Pesquisa testa rejeitos da mineração na construção civil

Casa-protótipo construída na UFOP: uso de agregados retirados dos rejeitos de siderurgia

Pesquisa testa rejeitos da mineração na construção civil

Pesquisa testa rejeitos da mineração na construção civil 829 474 Cimento Itambé

Boa parte dos resíduos represados na barragem que rompeu em Minas Gerais poderia ter se transformado em argamassa, concreto, blocos e pavers

Por: Altair Santos

Pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), em Minas Gerais, testa a reutilização de rejeitos contidos nas barragens das mineradoras para transformá-los em agregados na produção de materiais para a construção civil. Através de um processo de separação de elementos, laboratoristas da UFOP selecionaram areia e argila para produzir concretos, argamassas, blocos para alvenaria e blocos para pavimentação. A pesquisa é coordenada pelo professor do departamento de engenharia civil da universidade, Ricardo Fiorotti.

Casa-protótipo construída na UFOP: uso de agregados retirados dos rejeitos de siderurgia

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Segundo ele, se as mineradoras praticassem a reciclagem de rejeitos os volumes das barragens estariam em níveis aceitáveis. “Nossas propostas são capazes de contribuir com a redução do volume de sólidos que é depositado nas barragens. Se esses resultados tivessem sido aplicados desde 2013, quando o resultado da pesquisa foi apresentado à mineração, provavelmente poderíamos ter um panorama diferente”, diz Fiorotti, que faz parte do RECICLOS-CNPq – Grupo de Pesquisa em Resíduos Sólidos.

O professor da UFOP não tem uma estatística precisa sobre a quantidade de rejeitos que poderia se transformar em matéria-prima para a construção civil, mas faz a seguinte afirmação quando perguntado o que poderia ter sido evitado, caso os resíduos da barragem do Fundão tivessem sido reciclados. “Os rejeitos depositados em uma barragem como a de Fundão, que rompeu recentemente na região de Mariana, aqui em Minas Gerais, uma vez processados, seriam capazes de abastecer o consumo de areia de uma cidade de médio porte por alguns anos”, afirma.

A pesquisa desenvolvida pelo RECICLOS conseguiu separar minério de ferro, areia e argila dos rejeitos das mineradoras. “O minério de ferro retorna para a atividade mineradora, garantindo sustentabilidade ao processo de segregação. Já a areia pode ser utilizada em matrizes de Cimento Portland, como argamassas e concretos, enquanto a argila tem condições de ser destinada integralmente para a indústria cerâmica”, afirma Ricardo Fiorotti.

Paver com tom ferroso comparado a um convencional: mais durável e resistente

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Casas populares

Paralelamente ao estudo com rejeitos de mineradoras, o RECICLOS desenvolve também trabalho para reutilizar resíduos de siderúrgicas, especificamente a escória de aciaria, a fim de produzir agregados para concreto e argamassas. O objetivo é usar esse material na construção de habitações de interesse social. No departamento de engenharia civil da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto há quatro protótipos de casas que utilizam rejeitos de siderurgia. Segundo Fiorotti, também é possível usar os resíduos das barragens para o mesmo fim: construção de casas populares.

Isso porque, na pesquisa da UFOP foram produzidos elementos de concreto pré-fabricado e moldados in loco, a partir de agregados retirados dos rejeitos de barragens. Nos testes de resistência observou-se que as peças podem cumprir função estrutural, desde que a adição não ultrapasse o limite de 80% em relação aos agregados naturais das matrizes de Cimento Portland. “Os resultados experimentais foram aplicados em escala piloto, em uma planta industrial certificada pela ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland). Os artefatos foram tecnologicamente testados e apresentaram resultados idênticos daqueles produzidos convencionalmente”, revela Ricardo Fiorotti.

Ricardo Fiorotti: reciclagem de rejeitos teria evitado tragédia na barragem do Fundão

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Nos testes realizados pelo RECICLOS, fabricantes de artefatos de cimento de Belo Horizonte atuaram como parceiros nas pesquisas. Foram selecionadas empresas certificadas pela ABCP. Concluiu-se que, em função do custo da extração de rejeitos e do frete do transporte, os agregados retirados das mineradoras podem baratear a produção de artefatos e peças pré-fabricadas nas empresas que estejam em um raio de até 200 quilômetros do local da extração.

Entrevistado
Engenheiro civil Ricardo Fiorotti, professor e pesquisador do departamento de engenharia civil da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto e coordenador do RECICLOS-CNPq
Contatos
ricardofiorotti@yahoo.com.br
www.reciclos.ufop.br

Créditos fotos: Divulgação/programa RECICLOS

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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