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Rio de concreto transforma o Ceará

Inovação, Novas Tecnologias, Obras Inovadoras, Sobre Cimento, Sobre Concreto 27 de maio de 2009

Eixão das Águas leva abundância hídrica à região metropolitana de Fortaleza e promete mudar perfil econômico da região

Trecho do Eixão já abastece com água a população do Ceará

Trecho do Eixão já abastece com água a população do Ceará

Com praticamente 80% das obras concluídas, o Eixão das Águas é atualmente a maior obra hídrica do Brasil. Quando finalizada, em 2010, terá 255,94 quilômetros ligando o Vale do Rio Jaguaribe até Fortaleza, cortando 15 municípios do Ceará e levando água até 3,5 milhões de pessoas. Sua construção só foi possível graças à tecnologia do concreto. A quantidade deste material empregado no eixo equivale a 231.959 m³.

A obra garantirá a segurança hídrica do Ceará para os próximos 30 anos, bem como a vinda de grandes projetos para o Estado, como refinarias e siderúrgicas, além de abastecer uma fronteira agrícola de 10 mil hectares. Trata-se de uma megaconstrução com capacidade de armazenar cerca de 6 bilhões de m³ de água e vazão de 22 m³/s (22 mil litros por segundo).

Para suportar tal volume, recebeu cinco tipos de concreto: concreto simples 15 MPa (utilizado na seção hidráulica dos canais); concreto estrutural (20 a 40 MPa) para obras especiais; concreto compactado a rolo – CCR -, utilizado em 9,5 quilômetros do trecho 3 do Eixão, no fundo do canal da região denominada Serra do Félix, e concreto projetado, utilizado nas rampas do segmento denominado Serra do Félix.

Tecnologia brasileira

A obra de transposição do Ceará inspirou-se em outras já realizadas no mundo, mas a que mais a influenciou foi a construída pelo Departament Of Water Resources da Califórnia, nos Estados Unidos, cujo projeto tem 869 km e 20 reservatórios, e que abastece a cidade de Los Angeles com uma vazão de 120 m³/s de água transferida do Rio San Joaquim.

Antonio Madeiro de Lucena, diretor de Águas Superficiais da Sohidra: tecnologia própria

Antonio Madeiro de Lucena, diretor de Águas Superficiais da Sohidra: tecnologia própria

A construção cearense ficou a cargo da Superintendência de Obras Hidráulicas (Sohidra) e o monitoramento das águas já está sob a gerência da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). “O que nos orgulha é que não houve necessidade de importar nenhuma tecnologia. A Sohidra já possuía experiência absorvida em obras congêneres patrocinadas e desenvolveu toda a obra”, diz Antonio Madeiro de Lucena, diretor de Águas Superficiais da Sohidra.

Segundo Lucena, o desafio da obra foi obter as licenças ambientais, em virtude da recuperação das áreas de empréstimos e localização de bota-fora, atribuídos às escavações. Outro fator preponderante se referiu ao período invernoso da região, quando ocorrem grandes precipitações pluviométricas. “Caso ocorresse alguma deficiência no sistema de drenagem nas placas de fundo do canal havia o risco de comprometer a obra, mas superamos todos os desafios”, relata o diretor da Sohidra.

No trecho 3 do Eixão, onde foi usado Concreto Compactado a Rolo (CCR), foi requisitada a supervisão da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). No trecho da Serra do Félix, em uma extensão de 9,5 km, esse tipo de concreto foi a opção para evitar uma escavação profunda de 18 m. Por isso usou-se CCR com consumo de 90 kg/m³ e 7 MPa aos 28 dias, por ser mais poroso e por aliviar a pressão freática. Assim a escavação reduziu para 9,6 m, explica Antonio Madeiro de Lucena, completando: “A ABCP nos orientou sobre o tipo de cimento que tivesse melhor adaptação à obra e nos indicou o uso do CCR.”

O Eixão das Águas do Ceará está orçado em R$ 1,5 bilhão. Na construção dos três primeiros trechos foram gastos R$ 1 bilhão. Para o quarto e quinto trechos, o Banco Mundial (Bird) já autorizou um empréstimo de US$ 240 milhões (cerca de R$ 480 milhões).
 

Tempo de construção de cada trecho
Primeiro Trecho
Com 54 km, interliga os açudes Castanhão (Jaguaribe-CE) e Curral Velho (Morada Nova-CE). A obra foi iniciada em 2001 e concluída em 2005.
Segundo Trecho
Tem 45,9 km e interliga o Açude Curral Velho à Serra do Félix. Teve a implantação iniciada em outubro de 2005 e concluída em agosto de 2008.
Terceiro Trecho
Com 66,3 km, interliga a Serra do Félix ao Açude Pacajus. Iniciou-se em outubro de 2005 e será concluída em julho de 2009.
Quarto Trecho
Terá 33,9 km, interligando os Açudes Pacajús e Gavião (Itaitinga-CE). Já está em obras desde novembro de 2008 e tem conclusão prevista para novembro de 2010.
Quinto Trecho
Contará com 55,11 km, interligando o Açude Gavião até o Porto do Pecém, com previsão para início de implantação a partir do segundo semestre de 2009 e conclusão em 2010.

Email do entrevistado: Antonio Madeiro de Lucena, diretor de Águas Superficiais da Sohidra: oria@sohidra.ce.gov.br

Texto complementar:

Transposição do São Francisco vai superar obra do Ceará

O título de maior obra hídrica do país vai pertencer ao Eixão das Águas do Ceará até que seja concluída a transposição do Rio São Francisco. Essa construção, ainda sem prazo para ser finalizada, beneficiará mais de oito milhões de nordestinos dos estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco.

Com a transposição do São Francisco, dos 90 bilhões/m³ de água que o rio despeja em média por ano no mar, cerca de 1,5 bilhões de m³ serão efetivamente transferidos para outras bacias pelo projeto.

Enquanto o Eixão das Águas proporcionará uma vazão de 22 m³/s, a transposição do Rio São Francisco proporcionará uma vazão adicional de 90 m³/s. A obra terá 5 canais, 6 túneis, 12 aquedutos, 4 estações de bombeamento, 13 reservatórios intermediários e duas hidrelétricas. A área a ser beneficiada é denominada de “Nordeste Setentrional”, que incorpora o coração da região das secas, em uma área equivalente a do Estado de São Paulo.

A título ilustrativo, o Nordeste tem apenas 3% da água doce do Brasil, e 70% dela provém do Rio São Francisco, cuja transposição terá cerca de 700 km de extensão. Na obra será utilizada a confecção de concreto nas obras de canais, adutoras, estações de bombeamento, reservatórios e obras de arte que se desenvolverão ao longo do traçado.

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Tempestade Comunicação



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