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Brasil tem centenas de patologias em fundações. Por quê?

Área Técnica, Construindo Melhor, Gestão, Mercado da Construção, Sobre Cimento, Sobre Concreto 7 de junho de 2017

Ausência de investigação do subsolo e ensaios inadequados são os fatores que mais desencadeiam esse problema na construção civil

Por: Altair Santos

O professor-doutor do departamento de engenharia civil da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fernando Schnaid, começou sua palestra no Simpósio Paranaense de Patologia das Construções com a seguinte pergunta: existem problemas de patologias em fundações no Brasil? Ele mesmo deu a resposta: “Sim, às centenas”. E por quê? Segundo o especialista, por causa de falhas na investigação do subsolo para obras da construção civil e, em alguns casos, por ausência de qualquer tipo de ensaio.

Fernando Schnaid: qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo

Fernando Schnaid: qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo

No evento realizado no centro politécnico da UFPR, que aconteceu de 29 de maio a 2 de junho, Schnaid revelou que 6% das patologias que afetam as construções no país estão associadas a fundações. “Só 6%? Parece pouco, mas não é. A razão é que as consequências econômicas e de risco destes problemas são extraordinários frente a outras patologias, que geralmente são localizadas e cujas soluções são relativamente fáceis. Já os problemas com fundações podem gerar custos quase do tamanho da edificação a que elas dão suporte”, destaca.

O professor Fernando Schnaid lembrou que a qualidade das fundações está diretamente relacionada com os ensaios do subsolo. Mesmo assim, a ausência de investigação ainda ocorre no Brasil. “É uma prática inaceitável, mas há quem ainda faça isso. Quando? Normalmente, em edifícios de pequeno porte”, revela. Há casos em que ocorre a investigação, mas a interpretação dos resultados é errada. Segundo o especialista, este tipo de falha aumentou com a crise econômica no país.

Crise afeta geotecnia
Para Schnaid, os problemas pelos quais passa o Brasil, afetando diretamente o mercado da construção civil, têm causado degradação no serviço de análise geotécnica. “Isso se deve a uma cadeia de terceirização deste tipo de serviço, a fim de baratear custos. O que pode ocorrer, e ocorre, é que uma ponta faz boa investigação, mas a outra não sabe interpretar. E em geotecnia, as interpretações precisam passar confiança para que se possa praticar uma boa engenharia”, afirma.

Em sua palestra, o professor da UFRGS voltou a ressaltar que aspectos relacionados com a investigação das características do subsolo são a causa mais frequente de problemas com fundações. “Quem diz isso? O código europeu (EuroCode) diz, a norma francesa diz, enfim, a prática internacional diz isso. Na maioria das vezes em que ocorrem patologias em fundações, o problema não está no projeto, mas nas falhas de investigação das características do solo”, frisa Schnaid.

O especialista reforça ainda que não é por falta de tecnologia em geotecnia que esses erros ocorrem no país. “Existe uma variedade extraordinária de ensaios de subsolo no Brasil. Mas um grande número de projetos concentra-se na sondagem de simples reconhecimento (spt). Mesmo o DNIT e a Petrobras exigem apenas spt em grande parte de seus projetos. Então, é preciso ter em mente que investigações consolidadas ajudam a economizar milhões de reais, os quais, às vezes, são desperdiçados porque se queria economizar alguns milhares de reais”, finaliza.

Entrevistado
Engenheiro civil Fernando Schnaid, professor-doutor do programa de pós-graduação do departamento de engenharia civil da UFRGS, com especialidade em geotecnia e engenharia de fundações

Contato
ppgec@ppgec.ufrgs.br

Crédito Fotos: Fifa

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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