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Em concreto, e erguido em 110 dias, Sambódromo é nota 10

Área Técnica, Inovação, Novas Tecnologias, Sobre Concreto 12 de fevereiro de 2016

Obra idealizada pelo arquiteto Oscar Niemeyer foi projetada pelo engenheiro José Carlos Sussekind, que enfrentou uma saga para executá-la

Por: Altair Santos

Na quarta-feira, 10 de fevereiro, o Sambódromo do Rio de Janeiro assistiu a mais uma apuração das escolas de samba do grupo especial. Sobre a pista de concreto, e das arquibancadas em pré-moldado, desfilaram alegorias, passistas e não faltaram aplausos. Assim como a campeã Mangueira, o sambódromo, mais uma vez, foi nota 10. Construída há 32 anos, a obra idealizada por Oscar Niemeyer resistiu aos críticos, depois de ser executada em 110 dias.

Sambódromo passou por reformas e teve sua capacidade ampliada de 60.000 para 72.500

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Trata-se de uma saga que uniu a genialidade de Niemeyer, a competência do engenheiro calculista José Carlos Sussekind, além da teimosia do antropólogo Darcy Ribeiro e do ex-governador, e também engenheiro civil, Leonel Brizola. A operação para viabilizar o sambódromo – hoje copiado em várias cidades brasileiras – valeria um enredo de escola de samba. A começar pela Praça da Apoteose, cujo arco os críticos da época diziam que iria cair, mas encontra-se, até hoje, intacto.

Também se invocou com a pista de concreto de 700 metros, e cuja estrutura serviu para a canalização de um canal que passava pela região do sambódromo e era alvo constante de enchentes. A obra também ajudou a readequar o trânsito da cidade do Rio de Janeiro na região. Tudo construído entre o final de outubro de 1983 e o final de fevereiro de 1984. Naquele ano, o desfile das escolas de samba ocorreu dia 4 de março – data considerada como a da inauguração oficial do sambódromo.

Com uma área construída de 85 mil m², dos quais 55 mil m² sustentados por estruturas pré-moldadas in loco, o sambódromo consumiu 17 mil m³ de concreto. Niemeyer o definia como uma “estrutura leve, intencionalmente repleta de vãos, para ser ocupada pelo povo”. O arquiteto só não imaginaria que sua concepção serviria também de estrutura para os jogos olímpicos.

Reconstrução em 2012
O sambódromo será palco da largada e da chegada da principal prova olímpica: a maratona. Para abrigar o evento, entre março de 2011 e março de 2012 ele praticamente foi reconstruído. A área dos antigos camarotes veio abaixo e foi erguida uma nova estrutura de arquibancada, ampliando sua capacidade de 60 mil para 72.500 lugares. A reforma permitiu que paralelamente ao sambódromo fosse viabilizado outro projeto de Niemeyer, desta vez “in memorian”: o edifício comercial Eco Sapucaí.

O empreendimento com 80 metros de altura, e fachada em vidro, não recebeu esse nome em vão. Sua construção, onde antes existia a antiga fábrica da Brahma, melhorou sensivelmente a acústica do sambódromo. Com 19 andares e 3 subsolos, o edifício consumiu 75 mil m³ de concreto. Sua construção chegou a fazer parte do projeto original da passarela do samba, em 1983, mas a falta de tempo impediu a construção. Niemeyer imaginava que o paredão envidraçado funcionaria como um “amplificador” do som gerado pelas escolas de samba.

Sem tempo para viabilizar o prédio, o governador focou os esforços no sambódromo. Em sua biografia, Brizola descreveu o que foi executar a edificação. “Se quando estava no exílio algum camarada me dissesse que eu iria ser governador do Rio de Janeiro, eu já despachava o índio como sonhador. Mas se me dissessem que eu ia ser governador do Rio de Janeiro e minha primeira grande obra ia ser uma passarela de carnaval, chamava alguém de lado e dizia: interna, porque este índio é muito louco…”

Saiba mais sobre o sambódromo

Entrevistado
Empresa Olímpica da Prefeitura do Rio de Janeiro (via assessoria de imprensa), com informações do livro “O desfile e a cidade: o carnaval-espetáculo carioca”
Contato:
contatoeom@empresaolimpica.rio.rj.gov.br

Crédito foto: Cortesia/Cidade Olímpica

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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