Salário inicial de engenheiro quase duplica em 10 anos

Especializações e a qualidade da instituição de ensino pesam no salário do engenheiro.

Salário inicial de engenheiro quase duplica em 10 anos

Salário inicial de engenheiro quase duplica em 10 anos 1024 768 Cimento Itambé

Entre 2000 e 2010, demanda por profissionais foi maior que a oferta e inflacionou remunerações. Desde 2011, mercado tem se adequado à realidade

Por: Altair Santos

O salário médio de alguns profissionais com nível superior no Brasil declinou de R$ 4.317 para R$ 4.060, entre 2000 e 2010, segundo estudo do Centro de Políticas Públicas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper). O levantamento baseou-se em dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e constatou também que algumas graduações fizeram caminho inverso, ou seja, registraram aumento significativo nos salários durante o período pesquisado. Entre elas, estão as engenharias e a arquitetura, além de medicina, economia e ciências sociais. “Tratam-se de profissões onde a demanda aumentou mais rapidamente do que a oferta, porque a sociedade está precisando mais destes profissionais”, cita Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do INSPER.

Naercio Aquino Menezes Filho: demanda maior que a oferta elevou salários na década passada.

No caso da engenharia civil, foi explícito o impacto que a demanda causou nos salários. No final da década passada, entre 2008 e 2010, no auge de programas como PAC e Minha Casa, Minha Vida, além da descoberta do pré-sal, chegou-se a ofertar 755 vagas por semana – numa média nacional – aos engenheiros civis brasileiros. Para os profissionais recém-formados, que costumavam entrar no mercado de trabalho ganhando R$ 2.700,00 (em média) o salário inicial saltou para R$ 4.210,20. Mas o grande avanço se deu no segmento de profissionais com entre dez e quinze anos de experiência. Para eles, o salário médio chegou a R$ 7.588,16. Em algumas cidades, esse valor quase dobrou. Como no Distrito Federal, onde o salário médio do engenheiro civil com dez a quinze anos de experiência chegou a R$ 13,3 mil.

No entanto, a pesquisa do Insper detecta que desde 2011 há uma tendência de acomodação nos salários e de retração para os que foram recentemente contratados. “Pode ser por que começa a ter mais oferta de mão de obra”, avalia Naercio Aquino Menezes Filho. Um dado explica essa tendência. Entre 2000 e 2010, a porcentagem de matrículas nos cursos de graduação aumentou mais de 80%. No caso das engenharias, por exemplo – segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) – 1,2 milhão de estudantes se matricularam em cursos de graduação na década passada. Porém, a taxa de evasão chegou a 55,59%. O mesmo levantamento revelou que do 1,2 milhão somente 328 mil novos engenheiros chegaram ao mercado de trabalho.

Especializações e a qualidade da instituição de ensino pesam no salário do engenheiro.

Tanto o estudo do Insper quanto o da CNI constataram que menos de 0,5% dos que concluíram graduações em engenharia na década passada buscaram mestrado e doutorado. Para esses, os salários se mantêm elevados. “As especialidades e a diferença de qualidade entre as instituições de ensino geram desigualdades salariais”, detecta a análise coordenada pelo professor Naercio Aquino Menezes Filho. Na média nacional, um engenheiro que tenha aprimorado seus conhecimentos recebe acima de 30% a mais do que aquele que se limitou à graduação. Durante a década passada, os setores que mais valorizaram as especializações – dentro das engenharias – foram os seguintes: petróleo e gás, financeiro, governo, aeronáutica, automobilístico, consultorias e construção civil.

 

Entrevistado
Naercio Aquino Menezes Filho, coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa)
Currículo
– Naercio Aquino Menezes Filho é graduado em economia pela Universidade de São Paulo (1986), com mestrado em economia pela Universidade de São Paulo (1992) e doutorado em economia pela University College London (1997)
– Atualmente é professor titular (Cátedra IFB) e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa) além de professor associado da Universidade de São Paulo e consultor da Fundação Itaú Social
– Tem experiência na área de economia, com ênfase em capital humano e organização industrial, atuando principalmente nos seguintes temas: educação, mercado de trabalho, distribuição de renda, produtividade, tecnologia e desemprego
Contatos: naerciof@usp.br / naercioamf@insper.edu.br
Créditos fotos: Divulgação autorizada

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
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