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Compra para obras requer inteligência competitiva

Gestão, Gestão de Obras 19 de fevereiro de 2015

Método estimula o ganha-ganha e faz entender complexidade da cadeia produtiva, tornando as empresas mais criteriosas na aquisição de materiais

Por: Altair Santos

O objetivo da inteligência competitiva aplicada nas empresas é reorientar o modelo de negócios, as metas e os métodos de compra, tornando-os mais criteriosos e seletivos na aquisição de materiais. O objetivo é estimular o ganha-ganha e fazer entender a complexidade da cadeia produtiva, principalmente se as companhias em questão estão relacionadas com a construção civil. No caso das construtoras, a inteligência competitiva tem sido usada para selecionar fornecedores que agreguem qualidade à obra, ajudem no cumprimento do cronograma e não extrapolem os custos planejados.

Uso da inteligência competitiva no canteiro de obras ajuda a selecionar fornecedores que agreguem qualidade à construção

Por isso, ensina o especialista Paulo Ignácio, “nem sempre o mais barato é o melhor”. O professor da Unicamp na área de engenharia civil e ciências aplicadas, com especialidade em gestão de operações e serviços, recomenda que o setor de compras de uma construtora tenha em mãos sempre o projeto executivo da obra e não o projeto básico. “Um bom planejamento de compra para uma obra começa com o conhecimento do projeto executivo. Caso o planejamento seja feito em cima do projeto básico, as chances de o orçamento dar errado são grandes”, explica.

Pela complexidade dos processos, Paulo Ignácio destacou em sua palestra no web seminário da e-Construmarket que o comprador para uma obra precisa ser mais do que “um tirador de pedidos ou um verificador de preço”. “Hoje, ele tem que dominar cadeias de valores e relacionamentos com fornecedores. A boa compra é aquela que tem o preço adequado ao orçamento da obra, em que o fornecedor promove a entrega na data certa, no local certo e com baixo nível de perdas. Por isso, a relação com o fornecedor precisa ser transparente. Caso se entre em confronto com ele, o ganha-ganha fica mais difícil de ser estabelecido”, resume.

Do material à mão de obra
O professor da Unicamp ressalta ainda que a construção civil tem peculiaridades que precisam ser bem entendidas pelos setores de compra das construtoras. “Trata-se de um setor onde existem oligopólios e monopólios. Há muitas marcas, mas, na maioria das vezes, o fabricante é o mesmo. Isso exige inteligência competitiva para entender a complexidade desta cadeia. Um exemplo: uma obra em Belo Horizonte compra cerâmica de um fornecedor do Rio Grande do Sul. Para concretizar o negócio, o comprador precisa avaliar logística, volume da compra, capacidade de armazenagem e custo de produção do fornecedor para entregar a encomenda. Já vi casos em que importar trouxe melhores resultados para a obra”, cita.

Paulo Ignácio: nem sempre o mais barato é o melhor

Paulo Ignácio afirma que a inteligência competitiva não funciona apenas para a compra de materiais para uma obra, mas também para a contratação de serviços terceirizados de mão de obra. “Quanto mais estrutura terceirizada for usada, mais preciso conhecer meu fornecedor e ter uma boa relação de confiabilidade com ele. Ele precisa ter capacidade de adaptação às necessidades da minha obra e eu às necessidades dele. Por isso, as construtoras precisam de tradutores que interpretem essa complexidade da cadeia, essa relação de tolerância e confiabilidade e estabeleçam o ganha-ganha”, conclui.

Entrevistado
Engenheiro de produção Paulo Ignácio, com doutorado em engenharia civil e economia. Atualmente é professor-doutor da faculdade de ciências aplicadas da Unicamp, no câmpi de Limeira-SP
Contato: paulo.ignacio@fca.unicamp.br

Crédito fotos: Divulgação/Isaias Teixeira/Unicamp

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

 



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