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Engenheiros empreendedores: desafio às universidades

Teoria e Prática, Universidade e Pesquisa 30 de maio de 2012

Escolas de engenharia investem em empresas incubadoras, mas ainda faltam disciplinas que ensinem os alunos a montar seus negócios

Por: Altair Santos

As escolas de engenharia civil em todo o país começam a despertar para a necessidade de não apenas formar engenheiros, mas capacitar os futuros profissionais a serem empreendedores. É certo que muitas delas já procuram impregnar esse espírito em seus alunos, seja através de incubadoras de empresas ou escritórios-pilotos, mas ao mesmo tempo fazem a “mea culpa” por haver poucas disciplinas voltadas ao empreendedorismo. “Hoje, o que se faz, é uma compensação. Ou seja, a gente tenta conscientizar o aluno disciplina a disciplina. O mesmo procedimento é feito com a conscientização da sustentabilidade”, explica Marcelo Henrique Farias de Medeiros, do Departamento de Construção Civil da UFPR (Universidade Federal do Paraná).

Estudantes de engenharia precisam estar atentos às necessidade do mercado para empreender.

Na opinião de Roberto Domingo Rios – chefe substituto do Departamento de Engenharia Civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) -, o próprio perfil dos estudantes que estão ingressando nos cursos tem forçado as escolas a se adaptarem a essa característica empreendedora dos futuros engenheiros. “Eles já chegam querendo resolver problemas. Há uma atividade maior na busca pela prática, o que não deixa de ser uma característica do próprio mercado”, avalia. Ainda de acordo com Roberto Domingo Rios, há casos em que os próprios alunos se organizam para planejar e empreender. “Não tendo disciplinas que os levem a serem empreendedores, eles mesmos buscam aprender fora da universidade, geralmente recorrendo ao Sebrae”, completa.

O perfil do engenheiro-empreendedor se revela já no primeiro contato com o curso. “Aquele que gosta de trabalhar em grupo, que de uma ideia já pensa num produto e que está sintonizado com o mercado é o que a gente detecta como empreendedor. Um caso foi um aluno que montou uma empresa de espaçadores para armadura feitos de cimento. Ele detectou a oportunidade, não viu produto similar no mercado e achou um nicho, criando um produto diferenciado”, comenta Marcelo Henrique Farias de Medeiros, lembrando que a UFPR possui um escritório-piloto que procura pesquisar os nichos onde os alunos podem empreender. “Além disso, temos um laboratório de inovação, onde fazemos um link com o mercado da construção civil”, revela.

Tanto o professor da UFPR, quanto o da UFRGS, citam que atualmente um bom número de estudantes de engenharia civil, ao concluir o curso, tem procurado fazer pós-graduação em economia ou administração. “Isso ocorre por dois motivos: a busca pelo próprio negócio ou a adaptação para entrar na área financeira, que também absorve engenheiros civis”, analisa Roberto Domingo Rios. “O empreendedor tem que ser um administrador também. Não adianta só dominar a parte técnica. É preciso saber elaborar pesquisas de mercado, estudos de viabilidade. Por isso, é necessário estender o conhecimento para outras áreas”, alerta Marcelo Henrique Farias de Medeiros.

Entrevistados
– Marcelo Henrique Farias de Medeiros, professor do departamento de construção civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR)
– Roberto Domingo Rios, chefe substituto do departamento de engenharia civil da Universidade federal do rio Grande do sul (UFRGS)

Currículos

Marcelo Henrique Farias de Medeiros é graduado em engenharia civil pela Universidade de Pernambuco (1999), Mestre em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (2002) e Doutor em Engenharia Civil pela Universidade de São Paulo (2007)
– Atualmente é professor adjunto da Universidade Federal do Paraná, onde tem ministrado aulas na graduação e pós-graduação strictu sensu
– É professor colaborador de cursos de pós-graduação latu sensu da Universidade de Pernambuco e Universidade do Oeste de Santa Catarina.
– Atuou nos trabalhos de inspeção, diagnóstico e projeto de recuperação de obras de arquitetos renomados, como Oscar Niemeyer (Brasil), Villa Nova Ar tigas (Brasil) e Fresnedo Siri (Uruguai)
– Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em materiais de construção, patologia e terapia das estruturas de concreto, atuando principalmente nos seguintes temas: durabilidade, concreto armado, reparo, dosagem de concreto e argamassa, ataque por cloretos, corrosão de armaduras e vida útil
Roberto Domingo Rios é graduado em engenharia civil pela Universidade Nacional do Nordeste (1989), Mestre em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1995) e Doutor em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2002)
– Atualmente é professor Associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Tem experiência na área de Engenharia Civil, com ênfase em Concreto Armado e Dinâmica, atuando principalmente nos seguintes temas: concreto armado, concreto, dinâmica, puncionamento e ação dinâmica
– Desde março de 2008 é tutor do Programa de Educação Tutorial (PET) Civil da UFRGS
– Desde maio de 2009 é chefe substituto do Departamento de Engenharia Civil
Contato:  medeiros.ufpr@gmail.comrrios@cpgec.ufrgs.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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