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Contra a maré, concreto precisa ser bem especificado

Área Técnica, Inovação, Obras Inovadoras, Sobre Cimento, Sobre Concreto 26 de junho de 2013

Material submerso no ambiente marinho tem que estar preparado para sofrer uma série de agressões ao longo do seu tempo de vida

Por: Altair Santos

O concreto submerso no ambiente marinho tem que estar preparado para sofrer uma série de agressões ao longo do seu tempo de vida. Essa agressividade se potencializa em zonas sujeitas a ciclos de molhagem e secagem, como no caso de quebra-mares, pilares de ponte semissubmersos e outras estruturas. A variação das marés propicia manifestações patológicas, sendo que a mais frequente é a corrosão das armaduras, devido à carbonatação e ataque de cloretos presente na água do mar. A abrasão superficial do concreto também é comum, em casos de estruturas submetidas a impacto direto das ondas do mar e de embarcações.

Douglas de A. Couto: concreto exposto à água do mar sofre com ações químicas e físicas.

Atualmente, as normas ABNT NBR 12655 – Concreto – Preparo, Controle e Recebimento – e ABNT NBR 6118 – Projeto de estruturas de concreto – Procedimento – classificam as regiões sujeitas a respingos ou variação de marés como de agressividade muito forte ou nível IV, com elevado risco de deterioração da estrutura, o que prescreve cobrimentos maiores, menor relação água/cimento e, consequentemente, maior resistência do concreto à compressão. Já as estruturas totalmente submersas não sofrem os mesmos problemas, por não terem ciclos secos e úmidos, e também por não haver presença de oxigênio.

Segundo o engenheiro civil Douglas de A. Couto, e especialista em manifestações patológicas em estruturas de concreto, além das recomendações das normas técnicas, as tecnologias atuais também permitem o uso de adições minerais, tipo sílica ativa e aditivos redutores de água, como alternativas extremamente viáveis para melhorar a compacidade do concreto. “Quando necessário, proteções superficiais podem ser aplicadas, como as bases poliuretano e poliuréia, por exemplo”, explica. Já quanto ao tipo de cimento a ser utilizado, ele recomenda verificar o tipo de peça estrutural e seu volume. “Em peças de grande volume, sugere-se o uso de cimentos tipo CP-III e CP-IV, devido ao seu baixo calor de hidratação, quando comparado aos outros tipos de cimento. Em geral, é preciso primeiramente se observar a disponibilidade dos cimentos na região da obra, e estudar a alternativa mais viável do ponto de vista técnico e econômico”, sugere.

Ponte Rio-Niterói: exemplo emblemático de estruturas de concreto resistentes às reações químicas e físicas impostas pelo mar.

Ações físicas

Além das ações químicas, as estruturas de concreto expostas à água do mar sofrem também com as ações físicas causadas pelas ondas e marés. “Os impactos são os piores possíveis. Além do ataque químico, o concreto sofre abrasão por causa das ondas. Em estruturas executadas com concreto de resistência inadequada, e com pouco cobrimento das armaduras, esses ciclos podem ocasionar o desplacamento do concreto, e iniciar o processo de corrosão das armaduras em pouco tempo, diminuindo drasticamente a vida útil da estrutura”, alerta Douglas de A. Couto.

O especialista afirma ainda que o concreto, se especificado, dosado e executado adequadamente para o fim ao qual se destina, pode, por si só, ser suficiente para garantir durabilidade a uma estrutura, seja ela qual for. No entanto, ele apoia o uso de aditivos cristalizantes, com o objetivo de diminuir a permeabilidade do material. “Em estruturas marítimas de concreto aparente ou similares, essa é uma alternativa interessante. Assim como as adições minerais pozolânicas, que melhoram muito o empacotamento das partículas no concreto, conferindo menor porosidade e, consequentemente, maior resistência às intempéries. No caso de estruturas sujeitas aos efeitos do mar, a utilização dessas adições também melhora muito o desempenho do concreto frente aos agentes agressivos”, conclui.

Entrevistado
Douglas de A. Couto, pesquisador de concretos de alta resistência em projetos estruturais
Currículo
– Douglas de A. Couto é graduado em engenharia civil pela Escola de Engenharia de Piracicaba (2009)
– Foi membro da equipe de pesquisa sobre concreto de alto desempenho da Escola de Engenharia de Piracicaba e segue como pesquisador de concretos de alta resistência, em projetos estruturais, reforço de estruturas de concreto, análise dinâmica de estruturas e estudo de manifestações patológicas
– Atualmente, é mestrando do programa de pós-graduação em engenharia civil do departamento de engenharia de estruturas e geotécnica da Escola Politécnica da USP
– É engenheiro civil associado à empresa PhD Engenharia Ltda. e diretor da empresa DCR Engenharia e Projetos Ltda., atuando nas áreas de projeto, patologia, inspeção, reforço e recuperação de estruturas de concreto
Contato: douglas.couto@concretophd.com.br
Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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