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FGTS para reforma da casa própria anima Abramat

Gestão, Mercado Imobiliário 6 de março de 2012

Crédito beneficia 33 milhões de trabalhadores e, dependendo da demanda, pode acrescentar R$ 1 bilhão no setor de material de construção

Por: Altair Santos

Desde fevereiro de 2012, o Conselho Curador do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço autorizou que recursos do FGTS sejam utilizados para a reforma da casa própria. A linha de crédito é de até R$ 20 mil por trabalhador e o dinheiro poderá ser usado também para a aquisição de equipamentos que melhorem a sustentabilidade da residência, como aquecedores solares, por exemplo, até projetos de acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

Walter Cover, presidente da Abramat: apenas produtos certificados pelo Inmetro e pelo programa PBPQ-h poderão ser comprados com recursos do FGTS

A norma pode beneficiar diretamente 33 milhões de brasileiros que recolhem recursos ao FGTS. Obtida através da Caixa Econômica Federal, a linha de crédito atende imóveis com valor de mercado de até R$ 500 mil. Por isso, há a expectativa do setor da construção civil de que a medida traga um impacto positivo nas vendas. É o que avalia Walter Cover, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção), na entrevista a seguir:

A Abramat vê de que forma a medida que permite utilizar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a reforma da casa própria?
Achamos muito positivo, porque é um valor compatível, e que não compromete o fundo. Estamos falando de um programa que disponibiliza inicialmente 300 milhões de reais, e que pode evoluir para um bilhão se tiver demanda. Com os juros subsidiados, achamos que a medida vai impulsionar o setor de reformas, já que a captação destes recursos em bancos privados sairia muito mais cara.

Qual o impacto que a utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a reforma da casa própria terá na venda de materiais de construção?
Veja, a indústria de materiais para a construção civil vendeu 110 bilhões de reais em 2011. Então, se formos analisar apenas os 300 milhões disponibilizados pelo programa, diria que o impacto não é muito grande. Mas não é assim que se deve pensar. O que se visualiza são os novos negócios, ou seja, serão incrementados mais 300 milhões de reais na venda global. Tratam-se de consumidores que não entrariam no mercado se não houvesse essa nova linha de crédito. Então, ela abre caminho para que no futuro a demanda chegue a um bilhão de reais, além de ser uma nova alternativa para o consumidor viabilizar a reforma de sua casa.

A tendência é estimular o comércio formiguinha? Aliás, qual a participação deste tipo de comércio no volume de vendas de material de construção no país?
O comércio formiguinha representa hoje 50% da venda da indústria e, com certeza, a medida vai estimular esse modelo de consumo. Só que mais interessante que isso é que a liberação de recursos do FGTS para reformas vai estimular também a venda legal de materiais de construção. O acordo prevê que somente poderão se beneficiar da linha de crédito produtos que estejam dentro das normas de qualidade do programa PBPQ-h, do Ministério das Cidades, e do Inmetro. Assim, a medida agrega qualidade e formalidade fiscal ao chamado comércio formiguinha, o que é muito positivo para a indústria e para o comércio de material de construção em geral.

Dentro da cadeia produtiva da construção civil, algum setor pode ser mais beneficiado por essa medida?
Acho que todos. Numa reforma ou numa ampliação, utilizam-se vários produtos. Desde materiais de base, como cimento e aço, até tubos e conexões, materiais de acabamento e elétricos. Todos os setores da indústria serão beneficiados.

A expectativa é que 2012 tenha vendas melhores que em 2011?
Em 2012, o setor espera um crescimento de 4,5% em faturamento real, ou seja, descontada a inflação, o que é melhor que 2011.

Além da medida governamental que libera o uso do FGTS, quais a Abramat avalia que deveriam ser tomadas para estimular o setor?
Primeiro, a expectativa é que o governo incremente os investimentos públicos no programa Minha Casa, Minha Vida. Além disso, temos que manter a disponibilidade do crédito. A previsão para este ano é que o crédito aumente 30%. Além disso, o setor espera que prossiga a política de redução de impostos. A Abramat está trabalhando intensamente para que isso ocorra.

Entrevistado
Walter Cover, presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Currículo

– Graduado em engenharia agronômica pela UNESP- MS e em economia agrícola pela University of California
– É PhD em economia agrícola pela Michigan State University e cursou gestão empresarial avançada no INSEAD, da França
– Foi CEO, diretor e conselheiro em empresas de grande e médio porte, como Vale, Bunge, Lilly/Elanco, Teba Têxtil e CTM Citrus
– Atuou na Casa Civil da Presidência da República, coordenando uma estrutura multiministerial que apoiou a viabilização de projetos de investimentos privados e de parcerias público-privadas (PPP)
– Como superintendente geral da FIESP, conduziu um extenso programa de reestruturação e modernização da gestão
– Atualmente, é presidente da Abramat (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção)
Contato: presidencia@abramat.org.br

Créditos foto: Divulgação/Abramat

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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