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Universidades corporativas priorizam engenheiros

Qualificação Profissional, Teoria e Prática, Universidade e Pesquisa 3 de maio de 2013

Grandes Companhias nacionais, como Embraer, Petrobras e Vale, investem em formação complementar para acelerar processos produtivos

Por: Altair Santos

Embraer, Petrobras e Vale são algumas das grandes Companhias nacionais que decidiram resolver o problema da formação inconsistente de engenheiros, investindo em universidades corporativas. O objetivo é fazer com que os profissionais contratados, e que vêm de formações heterogêneas, entendam o espírito da engenharia que é praticada nas empresas. Segundo o headhunter Leandro Muniz, da consultoria Michael Page, o que as corporações têm feito é salutar tanto para elas quanto para os profissionais. “Com as universidades corporativas, elas conseguem uma formação bastante específica no seu nicho de mercado, sanando suas necessidades específicas. Trata-se de um modelo interessante, pois os profissionais ficam prontos mais rapidamente”, avalia.

Objetivo das universidades corporativas é dar homogeneidade à formação dos engenheiros.

Ainda segundo o especialista, o ideal no Brasil é que fosse perseguido um sistema similar ao que se pratica no Canadá. “Lá os cursos de engenheira, independentemente da especialização, são divididos em trimestres. A partir do quarto trimestre, o aluno, obrigatoriamente, passa a intercalar um período de estágio e um período de disciplinas na universidade. A própria universidade mantém convênios com grandes empresas e oferece as vagas de estágio. São todas remuneradas, justamente para que os alunos (mesmo aqueles que possuem renda baixa) tenham a possibilidade de cumprir os estágios. Com isso, o aluno sai da faculdade com uma visão ampla do mercado e um bom direcionamento do que quer fazer no futuro”, explica.

Por enquanto, no Brasil, o exemplo melhor acabado deste tipo de parceria universidade-empresa é o que existe entre ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica) e Embraer, onde a universidade forma engenheiros para a empresa. Na USP (Universidade de São Paulo) recentemente passou-se também a valorizar este modelo. “Temos feito muito investimento em pesquisa e desenvolvimento (P&D) inovação e empreendedorismo, justamente para atender a demanda das empresas que nos procuram”, diz José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP.

Especificamente sobre a engenharia civil, tem-se investido na formação humanista dos profissionais. “O relacionamento com vários stakeholders está ficando cada vez mais complexo na construção civil. Então, o engenheiro precisa interpretar demandas que vão desde os sentimentos dos clientes até questões de sustentabilidade ambiental”, completa Leandro Muniz.

Leandro Muniz: universidade corporativa não forma engenheiro, apenas lapida.

Piqueira lembra, no entanto, que as escolas de engenharia não podem também perder o foco, que são as ciências exatas, somente em função das novas demandas do mercado. “A base do direito é a linguagem; da medicina, a biologia, e da engenharia, é a matemática. Ninguém concebe um advogado que se expressa mal no idioma pátrio e isso equivale ao engenheiro que não sabe matemática e física. Então, as universidades corporativas são importantes para isso. São elas que vão fazer a abordagem transdisciplinar, complementando a formação do engenheiro“, afirma. “É importante saber que não é a universidade corporativa que vai formar o engenheiro. Essa realização ele vai obter na universidade. A universidade corporativa apenas irá lapidá-lo para as necessidades da empresa”, complementa o headhunter Leandro Muniz.

Entre as universidades corporativas do país, a da Embraer já formou 1.200 engenheiros de 2001 até 2012. O curso conta hoje com uma demanda de 50 candidatos por vaga e é feito em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica). São três fases: 1) Fundamental, de cinco meses; 2) Especialização, de quatro meses, e 3) Projeto. A mesma metodologia é aplicada na Universidade Petrobras. Na estatal de petróleo há cursos com duração de 3 a 13 meses e, além das engenharias, engloba outras 16 profissões de nível superior. Em qualquer uma das empresas, a universidade corporativa é acessível apenas para os funcionários.

José Roberto Castilho Piqueira: universidade corporativa faz a abordagem transdisciplinar.

Outros modelos

Além das universidades corporativas, outros modelos de relação empresas-escola prevalecem no país. Um deles é o convênio, do qual a Cia. de Cimento Itambé é adepta. Por meio de acordos com universidades, a empresa participa ativamente do aprimoramento da construção civil. A meta é apoiar a formação de novos engenheiros. Desde 2007, a Companhia possui um convênio com o Departamento de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná (UFPR). São realizadas palestras, aulas de laboratório, visitas à fábrica, à mineração e às centrais de concreto. Em 2010, a Itambé fechou um convênio nos mesmos moldes com a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Em 2012, as atividades promovidas pela parceria beneficiaram 198 alunos das duas instituições. A empresa também apoia programas de Mestrado e Iniciação Científica.

Entrevistados
Leandro Muniz, headhunter e integrante da equipe de consultoria da Michael Page
José Roberto Castilho Piqueira, vice-diretor da Escola Politécnica da USP
Currículos
– Leandro Muniz é graduado em engenharia civil, com MBA em finanças pela Ibmec Business School
– Trabalhou como consultor financeiro e coordenador de projetos na Votorantim Industrial e Votorantim Cimentos por quase 10 anos
– Atua na Michael Page, como headhunter, desde 2010
– José Roberto Castilho Piqueira é graduado em engenharia elétrica pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1974
– Obteve os títulos de mestre em engenharia elétrica também pela Escola de Engenharia de São Carlos (USP) em 1983. Em 1987, obteve o título de Doutor em Engenharia Elétrica pela Poli e, em 1995, o de livre docente em controle e automação, também pela Poli
– No setor industrial, trabalhou em vários projetos ligados à comunicação de
dados para várias empresas e órgãos governamentais, assessorando também
entidades de fomento à pesquisa. No âmbito da USP, Piqueira participa da
Comissão Permanente de Avaliação e já foi membro do Conselho Universitário
e da Comissão Especial de Regimes de Trabalho
– É presidente da Sociedade Brasileira de Automática e, atualmente, concilia as atividades da vice-diretoria da Poli USP com as de professor titular e coordenador do Laboratório de Sincronismo, iniciado por ele em 2002
– Participa ainda do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Complexos (CNPq)
Contatos: www.michaelpage.com.br / engineering@michaelpage.com.br
                   jose.piqueira@poli.usp.br / diretoria@poli.usp.br
                   jlvi_leandromuniz@yahoo.com.br

Créditos fotos: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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