Crise internacional não impede que PIB da construção cresça mais que o do país

Crise internacional não impede que PIB da construção cresça mais que o do país

Crise internacional não impede que PIB da construção cresça mais que o do país 150 150 Cimento Itambé

Dados apontam que setor vai fechar 2011 e 2012 experimentando taxas maiores de avanço econômico do que outras áreas, apesar dos gargalos ainda existentes no Brasil

Por: Altair Santos

No 83º Enic (Encontro Nacional da Indústria da Construção) que aconteceu em agosto de 2011, em São Paulo, a presidente Dilma Rousseff afirmou aos empresários do setor que o Brasil tem alicerces bem fundamentados para se proteger de uma segunda onda da crise internacional. Um deles é a cadeia produtiva da construção civil. Dados confirmam essa expectativa. Projeções do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo) com base em estudos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam que neste ano e em 2012 o PIB (Produto Interno Bruto) do setor será maior do que o do país.

Eduardo Zaidan, diretor de economia e presidente do conselho consultivo do SindusCon-SP: é cedo falar em crescimento sustentável a longo prazo

O cenário vai repetir 2010, mas com menor intensidade. No ano passado, a construção civil cresceu 11,6% diante de um PIB de 7,5% do país. Neste ano, segundo Eduardo Zaidan, diretor de economia e presidente do conselho consultivo do SindusCon-SP, o setor vai crescer seguramente 5% diante de projeções do governo federal de que o Produto Interno Bruto do Brasil chegue a 4,5%, apesar de analistas de mercado, com base em projeções do departamento econômico do Citibank Brasil, avaliarem que esse número pode chegar no máximo a 3,7%. “Quando a economia cresce, a construção civil experimenta taxas maiores que a média dos setores”, confirma Zaidan.

O diretor de economia do SindusCon explica por que a construção civil tem conseguido estabelecer taxas de crescimento acima do país. “Como a construção civil é uma indústria de produção com prazos longos, pode-se dizer que o PIB de 2011 e boa parte do de 2012 já está contratado. Somente haverá tendência de diminuição nos índices de crescimento do setor se ao fim desses contratos não houver reposição de obras. Mas só poderemos verificar esta tendência observando o ritmo de crescimento da economia daqui a dois ou três trimestres futuros”, diz.

Zaidan também explica que o crescimento constante verificado nos anos recentes tem feito o setor resolver as distorções de produtividade, mas que o Brasil precisa fazer a sua parte solucionando os gargalos institucionais, micro e macroeconômicos. Entre eles estão os sempre apontados por todos os setores da economia nacional: carga tributária elevada, juros altos, complexidade tributária, insegurança jurídica, baixa qualificação profissional, burocracia, lentidão e complexidade nos procedimentos de obtenção de licenças e permissões municipais, estaduais e ambientais. “A lista é longa”, cita.

Um exemplo dado pelo diretor do SindusCon-SP está no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que não avança na velocidade que deveria, e cujas demandas vão passando de um ano para outro. Zaidan avalia que neste aspecto o Minha Casa, Minha Vida está trazendo resultados mais efetivos. “O MCMV contratou a construção de um milhão de novas moradias em 2009 e em 2010 e agora começou a fase dois do programa, com a promessa da contratação de mais dois milhões até 2014. Está indo bem, enquanto o PAC anda mais devagar”, analisa.

Por conta desses entraves é que ainda não é possível cravar que a construção civil entrou num período de crescimento sustentável, apesar de ter mudado de patamar de 2005 para cá. “Em face das vulnerabilidades latentes na economia brasileira, ainda não podemos falar em crescimento sustentável. Vale lembrar que na crise internacional de três anos atrás (2008) o setor cresceu apenas 1%. Mas o momento é positivo. É só observar o consumo de cimento e de concreto, que são umas das balizas do setor. As vendas estão em um bom patamar. Trata-se de produtos cativos da construção e não estocáveis. Com a maior formalização da construção, que aconteceu a partir de 2006 e 2007, fato saudável para o país, é impossível dissociar o crescimento de um e de outro, e eles são positivos.”

Três milhões de empregos

Atualmente, a cadeia produtiva da construção civil emprega formalmente três milhões de trabalhadores. A marca foi atingida no primeiro semestre de 2011. Dos 3.026.011 contratados com carteira assinada, 1.556.361 estavam no Sudeste, 634.247 no Nordeste, 421.833 no Sul, 237.357 no Centro-Oeste e 176.213 no Norte. Por isso, o setor é um dos alicerces do país contra a crise internacional.

Entrevistado
Eduardo Zaidan, diretor de economia e presidente do conselho consultivo do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo)
Currículo

– Graduado em engenharia civil pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)
– Pós-graduado em Administração de Empresas pela EASP FGV-SP
– MBA Executivo Construção Civil pela Escola de Economia da FGV-SP
– Possui mais de 30 anos de experiência no mercado imobiliário e da construção
– Diretor executivo da RFM Construtora Ltda
– Diretor de Economia e presidente do Conselho Consultivo do Sinduscon-SP
Contato: zaidan@rfm.com.br / rmarko@sindusconsp.com.br (assessoria de imprensa)

Créditos Fotos: Divulgação/SindusCon-SP

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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