesso seguro aos espaços urbanos para toda população.

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Publicado por: Cimento Itambé em 24 de fevereiro de 2010

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Arquitetura sustentável requer estratégia

Uma obra que mereça o rótulo de sustentável precisa ter projeto, materiais e mão de obra compromissados com o meio ambiente

Professor Eloy F. Casagrande Jr.

Muito se fala em arquitetura sustentável. Mas quais são os processos que devem ser seguidos para que uma obra possa dizer que segue o conceito de arquitetura sustentável? Professor da área de Inovação Tecnológica e Sustentabilidade e coordenador do escritório verde da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Eloy Fassi Casagrande Júnior revela que muitos setores da cadeia produtiva da construção civil se apropriaram de termos ecológicos e sustentáveis, porém sem praticá-los.

Segundo ele, obras com padrões de sustentabilidade precisam atender requisitos que vão desde o projeto, até a escolha dos materiais e a contratação da mão de obra. Fora isso, alerta o especialista, a arquitetura sustentável não se sustenta. É o que ele explica na entrevista a seguir. Confira:
 
O senhor não acha que o marketing se apropriou do termo “arquitetura sustentável” e muitas vezes se vende uma edificação como sendo sustentável e ela não segue nem 10% dos conceitos de sustentabilidade em seu processo construtivo? 
Acho que você tocou num ponto certo. O que estamos vendo nos últimos cinco anos é exatamente isso. Como o meio ambiente se tornou um argumento de venda no setor da construção civil, ele se apropriou desta questão, da palavra eco, da palavra sustentável. Todo o mundo agora é ecológico, todo o mundo agora é sustentável. Mas quem comprova isso? O que está faltando realmente são sistemas que garantam que aquilo que é anunciado por uma construtora ou por um profissional realmente cumpre com as normas de sustentabilidade. Então, o que vemos é uma gama enorme de anúncios de construções deste padrão, feitas, muitas vezes, por profissionais que não têm formação adequada. Quem quer buscar este conceito de construção tem que se aprofundar, às vezes até de forma empírica, ou buscar conhecimentos numa especialização, num mestrado ou num doutorado. Em certos casos, há até má fé no anúncio deste tipo para um público leigo.

 

Modelo de casa sustentável: equilíbrio em entre concreto, madeira e área verde

Quais os princípios básicos que devem ser seguidos para que uma obra possa dizer que segue o conceito de arquitetura sustentável?

 A gente sempre diz que uma obra é 70% planejamento e 30% execução. Então, se você, desde o início, atentar para elementos que sejam do critério de sustentabilidade na elaboração do projeto, você já está ganhando pontos nisso. A primeira situação é ver o terreno em que será construída a obra, respeitando as condições físicas, geográficas do local, não fazendo muitas movimentações de terra, não desmatando, preservando o máximo possível. É preciso verificar também se há alguma fonte de água, a qual precisa ser respeitada. Depois, têm as questões do mapa climático, para adequar as condições de conforto térmico da casa. A obra precisa ser mais quente ou tem de ser mais fresca? Para isso existem as linhas, os critérios muito bem definidos dentro daquilo que se chama arquitetura bioclimática. A outra situação é a questão dos materiais. É preciso fazer um check list sobre o impacto que os materiais irão causar.

Hoje existe uma ciência que se chama análise do ciclo de vida, que permite saber do berço ao túmulo sobre aquele material, desde a extração até o destino final. Nesta sequência, dá para estabelecer se o material é mais ou menos ecológico, do ponto de vista de uso de energia, de emissão de carbono, do uso de água na sua fabricação.

Outra questão é a quantidade de resíduos produzidos na obra. A gestão de resíduos é importantíssima na construção civil. Nós temos uma lei do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) – a resolução CONAMA N.° 307 de 5 de julho de 2002 -, que reza que todo o município tem que estabelecer uma gestão dos resíduos. Hoje se produz muito mais resíduos na construção civil do que resíduos domésticos. E estes entulhos, às vezes, não têm local apropriado para o seu destino final e acabam aí indo parar em vales, rios, áreas abandonadas e isso causa um problema ambiental seriíssimo.

Por fim, outro ponto de vista da questão sustentável é a questão social. Você tem que ver as condições do trabalhador, a questão de segurança, a questão de mão de obra especializada. É preciso ter maior atenção no uso de determinados materiais e no uso de determinadas tecnologias na construção sustentável. Os profissionais que operarem nesta obra precisam ser certificados.

Há uma prática comum de padronização das construções. Se constroi da mesma forma em Manaus, Salvador e Porto Alegre. Uma construção sustentável precisa respeitar o meio ambiente local?
Com certeza, este é um dos grandes problemas do Brasil. Convencionou-se um padrão de construção, sem levar em conta as questões climáticas. Na Amazônia, por exemplo, deveriam prevalecer as construções com madeira certificada. Mas é na região Sul, onde é mais frio, com temperaturas que chegam abaixo de zero, que há mais casas de madeira. E essas são casas que não tem a mínima condição de manter um conforto térmico para as pessoas. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, onde as construções obrigam que o ar-condicionado fique ligado 24 horas. Imagine o impacto que isso causa na produção de energia. Tudo isso é reflexo de construções inadequadas para o ambiente onde elas foram construídas.

Existem normas da ABNT que servem para orientar uma construção de acordo com a arquitetura sustentável? 
Não existem normas específicas para a construção sustentável, mas existem algumas normas que servem de base para que uma construção siga o conceito de sustentabilidade.

Tecnologias locais devem ser levadas em conta na arquitetura sustentável? 
Com certeza. Nós perdemos muito das tradições construtivas que havíamos herdado de um conhecimento tácito, empírico, de nossos ancestrais, de nossos avós e bisavós, que foi se perdendo ao longo do tempo. Abandonamos, em nome da tecnologia, da inovação, soluções que estavam mais ao alcance da população. Em troca, importamos know-how caros, que requerem uso intenso de energia e, às vezes, inapropriados para aquele ambiente. Isso gerou construções menos humanas e mais agressivas esteticamente. Muitas vezes, elas são impostas por modelos construtivos que desrespeitam a cultura local e o padrão de construção local. Em lugares históricos às vezes vemos aberrações da arquitetura que ofendem a própria cultura. Acho que tem que ter um pouco de atenção a isso, não deixando o lado da modernidade, da inovação, mas respeitando as culturas e as tradições locais.

Em relação ao bahareques, da Colômbia: como são essas construções? 
O bahareques não é nada mais que a nossa construção de pau a pique, a famosa construção de estrutura de madeira de bambu com argamassa. E esta argamassa pode ser o barro ou um cimento de baixa emissão. O bahareques é uma construção rápida, de menor ameaça em casos de sismos. Na Colômbia existe um manual para construção de bahareques em áreas de sismo, que foi inclusive executado na Armênia após o terremoto de 1999. E não só lá. Antigamente, no próprio Japão, usavam estrutura de bambu em áreas de sismo. Em outros países desenvolveram outras tecnologias também, mas o importante é voltar àquela questão: saber o que os nossos antepassados usavam. Trata-se de um conhecimento que estamos passando por cima, em nome da modernidade da construção.

Eventos como os que ocorreram em Angra dos Reis e no Haiti podem servir para reorientar os processos construtivos, levando a uma arquitetura sustentável menos marqueteira e mais conectada com a realidade?
Eu acho que infelizmente são estes tipos de situações que nos levam a repensar todo o sistema. Foi preciso que acontecesse isso na Colômbia para que houvesse uma mudança de área de construção e uma recuperação do conhecimento do bahareque, melhorado pela engenharia das universidades. Talvez agora no Haiti ou na Itália, onde aconteceu a mesma coisa no ano passado, se repense como vão reconstruir os edifícios. Tratam-se de áreas sujeitas a terremotos e é preciso repensar a construção neste sentido para garantir a segurança das pessoas.

A busca pelo menor custo não atrapalha a sustentabilidade das construções?
Isso varia muito em relação a custo. A sustentabilidade pode estar de acordo com o orçamento de cada um. Você pode executar com alta tecnologia, dentro do conceito sustentável, e gastar um milhão ou gastar cem mil e também executar uma construção sustentável. Hoje há uma oferta muito maior de materiais e de tecnologia, inclusive a reutilização de materiais. Um exemplo é a casa onde eu moro, em Curitiba, construída há 10 anos. Ela privilegiou a reutilização de materiais e foi construída com 80% de material de demolição. Além disso, ela dispõe de aquecimento solar da água e coleta de água da chuva. A construção também atendeu aos princípios de arquitetura bioclimática, como ventilação cruzada, iluminação natural, telhado de vidro, clarabóia e área de jardim de inverno. Nem por isso ela ficou mais cara que uma casa convencional. Aliás, ficou 30% mais barata que uma construção convencional.

Os novos profissionais que as escolas estão formando têm essa consciência de sustentabilidade mais arraigada? 
Eu acho que a geração que está vindo aí já tem muita informação sobre os problemas ambientais. O que falta, muitas vezes, é o currículo escolar se adaptar a esta nova realidade. O currículo de uma universidade, por exemplo, é muito lento para se adaptar a esta transformação. Apesar das pessoas estarem informadas, há resistência nas mudanças, um pouco por causa da burocracia. É preciso uma agilidade maior nas mudanças, nas grades curriculares, na mentalidade daquele que ensina, para que se atualize com as novas necessidades em relação ao ambiente.

Entrevistado: Eloy F. Casagrande Jr: eloy.casagrande@gmail.com
Currículo do entrevistado
Ph.D em Inovação Tecnológica & Sustentabilidade
Professor do departamento Acadêmico de Construção Civil – DACOC, do programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC, do programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE e da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
Bacharelado em Design, PUC-PR (1983)
Doutor em Eng. de Recursos Minerais e Meio Ambiente, University of Nottingham, UK (1996)
Pós-doutor em Inovação Tecnológica e Sustentabilidade, Instituto Superior Técnico, IST, Lisboa (2007)

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

Publicado por: Cimento Itambé em 24 de fevereiro de 2010

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Industrialização dos sistemas construtivos

A escolha do sistema construtivo ideal permite executar projetos mais ágeis, econômicos, sustentáveis e com qualidade

Os dados revelam que a construção civil está a todo vapor no Brasil. Um exemplo disso é que o brasileiro nunca financiou tanto imóvel como em 2009. No ano passado, 302,7 mil unidades foram financiadas com os depósitos da caderneta, em um total de R$ 34 bilhões. E a expectativa é que esse recorde seja ultrapassado em 2010.

Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP

Diversos fatores como a estabilização econômica, a redução de juros, a ampliação de crédito, entre outros alteraram a dinâmica do mercado imobiliário. De acordo com Valter Frigieri Júnior, gerente de Desenvolvimento de Mercado da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), se antes o fluxo de caixa das construtoras não permitia a realização de obras mais rápidas, atualmente, as empresas dependem de um sistema ágil para atender a demanda.

Além disso, ele ressalta que a abertura de capital das construtoras possibilitou que elas expandissem suas áreas de atuação, deixando atuar apenas regionalmente. “Com isso sentiu-se a necessidade de padronizar a construção e o desenvolvimento de produtos, para que as obras pudessem ser realizadas com os mesmos parâmetros em regiões distintas” explica. E para isso os fornecedores também tiveram que se adaptar. Percebeu-se que a produção industrializada, em escala, tornou-se mais do que uma alternativa, tornou-se uma necessidade de mercado. “E não é só isso, a demanda por qualidade também está maior. Os consumidores, inclusive das classes mais baixas, estão mais exigentes” garante.

Soluções em sistemas construtivos

Teoricamente, de acordo com Frigieri, existem três opções de sistemas:
* Sistemas tradicionais não racionalizados.
* Sistemas “tradicionais racionalizados”, ou seja, melhorados com pequenas/médias inovações.
* Sistemas “industrializados”.

Além das estruturas de concreto que, por muito tempo, foram a solução hegemônica das construções no país, a alvenaria estrutural tem se mostrado eficiente em habitações populares, como é o caso do Programa Minha Casa, Minha Vida. Neste tipo de estrutura, a alvenaria tem a finalidade de resistir ao carregamento da edificação, tendo as paredes função resistente, além da função de vedação. As lajes da edificação normalmente são em concreto armado ou protendido, podendo ser moldadas no local ou pré-fabricadas.

Dois outros sistemas, segundo Frigieri, também vêm se fortalecendo: a parede de concreto e os pré-fabricados de concreto. “Esses sistemas estão sendo implantados numa velocidade que chega a ser surpreendente para nós (da ABCP)” afirma.

Ele avalia que não tem um sistema construtivo que vá prevalecer. “Cada sistema deverá ocupar um nicho. O bloco cerâmico, por exemplo, tem dado espaço ao bloco de concreto” diz.

Para o gerente da ABCP, custo, qualidade e velocidade são os pilares que influenciam na decisão do sistema construtivo a ser empregado. Sendo assim, o construtor vai medir a viabilidade de cada sistema de acordo com o que ele quer ou necessita.

Caminhos para a regulamentação de novos sistemas construtivos

O Sinat (Sistema Nacional de Avaliações Técnicas), do PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat), foi criado para avaliar o desempenho de materiais e sistemas construtivos que ainda não possuem normas técnicas prescritivas específicas. Para Frigieri, “o Sinat é um caminho seguro para quem quer desenvolver um sistema inovador, pois estabelece critérios e metodologias de avaliação que validam o sistema antes de ser colocado em prática”. Este sistema funciona como uma espécie de garantia de que o produto ou sistema construtivo atende a requisitos de desempenho pré-determinados.

Sustentabilidade e racionalização

Os sistemas construtivos também contribuem para a sustentabilidade da construção ao minimizarem os desperdícios. “Com a industrialização é possível tornar a obra mais limpa, utilizando a quantidade exata de materiais” exemplifica Frigieri. “Sem falar na durabilidade do concreto, que aumenta o ciclo de vida da obra, sem a necessidade de reparos ou reconstrução em curtos espaços de tempo” complementa.

Um dos obstáculos para a implantação de sistemas construtivos inovadores é justamente a falta de uma cultura de racionalização. “Os profissionais do setor passaram muitos anos sem praticar a racionalização e agora estão tendo que se adaptar rapidamente” analisa.

Em relação aos custos, cada vez mais as construtoras estão adotando sistemas construtivos que minimizem erros e evitem refações. “Afinal tempo e material perdido com retrabalho, refletem em um custo a mais” garante.

Ações da ABCP

A ABCP há alguns anos vem trabalhando com diversos parceiros a fim de promover junto à cadeia da construção os sistemas construtivos à base de cimento/concreto. Em relação à alvenaria estrutural foram qualificadas empresas para a fabricação de blocos de concreto, garantindo a qualidade final do produto. A entidade também promoveu a capacitação de profissionais para a correta aplicação do sistema.

Equipes da ABCP, da Associação Brasileira de Serviços de Concretagem (Abesc) e do Instituto Brasileiro de Tela Soldada (IBTS) desenvolveram ações pioneiras para conhecer mais sobre as edificações feitas com paredes de concreto moldadas in loco.

Entre as diversas iniciativas, as associações lideraram um grupo de construtoras que, em comitiva técnica, visitaram obras em Santiago (Chile) e Bogotá (Colômbia), onde as paredes de concreto são amplamente utilizadas. 

A ABCP também firmou um convênio com a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) visando ao desenvolvimento do uso de elementos pré-fabricados de concreto.

Não perca!
Acompanhe nas próximas edições do Massa Cinzenta mais informações sobre os principais sistemas construtivos à base de cimento/concreto.

E-mail de contato: cristina03@lide.com.br (assessoria de imprensa)

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Publicado por: Cimento Itambé em 24 de fevereiro de 2010

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Setor hoteleiro investe no pré-moldado

Copa do Mundo e Olimpíadas exigem ampliação rápida no número de leitos e sistema construtivo ajuda a cumprir cronograma apertado
 
O setor hoteleiro corre contra o tempo para conseguir atender as demandas que virão por aí em 2014 e 2016, com Copa do Mundo e Olimpíadas. Atualmente, o país dispõe de 1,1 milhão de leitos e, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), vai precisar gerar, nas cidades envolvidas com os eventos, pelo menos mais 100 mil vagas em três anos. A expectativa é de que em 2014 e em 2016 o Brasil receba um fluxo de 500 mil turistas a mais do que o normal nos meses de junho, julho e agosto.

Pré-moldados agilizam obras

Diante da carência de leitos, e do prazo curto para construir novos hotéis, o setor descobriu as estruturas pré-moldadas em concreto para agilizar as obras. Já há empreendimentos na Bahia, em Santa Catarina e no Rio de Janeiro sendo erguidos através deste sistema.

A Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC) tem prestado consultoria e ressalta as vantagens do modelo construtivo:

1) Menores prazos para entrega, unindo maior velocidade à redução dos custos fixos, proporcionando a garantia de retorno financeiro rápido.
2) Maior qualidade, produtividade e redução de desperdícios, limpeza dos canteiros de obras.
3) Agrega sustentabilidade, qualificação de mão de obra e mudanças culturais à construção civil.
4) Maior resistência ao fogo.

Iria Doniak

Segundo a diretora-executiva da ABCIC, Iria Doniak, a opção pelos pré-fabricados de concreto reduz, em média, 50% o tempo de construção, em relação a uma obra convencional. Ela estima que, por isso, não será apenas o setor hoteleiro que irá abraçar este sistema construtivo. “As obras de infraestrutura, assim como os estádios e os demais complexos esportivos devem se beneficiar dos pré-moldados. Sem contar que o sistema vai poder servir também para a construção de pontes, viadutos, aeroportos e outras obras estruturais”, diz.

Especificamente sobre edifícios pré-moldados, o aperfeiçoamento do sistema hoje permite que se ergam empreendimentos com até 40 andares, como já ocorre na Bélgica. No Brasil, o recorde é de 24 andares – o Pátio Dom Luís, em Fortaleza, um composto de shopping e com torres comerciais e residenciais de 20 e 24 pavimentos. Em comum, essas obras estão sendo construídas com pilares moldados “in loco”, lajes alveolares e vigas pré-fabricadas de concreto protendido.

Custo x benefício

Antes de optar pelo sistema de pré-moldados, é preciso uma análise de viabilidade com base no custo x benefício. A avaliação deve levar em consideração localização, tipo de terreno, acessibilidade, distância da fábrica e aspectos de logística. Outro aspecto é o tipo de estrutura pré-fabricada a ser utilizada e a capacidade de carga de equipamentos envolvidos. “Às vezes, um estudo de viabilidade, por determinadas condições do terreno, vãos ou condições arquitetônicas, poderá apontar para uma estrutura mista. Por exemplo, parte da estrutura moldada in loco e parte pré-fabricada ou estrutura pré-fabricada de concreto e cobertura metálica, como é no caso dos estádios”, cita Iria Doniak, lembrando que construções em pré-moldado têm carga tributária mais baixa, o que ajuda a desonerar os empreendimentos.
 
Entrevistada: Iria Doniak, diretora-executiva da ABCIC:  iria@abcic.org.br
Site: www.abcic.org.br

Texto complementar

BNDES cria linha de crédito especial para hotéis

O BNDES lançou no início de 2010 um programa que vai destinar até R$ 1 bilhão à construção, reforma, ampliação e modernização de hotéis. Batizado de BNDES ProCopa Turismo, o incentivo vai preparar a rede hoteleira do país para o aumento de demanda ocasionado pela Copa, induzindo ainda o comprometimento ambiental do setor ao oferecer condições mais favoráveis aos projetos que levem em conta a preocupação com a eficiência energética e a sustentabilidade ambiental.

Os prazos máximos de amortização, inéditos para o setor, poderão chegar a até 12 anos para modernização de unidades existentes e até 18 anos para construção de novas unidades. Poderão ter o benefício de ampliação do prazo de financiamento empreendimentos que obtiverem certificação de eficiência energética e construção sustentável.
 
Caso seja apresentada certificação de eficiência energética, os projetos de reforma, modernização e ampliação poderão ter seu prazo estendido para até 10 anos. No caso de construção de novas unidades, esse prazo poderá chegar a 15 anos.

Já para obter o benefício máximo de prazo (12 e 18 anos, respectivamente) os proponentes devem apresentar certificação de construção sustentável que, além da eficiência energética, agrega outras exigências, como racionalização do uso da água e gestão de resíduos. Nas operações diretas, os juros do programa variam entre 6,9% (micro, pequena e média empresa) e até 8,8% (grande empresa), mais o spread de risco. Para se candidatar aos recursos do programa, os proponentes devem encaminhar seus pedidos até 31/12/2012.

O programa permitirá também a realização de operações diretas a partir de R$ 3 milhões (normalmente, operações de até R$ 10 milhões são realizadas por meio de agentes financeiros). Para grandes empresas, a participação máxima do BNDES será de 80% dos investimentos totais, sendo que para MPMEs este percentual pode atingir 100%.

Fonte: Agência Brasil

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content

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