Antiga reivindicação, BR-101 pode sair do papel no Paraná

Antiga reivindicação, BR-101 pode sair do papel no Paraná

Antiga reivindicação, BR-101 pode sair do papel no Paraná 150 150 Cimento Itambé

Construção da rodovia no Estado retornou à pauta depois das chuvas de março de 2011, que destruíram trechos das BRs 277 e 376, no litoral paranaense

Por: Altair Santos

As chuvas que atingiram o litoral do Paraná em março de 2011, causando colapso nas rodovias BR-277 e BR-376, também serviram para destravar um dos mais antigos projetos rodoviários do Estado: a construção do trecho paranaense da BR-101. A implantação da estrada é reivindicada há 20 anos pelo setor de transportes e em abril o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) finalizou o projeto básico para a implantação da rodovia.

Amauri Medeiros Cavalcanti: “A obra facilitará a circulação de mercadorias, dinamizando a economia do Estado.

A proposta do DER prevê a construção de uma estrada que partiria da região de Garuva, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, contornando a baía de Guaratuba até alcançar a PR-508 – também conhecida como Alexandra-Matinhos. A partir desse trecho, ela faria conexão com a BR-277, desembocando no Porto de Paranaguá. A segunda etapa, ainda em discussão, ligaria a BR-277, a partir de Antonina, e partiria em direção à BR-116, passando por Cacatu, no sentido São Paulo.

Segundo o diretor geral do DER, Amauri Medeiros Cavalcanti, a obra torna-se cada vez mais relevante ao Paraná. “Além de abrir um novo acesso aos portos de Paranaguá e Antonina, ela facilitará a circulação de mercadorias entre os terminais marítimos paranaenses, dinamizando a economia. Outro beneficio é a retirada da região metropolitana de Curitiba de milhares de caminhões por dia, que se utilizam das BRs 116 e 376, passando pelo Contorno Leste”, avalia.

Pelos estudos, o trecho paranaense da BR-101 pode atingir 170 quilômetros. O custo da obra da primeira etapa, entre Garuva e a estrada Alexandra-Matinhos, tem um orçamento estimado de R$ 400 milhões, mas Amauri Medeiros Cavalcanti prefere não citar números definitivos. Até porque, a escolha do tipo de pavimento e as obras de arte que vão compor a rodovia é que irão definir seu custo final. Uma hipótese é que, por se tratar de uma estrada para o escoamento de carga, ela tenha chances de ser construída em pavimento rígido (concreto). “O uso do pavimento de concreto dependerá dos projetos e da avaliação de custos. O importante é construir uma rodovia segura para os usuários e para o meio ambiente”, diz o diretor geral do DER.

O próximo passo para que o trecho paranaense saia do papel é a elaboração da viabilidade técnica, econômica e ambiental do projeto concebido pelo DER. O plano seguirá para o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), a fim de que a obra entre no orçamento do governo. O maior impasse para a construção do trecho paranaense da BR-101 está na questão ambiental, já que a estrada invade áreas de Mata Atlântica, onde as normas de proteção são muito rígidas.

A BR-101 é uma das maiores rodovias federais do Brasil. Ela une 12 estados, apesar de ser interrompida no Paraná, onde é substituída pelo trecho sul da BR-376. A estrada parte da cidade de Touros, no Rio Grande do Norte, e atinge o município de São José do Norte, no Rio Grande do Sul, passando também por Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.

Oficialmente denominada Rodovia Mário Covas, ela atualmente encontra-se em duplicação nos trechos que ligam Florianópolis a Porto Alegre, entre Palhoça (SC) e Osório (RS), com 350 quilômetros, e Natal, no Rio Grande do Norte, a Palmares, em Pernambuco, com 404 quilômetros. Nestas obras, há predominância de pavimento rígido.

Mapa mostra trecho percorrido pela BR-101 no Brasil, com a interrupção no Paraná.

Entrevistado
Amauri Medeiros Cavalcanti, diretor geral do Departamento de Estradas e Rodagem (DER) no Paraná
Currículo

– Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica de Campina Grande, da Universidade Federal da Paraíba (EPUFPB)
– Tem pós-graduação na FAESP (Faculdade Anchieta de Ensino Superior do Paraná), com especialização em Gestão Pública e Educacional
– Fiscalizou a execução de mais de 2.300 quilômetros de rodovias no Paraná, tem exercido diversos cargos dentro do DER
Contato: amaurimc@der.pr.gov.br

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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