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Procuram-se engenheiros. De novo

Comportamento e Carreira, Mercado da Construção 17 de setembro de 2009

Recuperação da construção civil volta a expor carência de profissionais no país. Déficit só deve ser suprido daqui a três anos

Mal começou a recuperação econômica e o setor de construção civil já se depara com a disputa por engenheiros. O setor foi um dos menos atingidos pela crise econômica e um dos que mais rapidamente voltou a crescer, graças à resistência do mercado interno e a estímulos como o pacote habitacional “Minha Casa, Minha Vida”, lançado em março.

No primeiro semestre de 2009, foram criadas 3,1 mil vagas para profissionais com diploma universitário na construção civil, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O número ainda está longe dos 7 mil postos criados no mesmo período de 2008, ano considerado excepcional, mas já está próximo das 3,5 mil vagas criadas nos primeiros seis meses de 2007.

De acordo com o presidente do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), Marcos Túlio de Melo, mesmo com um ritmo menor de abertura de postos de trabalho, o reaquecimento já trouxe de volta a disputa por engenheiros. “Ainda temos um déficit grande de profissionais que só vai ser suprido daqui a dois ou três anos”, diz. Um dos retratos desse déficit é a relação entre profissionais registrados no Confea e a abertura de vagas, que até outubro de 2008 se manteve abaixo das vagas abertas no mercado formal.

Melo diz que o aquecimento do mercado começou há três anos, como um reflexo do investimento em infraestrutura. “Em 2009, teremos um mercado puxado principalmente pela construção civil, que está fortemente aquecida, em todos os Estados”, diz.

No ano passado, a disputa por engenheiros elevou os salários pagos no setor. De acordo com o presidente do Confea, o salário de um profissional sênior, que era de cerca de R$ 6 mil reais saltou para até R$ 18 mil em alguns casos. “Havia uma disputa brutal no primeiro trimestre do ano passado”, diz.

Após a crise, no entanto, algumas empresas estão mais cautelosas em relação à oferta de maiores salários. “Temos visto empresas que oferecem outras formas de atrativo, como cursos e planos de carreira para os profissionais”, diz o gerente da divisão de engenharia da consultoria de recrutamento Robert Half, Roberto Britto.

Na consultoria, que tem presença internacional, o Brasil foi um dos países que mais se manteve aquecido durante a crise. A área de engenharia, uma exclusividade do País, é a que tem o melhor desempenho.

As incorporadoras Gafisa e Tenda, pertencentes ao mesmo grupo, adotaram essa linha de estímulos para atrair os profissionais. Em 20 de julho, as empresas abriram as inscrições para o programa Comece Bem, que pretende contratar jovens engenheiros civis e de Produção no segundo semestre. “Vamos fornecer para o profissional um período formação profissional”, diz Rodrigo Pádua, diretor de Recursos Humanos da Gafisa. Segundo ele, o grupo pretende se fortalecer para um crescimento que virá no curto e médio prazo.

Outro atrativo da empresa, de acordo com Pádua, é a solidez econômica, um atributo que passou a ser relevante após a crise. “Agora, o profissional está mais seletivo, principalmente porque, após a crise, muitas empresas que pareciam que iriam virar grandes se tornaram pouco representativas.”

Além do programa para novos profissionais a Gafisa já tem um programa de desenvolvimento de lideranças estruturado. “Atualmente, cerca de 70% dos nossos cargos de gestão são formados internamente”, diz Pádua. Graças a essa possibilidade de ascensão, Pádua diz que a incorporadora não enfrentou problemas no ano passado, quando a disputa por profissionais foi mais intensa.

A possibilidade de evolução na carreira foi o principal motivo que levou o engenheiro civil Tiago de Oliveira Evangelista, de 27 anos, a mudar de emprego. Ele trabalhava num escritório especializado em grandes edifícios e há uma semana começou a trabalhar na construtora Homex do Brasil, que trabalha com a habitação popular. “Percebi que teria maior oportunidade de desenvolvimento profissional nessa área”, diz.

Para as construtoras menores, a procura fica mais difícil. “Tive de contratar uma pessoa especializada para buscar um engenheiro em Santos”, diz o sócio-diretor da Etemp Engenharia, José Carlos Molina. Britto, da Robert Half, diz que, após a crise, os profissionais passaram a exigir um salário maior para mudar de emprego. “Muitos têm medo da mudança e, para trocar de emprego, pedem agora um salário mais alto”, afirma ele.

Para o presidente do Confea, a carência de profissionais só vai acabar quando se construir um plano nacional para a formação de engenheiros planejado pelo Ministério da Educação. “Hoje, a falta de engenheiros é um dos gargalos do Brasil, responsável, por exemplo, pelo atraso no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)”, diz.

Fonte: jornal O Estado de S. Paulo

Jornalista responsável – Altair Santos MTB 2330 – Vogg Branded Content



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