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UnB resgata tradição de “universidade do pré-fabricado”

Área Técnica, Gestão, Gestão de Obras, Mercado da Construção, Sobre Cimento, Sobre Concreto 1 de novembro de 2012

Sistema industrializado predomina na construção de novos prédios e estimula a instalação de fábricas no entorno do Distrito Federal

Por: Altair Santos

Em 1962, os primeiros alunos do curso de arquitetura e urbanismo da recém-inaugurada Universidade de Brasília (UnB) tinham aulas práticas dentro do canteiro de obras do campus Darcy Ribeiro. Naquele ambiente, viram nascer alguns dos primeiros prédios concebidos em pré-fabricado no Brasil. O sistema construtivo, cuja funcionalidade atraiu Oscar Niemeyer, pois permitia agregar salas de aula e laboratórios sem precisar de grandes adaptações, tornou-se uma marca registrada da UnB.

Prédio da Ciência da Computação e Estatística: funcionalidade do pré-fabricado permite que laboratórios e salas de aula interajam.

Hoje, 50 anos depois, a Universidade de Brasília não se limita apenas ao seu campus no Plano Piloto. Ela se estendeu para as cidades-satélites de Ceilândia e Gama, além do município de Planaltina, que fica no entorno do Distrito Federal, mas conserva as estruturas construídas com peças de concreto como um legado. Não é à toa que a UnB é conhecida como a “universidade do pré-fabricado“. “A UnB foi uma experiência precursora do pré-fabricado, com Oscar Niemeyer e Lelé (João Filgueiras Lima). Dentro do complexo, o edifício do Instituto Central de Ciências, com 750 metros de extensão e 118.000 m² de área construída, é emblemático”, lembra Alberto Alves de Faria, diretor do Ceplan (Centro de Planejamento Oscar Niemeyer) da UnB.

Há quem também atribua o fato de a UnB ter sido concebida sobre pré-fabricados por causa do clima quente e seco predominante no Distrito Federal. Por causa do calor, Niemeyer teria optado por vãos mais livres e pelo concreto aparente das estruturas para que os estudantes tivessem condições de estudar em ambientes com temperaturas mais amenas, já que o calor não se propaga com eficiência no concreto. “Há esse favorecimento, mas não acredito que tenha sido determinante para a opção pelo pré-fabricado. O que pesou foi a rapidez de se construir com sistemas industrializados”, destaca o diretor da Ceplan.

Equipe de arquitetura que elaborou os recentes projetos da UnB: Alberto Aves de Faria, entre as arquitetas Fabiana Curado e Fátima Pires.

A funcionalidade do pré-fabricado, justifica Alberto Alves de Faria, é que permitiu expandir os campi da UnB em tão pouco tempo. “Tínhamos um cronograma de execução apertado, por causa da demanda dos cursos, e a repetição de estruturas gera economia de tempo”, garante. Mas se permitiu construir mais com um prazo menor, a escolha do pré-fabricado também encareceu o projeto. Motivo: a carência de empresas que trabalham com pré-fabricados em Brasília e no entorno fizeram com que o custo inicial ficasse cerca de 15 % mais caro. “Mas este custo foi amplamente compensado pela qualidade”, completa Faria.

As peças pré-fabricadas usadas na UnB, nas recentes obras, vieram de Minas Gerais e de Goiás. Para disseminar o uso do sistema construtivo no Centro-Oeste, e o desenvolvimento da indústria na região, a universidade serve de exemplo aos empreendedores. “Existe uma ampliação de oportunidades e de boas iniciativas que estão dentro da própria UnB”, avalia o diretor da Ceplan.


Evolução da arquitetura no campus da UnB

Anos 1960
O projeto urbanístico do campus da UnB é de Lúcio Costa. Já o desenho dos prédios dos institutos e faculdades ficou a cargo de Oscar Niemeyer, além de outros nomes importantes como João Filgueiras Lima, o Lelé, e Glauco Campelo. Esse grupo fazia parte do Centro de Planejamento (Ceplan) da Universidade de Brasília. Menos de dois anos depois da assinatura do decreto que criou a UnB, as primeiras edificações começaram a surgir na paisagem da UnB. Além de sistemas pré-fabricados, as construtoras fizeram prédios definitivos. Entre as construções pioneiras no campus da Asa Norte estão a Faculdade de Educação, de Alcides da Rocha Miranda, os pavilhões de serviços gerais e o Instituto Central de Ciências, mais conhecido como Minhocão, ambos de Oscar Niemeyer, e os blocos residenciais da Colina, desenhados por Lelé. Durante a ditadura, a UnB foi invadida por militares, o que levou nomes importantes como Niemeyer e Lelé a deixarem a instituição.

Anos 1970
A partir dos anos 1970, começa uma nova fase na construção de prédios no campus da Universidade de Brasília. Os novos edifícios têm uso preponderante de concreto armado. Um dos primeiros a sair do papel nessa década foi a Biblioteca Central e, em seguida, surgiram os blocos da Casa do Estudante, projetos de Léo Bonfim Júnior e Alberto Fernando Xavier. Também dessa época é o Restaurante Universitário, de José Galbinski. Seguindo a mesma linha arquitetônica, baseada no concreto armado, a UnB construiu a Reitoria, de Paulo Zimbres, e o prédio da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados, de Matheus Gorovitz, além do Núcleo de Medicina Tropical, da Faculdade de Ciências da Saúde e da Faculdade de Tecnologia, todos de Adilson Costa Macedo e Érico Siegmar Weidle.

Anos 1980 e 1990
Nos anos 1980, os projetos perderam um pouco a semelhança e os novos prédios começaram a ser mais heterogêneos. Ao contrário do que aconteceu nas primeiras décadas, quando os arquitetos responsáveis eram professores da instituição, profissionais de fora começaram a ser contratados. A partir daí, surgiu uma experimentação estrutural. Ao longo dessas décadas, a iniciativa privada começou a usar espaços dentro do campus. Assim, foram construídos edifícios como o do Centro de Excelência em Turismo, de Zanine Caldas. É dos anos 1990 o projeto do Centro Comunitário da UnB, de Frederico Carvalho, e o desenho dos pavilhões Anísio Teixeira e João Calmon, de autoria do arquiteto Cláudio Queiroz.

Anos 2000
Em 2002, a Universidade de Brasília aprovou o Plano de Obras UnB XXI, que revisou os projetos de construções anteriores. A proposta previa grandes investimentos em novos espaços para ensino e pesquisa. Os novos prédios seriam construídos com os recursos provenientes da venda de imóveis de propriedade da UnB no Plano Piloto. Entre os institutos e faculdades que estavam previstos nesse plano de obras e saíram do papel posteriormente estão o Instituto de Ciências Biológicas, o Instituto de Química e a nova sede do Centro de Seleção e Promoção de Eventos (Cespe). A construção desses prédios contribuiu para a liberação de 20 mil metros quadrados do Minhocão.

Fonte: Correio Braziliense

Entrevistado
Alberto Alves de Faria, diretor do Ceplan (Centro de Planejamento Oscar Niemeyer) da UnB
Currículo
– Graduado em Arquitetura pela UnB, em 1981, com especialização em Desenho Urbano (1984) e mestrado em Arquitetura e Urbanismo (2000)
– É arquiteto da Fundação Universidade de Brasília (1986), onde foi prefeito do campus (1993 a 1997) e professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da FATECS/UniCEUB
– Desde 2002 é diretor do Centro de Planejamento Oscar Niemeyer da Universidade de Brasília
– É presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do DF (CAU/DF)

Contato: alberto@unb.br / ceplan@unb.br
Créditos fotos: Edu Lauton / UnB Agência / Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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