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Gestão do Conhecimento

Gestão 16 de junho de 2009

Crise global tende a acelerar processo de mudanças dentro das empresas brasileiras, avalia especialista

Dicionários do mundo corporativo definem Gestão do Conhecimento como “a capacidade da empresa de captar, gerar, criar, analisar, traduzir, transformar, modelar, armazenar, disseminar, implantar e gerenciar a informação, tanto interna quanto externa, permitindo que todos os setores da corporação tenham acesso a ela”.

Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná)

Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná)

Disseminada nos Estados Unidos, onde a sigla KM (Knowledge Management) tornou-se o paradigma do setor empresarial, a Gestão do Conhecimento ainda é um tabu no Brasil. O motivo, segundo Sônia Gurgel, presidente do ABRH-PR (Associação Brasileira de Recursos Humanos, seção Paraná), é uma questão cultural. “Boa parte das empresas brasileiras ainda precisa educar seus funcionários e gestores para a questão. E isso deve ser gradativo”, afirma.

De acordo com pesquisa encomendada pela revista HSM Management, e que abrangeu 200 empresas de grande porte no país, entre nacionais e multinacionais, os empresários brasileiros ainda têm a seguinte visão sobre Gestão do Conhecimento: 55,9% a veem como “modelo empresarial”, 18,2% como “uma política da empresa”, 13,3% como “uma filosofia corporativa”, 7,2% como “tecnologia” e 5,4% como “estratégia”.

Na mesma pesquisa, 34% afirmaram que, “no presente”, não pretendem adotar a Gestão do Conhecimento em suas corporações, enquanto 29,6% disseram que se o fizerem a farão “informalmente”, 28,1% pensam em adotá-la “formalmente” e 8,2% não cogitam em nenhuma hipótese adotá-la. “Talvez isso se deva à questão de que a Gestão do Conhecimento é um processo de mudança que afeta também as relações de poder dentro da empresa, além de exigir investimento. Esses fatores são suficientes para tornar moroso qualquer processo de transformação”, avalia Sônia Gurgel.

Porém, a crise econômica global é vista pela especialista como uma oportunidade de as empresas passarem por um processo de reavaliação e adoção de novas tendências. Para ela, fenômenos econômicos de alcance mundial são responsáveis por reestruturações no ambiente de negócios.

No entanto, Sônia Gurgel alerta que o capital humano da empresa é que vai impulsionar as mudanças. “É sempre o capital humano que gera conhecimento e que gera os processos”, diz. Segunda ela, empresas que já adotaram a Gestão do Conhecimento como ferramenta estão alcançando as seguintes conquistas:

* Segurança com relação à continuidade de seus processos estratégicos.
* Maior possibilidade de treinar e desenvolver pessoas.
* Democratização do conhecimento.
* Eficiência.
* Atualização constante do conteúdo.

A expectativa é de que a KM passe, a médio prazo, a ser cada vez mais incorporada pelas empresas brasileiras. Isso se dará na medida em que elas entenderem que o conhecimento é um ativo e não apenas um suporte para a tomada de decisões. “Será um processo natural, como foi no caso das certificações. Hoje, muitas empresas brasileiras são certificadas na ISO 9000, 14000 e 18000. Isso significa que boa parte do conhecimento dessas corporações já está registrada de alguma forma. Basta agora que ele seja disseminado”, observa Sônia Gurgel.

Email: Assessoria de imprensa da ABRH-PR: osnibermudes@brturbo.com.br

Texto complementar

Negócios passam por processo de seleção natural

Empresários estão tendo de se adaptar muito rapidamente às mudanças e vão sobreviver aqueles que adotarem novos métodos de gestão

Moacyr França Filho: Gestão do Conhecimento vem do compartilhar

Moacyr França Filho: Gestão do Conhecimento vem do compartilhar

Para o consultor, Moacyr França Filho, a Gestão do Conhecimento ainda é um assunto bastante distante do dia a dia dos empresários de pequenas e médias empresas. No entanto, o acirramento da competitividade está mudando esse quadro. Ele avalia que cresce a percepção, dentro das companhias, de que é preciso reduzir erros, melhorar o potencial de venda dos produtos e adotar práticas vencedoras. E isso só se consegue compartilhando conhecimento, conforme ele explica na entrevista a seguir. Confira:

O conceito de gestão do conhecimento parte da premissa de que todo o conhecimento existente na empresa, na cabeça das pessoas, nas veias dos processos e no coração dos departamentos, pertence também à organização. A questão que se coloca é como colocar isso em prática?
As empresas diferenciam-se entre si em função do porte, da cultura e do objetivo da sua existência. Temos empresas públicas, de economia mista, de bens de consumo, do sistema financeiro, de serviços, hospitais e isso faz com que não haja uma receita única. Porém, há aspectos comuns dentro do que se está convencionando chamar de Gestão do Conhecimento. Em primeiro lugar, é necessário identificar com clareza os pontos fundamentais da cultura da empresa, o grau de envolvimento e a ética presentes em todas as fases dos processos gerenciais e produtivos. É necessária também, como premissa, que as altas lideranças da organização percebam com clareza que o conhecimento é um ativo de muita importância a ser administrado. Uma vez conhecida a cultura da organização, e havendo disposição real da alta direção em implantar realmente a Gestão do Conhecimento, isso pode ser feito através dos seguintes passos:
* Incluir o assunto na discussão do planejamento estratégico da organização.
* Envolver profundamente RH e TI.
* Adotar metodologias auxiliares, cuja implantação ancoram a Gestão do Conhecimento. Entre elas: Aprendizagem Organizacional e Educação Corporativa, Gestão de Competências, Gestão do Capital Intelectual, Gestão de Processos e Gestão de Relacionamentos.

Boa parte das empresas brasileiras ainda tem uma administração familiar. Como conseguir implantar um programa de gestão de conhecimento em um ambiente desses?
As empresas familiares têm características peculiares, voltadas as nuances da sucessão e associadas à questão competências versus cargos. Quando a empresa cresce e começa a ganhar longevidade, isso tende a se agravar porque a família, em geral, cresce muito mais rápido e a empresa passa a não comportar todo mundo. Se a parte diretora da empresa já está consciente da importância da Gestão do Conhecimento, a implantação pode ser feita nos moldes do que eu citei anteriormente. Caso ainda tenha problemas de sucessão, um bom caminho seria primeiro profissionalizar a empresa.

Não é de hoje que se fala em gestão de conhecimento. No Brasil, o tema já é abordado desde o início da década. Mesmo assim, implantá-lo nas empresas do país ainda parece um tabu. Como romper esse paradigma?
Parte deste paradigma está sendo resolvido de uma forma “Darwiniana”, ou seja, assim como houve uma seleção natural das espécies, com a adaptação de algumas e o desaparecimento de outras que ficaram incompatíveis com a nova realidade, também no caso das empresas está havendo uma verdadeira seleção daquelas que se adequaram aos novos processos de gestão ou não. Nossa experiência, com um grande número de pequenas e médias empresas, é que, quando não há sucesso em conscientizar a parte que detém o poder de decisão da organização, resta pouco a fazer.

Daria para dizer que o empresário brasileiro sabe da importância da gestão do conhecimento, mas tem receio em adotá-la?
Apesar de o empresário brasileiro pertencer a uma classe, antes de tudo ele é uma pessoa. Em virtude das pessoas estarem vivendo mais, percebe-se em parte dos empresários um descompasso entre seus conhecimentos e atitudes e tudo aquilo que o contemporâneo apresenta como necessidades de gestão empresarial. Muitos têm dificuldade de assimilar, na velocidade necessária, as novas necessidades empresariais e as ferramentas mais atuais de gestão. Os empresários na ativa, que tem hoje 55 anos de idade, viram nascer a televisão em preto e branco e conviveram com trens de locomotiva a vapor e telex. Forjaram-se durante anos em uma economia com inflação absurda e agora se encontram num mundo globalizado e dentro de um Brasil com inflação controlada. Percebe-se um forte esforço dessa classe em se atualizar, sendo que alguns conseguem e outros não. É comum em empresas pequenas e médias terem donos que ainda não se adequaram aos princípios elementares da informática atual. O que dizer, então, dos processos mais elaborados de gestão? Eu diria que para uma parte do empresariado brasileiro esse assunto é bastante distante da sua realidade do dia a dia.

Quais os ganhos das empresas que ousaram romper esse paradigma e hoje navegam em um ambiente de gestão de conhecimento?
De cara podemos salientar o aumento da competitividade, pois é impossível dissociar competir e inovar de compartilhar conhecimento. Isso, claro, é o resultado de não se repetir erros, registrar o conhecimento dos colaboradores, registrar as melhores práticas, compartilhar, enfim, o conhecimento gerado dentro da organização. O que se vivencia, hoje, é que a qualidade dos produtos já perdeu a característica de diferencial de venda. Os carros, os alimentos, as ofertas de viagens de férias, os serviços em geral, enfim, todos os produtos acabaram se tornando muito iguais entre si e o que importa é fazer com que o cliente escolha o que é melhor para a organização. Aí é que a interação e o compartilhamento do conhecimento fazem a diferença no resultado.

Qual a assertiva correta: a gestão do conhecimento é que fortalece o capital humano da empresa ou é o capital humano da empresa que vai gerar a gestão do conhecimento?
Na realidade a gestão do conhecimento é uma metodologia que se aplica à totalidade do capital intelectual da empresa, ou seja, tudo que pode estar em desenhos de projetos, memórias de cálculos, fórmulas de produtos, procedimentos escritos, enfim, tudo que puder ser rastreado além daquilo que está na cabeça das pessoas através de suas experiências, conhecimentos e habilidades. A interação desses conhecimentos gera mais conhecimento e fortalece o capital humano que está interagindo. Esse fortalecimento vem do próprio conceito do que significa gestão do conhecimento. Vem do compartilhar.

Uma das maiores queixas dentro das empresas, por parte dos funcionários, é que eles não têm espaço para expor ideias ou temem sofrer algum tipo de constrangimento se o fizerem. A gestão do conhecimento se cria num ambiente desses?
A questão de mapear as resistências e identificar com clareza as razões desse temor ao constrangimento faz parte do processo da implantação. Identificar todas as barreiras e removê-las faz parte de uma mudança de cultura real e tem que ser verdadeira e respaldada pela alta gerência da organização.

Há modelos de boa gestão de conhecimento no Brasil?
No ambiente educacional poderia citar a ESAF – Escola de Administração Fazendária e a Universidade Metodista. No ambiente público, o SERPRO – Serviço Federal de Processamento de Dados, vinculado ao Ministério da Fazenda. No ambiente empresarial, a Natura Cosméticos. E mais: Sabesp (São Paulo), Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Datasul(Incorporada pela Totvs em 2008), citando algumas das mais conhecidas. Deve ser ressaltada a rapidez com que está sendo alterado o quadro empresarial no Brasil. Do que se conhece, e que tem sido muito exposto na mídia, fusões como Sadia/Perdigão, Itaú/Unibanco, Pão de Açúcar/ Ponto Frio tendem a gerar ainda mais transformações nas organizações.

O departamento de recursos humanos de uma empresa tem qual peso na implantação da gestão do conhecimento dentro da companhia?
Gestão do Conhecimento significa, antes de mais nada, trabalhar com pessoas na organização. É fundamental a participação do departamento de RH em virtude de que todo o investimento no capital humano tem de ser incentivado e preservado.
A preparação do elemento humano existente nas organizações, além da metodologia a ser adotada, tem que ter a participação ativa do RH. O próprio RH tem de estar preparado para entender que o conhecimento é regido pela teoria da abundância (quanto mais eu compartilho mais eu tenho), diferente das commodities, que seguem a teoria da escassez.

Quando se pensa em gestão do conhecimento, logo se imagina que isso é coisa para grandes corporações. Pergunto: médias e pequenas empresas também estão abertas para esse tipo de gestão?
A rigor, não há nada que impeça. Na realidade hoje existem duas grandes barreiras para implantação da gestão do conhecimento em pequenas e médias empresas. A primeira é que boa parte dos donos das pequenas e médias empresas tem visão muito própria de gestão, associando o sucesso ou o nível alcançado pela sua organização à sua maneira de pensar, intuindo que não há necessidades de maiores mudanças. A segunda é que em geral os sistemas de informática dessas empresas são muito fragmentados, sendo poucos os que têm um ERP estruturado e operando, e poucos os que têm área de TI implantadas. Assim sendo, uma ferramenta importante na operacionalização da gestão do conhecimento é falha nessas empresas. Há exceções, mas a regra é essa e estamos falando de empresas com faturamento abaixo de R$ 20 milhões de reais por ano.

Uma empresa que tem ruídos de comunicação consegue implantar uma boa gestão do conhecimento?
É bem difícil. Em geral, os ruídos de comunicação são efeitos e não causa. Nas indústrias é muito comum as pessoas sintonizarem a “rádio Peão” quando a empresa não se posiciona claramente em relação aos assuntos de interesse da coletividade da organização. Também esses ruídos fazem parte do inventário inicial de tudo que deve ser corrigido na empresa e que fazem parte do processo de implantação da Gestão do Conhecimento.

O Brasil está muito defasado, em comparação com outros países (EUA e Europa, em especial), no quesito gestão do conhecimento?
Até um ano atrás haveria uma resposta mais assertiva. Nos tempos atuais, onde o furacão financeiro global ainda está em atividade e já fez desabar ícones do calibre de uma GM, dá para dizer que o Brasil está em evolução. O país definiu uma parceria muito grande com a França, voltada para a defesa, e há o retorno de cérebros e executivos, em virtude de terem se extinguido postos no exterior. Enfim, percebe-se uma redefinição do atual quadro. Normalmente os processos de gestão chegavam ao Brasil através das empresas com matriz no exterior (Japão, Estados Unidos e Alemanha). Agora, há a perspectiva de que as economias emergentes, da qual o Brasil faz parte, criem seus próprios modelos de gestão.

Site do entrevistado: www.nivel10consultoria.com.br

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação



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