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Reordenar as cidades é desafio para o Brasil

Gestão, Gestão Estratégica 10 de maio de 2011

Arquiteto Carlos Leite defende que país crie agências para gerenciar a transformação nas metrópoles e ressalta que a construção civil está fazendo seu papel

Por: Altair Santos

Se o Brasil quiser mudar a cara de suas grandes cidades, estimulando um reordenamento urbano, precisa criar agências que promovam essa transformação. A ideia é defendida pelo arquiteto e urbanista Carlos Leite, que usa casos de sucesso pelo mundo afora para sustentar a tese. “Todos os países que promoveram redesenvolvimento urbano fizeram isso. Criaram agências para garantir a continuidade de um plano para além do mandato ou da gestão de um prefeito ou de um governante. O grande truque é este. É a grande razão do sucesso no mundo inteiro, seja nos Estados Unidos, na Europa ou na Ásia. É a agência quem faz a gestão. No Brasil, não tem isso. Nós até hoje não conseguimos criar nenhum tipo de agência de desenvolvimento urbano”, alerta.

Carlos Leite

Segundo Carlos Leite, apesar de Barcelona, na Espanha, ser o exemplo costumeiramente citado pelos urbanistas, é na cidade de Portland, nos Estados Unidos, onde ocorrem atualmente as transformações mais significativas. “A sociedade civil, com a participação intensa do mercado imobiliário, está revitalizando o centro da cidade, fazendo com que as famílias troquem o modelo de morar no subúrbio. Com isso, a classe média está voltando para o centro, usando menos o carro e optando pelos transportes públicos modernos”, diz, citando que outra cidade que passa por processo semelhante é Bogotá, na Colômbia. “Hoje ela é um case em termos de sustentabilidade e isto acontece em um país mais pobre, o que mostra que é possível”, completa o arquiteto.

No Brasil, o modelo de agência de desenvolvimento urbano defendido por Carlos Leite poderia promover a compactação das cidades. “Fazendo cidades mais compactas a gente otimiza todas as infraestruturas, sejam elas de mobilidade, abastecimento de água, energia ou coleta de lixo”, avalia. Para ele, São Paulo poderia ser um exemplo de que é possível fazer esse reordenamento urbano. “A cidade não está mais crescendo no ritmo em que cresceu no século passado, quando teve 27.000% de expansão populacional e 43.000% de expansão territorial. Agora dá para planejar, investindo na mobilidade, reurbanizando as áreas industriais e projetando novos bairros. O tempo perdido no século 20 pode ser recuperado no 21”, analisa Carlos Leite.

Atores da transformação
Como o Brasil não possui organismos que fomentem o urbanismo sustentável, o que acontece é que instituições ligadas à construção civil, como SindusCon, CREA, Institutos de Engenharia e de Arquitetura, além do SECOVI, é que têm desempenhado esse papel. “Todos eles demonstram um grau de competência muito grande, orientando e capacitando seus filiados para construírem edifícios sustentáveis de todos os usos. Com isso, vai se moldando um novo espaço urbano, num processo que começou há quatro anos no Brasil e tem crescido”, diz o arquiteto, que vê o setor da construção civil como elemento protagonista nesta transformação. “Precisamos usar esta força, este ator econômico importante, para ajudar no processo de crescimento e desenvolvimento urbano sustentável”, completa.

Entrevistado
Carlos leite, arquiteto e urbanista
Currículo

– Formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP)
– Mestre em Habitação pela California Polytechnic State University
– Arquiteto do Stuchi & Leite Projetos
– Consultor da Fundação Dom Cabral
– Professor titular da Fundação Instituto de Administração
– Especializações em City Sustentabilidade e Inovação (Smart/Cidades Criativas), Desenvolvimento Sustentável e Gestão, Regeneração Urbana e Arquitetura
Contato: carlos@stuchileite.com

Crédito Foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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