Erro executivo causa maioria dos problemas em fachadas

Mão de obra mal treinada ou sem fiscalização resulta em fachadas vulneráveis

Erro executivo causa maioria dos problemas em fachadas

Erro executivo causa maioria dos problemas em fachadas 600 450 Cimento Itambé

Para especialista, falhas na aderência do reboco e do emboço sobre regiões de estruturas têm resultado em uma rotina de desplacamentos

Por: Altair Santos

Mão de obra mal treinada ou sem fiscalização resulta em fachadas vulneráveis

Mão de obra mal treinada ou sem fiscalização resulta em fachadas vulneráveis

Professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), na disciplina materiais de construção e processo construtivo, o engenheiro civil Nielsen José Dias Alves tornou-se um caçador de problemas em fachadas de edificações. No Brasil, o volume de casos com desplacamento de cerâmicas, grafiatos e até tintas convencionais tem chamado a atenção, principalmente em prédios com mais de cinco pavimentos. Para o especialista, que recentemente palestrou no webseminário “Manifestações patológicas em revestimentos de fachadas”, a causa principal desta disseminação está nos erros de execução. “No período em que a construção civil brasileira viveu aquela profusão de obras, uma combinação de mão de obra sem a devida qualificação com pressa em concluir os empreendimentos desencadeou esse problema que vemos com frequência atualmente”, diz.

Nielsen José Dias Alves detectou em suas consultorias para solucionar problemas em fachadas que boa parte dos problemas está no reboco e no emboço, principalmente nas regiões fronteiriças com as estruturas de concreto. “Muitos casos não se referem à qualidade dos materiais e nem ao tipo de argamassa, seja a virada em obra, industrializada ou usinada. Quando começamos a investigar observamos que a patologia estava no substrato. Detectamos que se criou uma artimanha nos canteiros de obras, para acelerar o acabamento do reboco, que é a ‘capinha do reboco’. O que é isso? Em vez de fazer o acabamento, eles deixavam o reboco inacabado e iam alisar no dia seguinte, já com o reboco seco. Esse acabamento era feito com uma fina camada, de 1 mm a 3 mm, usando nata de argamassa ou de cimento. Isso é a ‘capinha do reboco’”, explica.

Norma de Desempenho

Nielsen José Dias Alves: Norma de Desempenho ajuda a melhorar qualidade das fachadas

Nielsen José Dias Alves: Norma de Desempenho ajuda a melhorar qualidade das fachadas

Sem resistência mecânica, a ‘capinha do reboco’ rompe e leva à queda do revestimento. “Por isso temos detectado também o desplacamento de grafiatos e de acabamentos com tinta convencional”, afirma o professor da UCB, lembrando que tudo isso passa por falta de controle de revestimentos. “As empresas aprenderam a fazer o controle perfeito do concreto, mas dos revestimentos não. Algumas fazem ensaios apenas no primeiro andar e acham que a verificação vale para todo o prédio. Não é bem assim”, alerta Nielsen José Dias Alves. O especialista completa: “É preciso fazer o controle da fachada, pois a mão de obra, se não for fiscalizada, vai relaxar e assentar cerâmicas sobre superfícies ocas ou sem resistência mecânica para suportar a carga dos revestimentos.” O ensaio de percussão – popularmente conhecido como “bate-choco” – é o tipo de controle mais comum, porém existem investigações mais tecnológicas, como a termografia de infravermelho.

Nielsen José Dias Alves lembra que, felizmente, a Norma de Desempenho (ABNT NBR 15575) trará um impacto positivo na questão das fachadas. Primeiro, de acordo com ele, no que diz respeito aos prazos mínimos e máximos de garantia; segundo, quanto à qualidade dos materiais e das instalações. “A norma, em seu anexo D, aborda o sistema de fachadas, definindo prazos de garantia para reboco, quanto a fissuras, estanqueidade e aderência. Também esclarece as garantias para revestimentos cerâmicos, quanto a infiltrações e queda, assim como para o descascamento da pintura externa. Ela é esclarecedora e esperamos que influencie, também, na qualidade das fachadas”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Nielsen José Dias Alves
, professor e chefe do laboratório de materiais de construção da Universidade Católica de Brasília (UCB)

Contato
nielsen@ucb.br

Crédito Fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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