Com pilone único, Ponte do Saber tem estrutura inovadora

Com pilone único, Ponte do Saber tem estrutura inovadora

Com pilone único, Ponte do Saber tem estrutura inovadora 150 150 Cimento Itambé

Obra usa estais que não são distribuídos uniformemente, tem vão livre de 170 metros e foi construída com recursos de multas ambientais

Por: Altair Santos

Desde fevereiro de 2012, a cidade do Rio de Janeiro convive com sua primeira ponte estaiada. Projetada pelo arquiteto Alexandre Chan, a obra desafoga o trânsito na região do entorno da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) – conhecida como Ilha do Fundão. Além de ser um acessório urbano para melhorar a mobilidade na capital fluminense, ligando a Cidade Universitária à Linha Vermelha, a construção desponta como uma das pontes estaiadas mais inovadoras já construídas no país.

Alexandre Chan: projeto previa obra em concreto branco, mas custo levou a mudanças de plano.

Chamada de Ponte do Saber, ela é sustentada por 21 estais não distribuídos uniformemente. São 15 frontais e 6 de retaguarda. “Os quinze estais frontais sustentam o tabuleiro em concreto que constitui as pistas de passagem e marca o vão da travessia do canal, enquanto os estais traseiros, ancorados três a três em blocos laterais, são a contrapartida de sustentação dos primeiros. A existência dessa linguagem é fortemente orientada para a maior expressão dos esforços estruturais e baseado diretamente nas possibilidades estéticas de seus componentes”, explica Alexandre Chan.

Os estais (cabos) estão atrelados a um só pilone de quase 96 metros, já apelidado pelos cariocas de “perna de moça”. “Não é incomum a presença de pontes estaiadas com pilone único, mas a distribuição básica dos elementos estruturais, nesse caso, saiu da análise do local, onde se buscava a não existência de pilares na lâmina d’água”, revela o arquiteto. A solução permitiu criar um vão livre de 170 metros, para uma ponte que tem 773 metros de extensão.

Com a obra, em parceria com o Governo do Rio de Janeiro, a UFRJ conseguiu pôr em andamento o programa de revitalização do Canal do Fundão. O plano permitiu a dragagem de mais de 3,5 mil m³ de material, aprofundando o leito do canal em quatro metros. Também foram recuperadas 180 mil plantas dos manguezais e plantadas outras 140 mil mudas. “Além de seu óbvio utilitarismo rodoviário, a Ponte do Saber ajuda a marcar simbolicamente esse momento de revisão ambiental na região”, destaca Alexandre Chan.

Ponte do Saber: a primeira estaiada do Rio de Janeiro.

Em seu plano original, a Ponte do Saber seria construída toda com concreto branco. No entanto, o custo levou a uma revisão do projeto. “Ela seria inicialmente intencionada em cimento branco estrutural, para dispensar acabamentos adicionais e facilitar a reflexão da luz do sol ou de uma futura iluminação de realce. Contudo, ponderações de custo transformaram a opção para um concreto apenas claro e sem pintura, ainda de boa resposta às luzes citadas”, revela o arquiteto. Com isso, a obra, que ficou a cargo da construtora Queiroz Galvão, custou R$ 320 milhões, dos quais R$ 248 milhões foram financiados por multas ambientais pagas pela Petrobras.

 

 

 

Ponte do Saber: dos 21 estais, 15 são frontais e 6 de retaguarda.

Dados da obra

Altura do pilone: 95,50 m
Área do bloco principal de fundação: 360 m²
Vão de travessia do canal sustentado por estais: 170 m
Comprimento total da obra: 773,54 m
Consumo de concreto: 59,7 mil m³

 

 

 

 

Entrevistado
Arquiteto Alexandre Chan, da PCE Projetos e Consultoria de Engenharia Ltda
Currículo
– Alexandre Chan, 70 anos, é graduado em arquitetura e urbanismo pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo UFRJ (1965)
– Trabalha como arquiteto titular da Titular da CJ Projetos e como coordenador do departamento de desenho urbano e arquitetura da PCE
– É assessor da presidência da Fundação J. D. Oliveira.
Contato: alexandre.chan@pcebr.com.br

Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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