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Pontes estaiadas: novidades no Brasil

Sobre Concreto, Tendências construtivas 18 de maio de 2010

Os resultados do III Congresso Nacional de Pontes e Estruturas revelam: a principal tendência para este setor da construção civil no país são as pontes estaiadas

A China, um dos países mais desenvolvidos economicamente do mundo, foi um dos primeiros a investir na tecnologia de pontes estaiadas. No Brasil, o setor de obras de arte da construção civil está em crescimento devido a um melhor planejamento e qualidade na execução das obras.

Esta é a principal tendência para o Brasil, resultado de um encontro entre 250 profissionais da área de engenharia e arquitetura do país e do exterior, no III Congresso Nacional de Pontes e Estruturas, realizado no final do mês de abril, no Rio de Janeiro, pela ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas) e pelo grupo brasileiro da IABSE (Associação Internacional de Engenharia Estrutural).

Pontes estaiadas

Ponte estaiada sobre o rio Pinheiros, em São Paulo: tendência no Brasil

O conceito de pontes estaiadas no Brasil pode ser considerado moderno. O modelo estaiado é uma opção de tecnologia para a construção de pontes, além dos modelos de ponte fixa e ponte pênsil. A sustentação dos tabuleiros é feita através de cabos de aço fixados em pilares de concreto moldados no local. A fixação dos cabos pode ser feita em forma de leque – um ponto fixo no pilar, ou forma de harpa – cabos paralelos partindo de vários pontos do pilar. “Hoje, no Brasil, há um investimento maior nesse tipo de estrutura, tanto do setor público como do privado, porque os órgãos públicos e as empresas estão percebendo o potencial da construção civil e isto tem contribuído, significativamente, para o desenvolvimento das regiões onde as pontes são contruídas”, destaca Gilberto do Valle, presidente da Associação Brasileira de Pontes e Estruturas.

Congresso

Entre vários projetos e estudos apresentados durante o III Congresso Nacional de Pontes e Estruturas, Valle destacou os que apontaram o uso de concreto de alto desempenho, de alta resistência e auto adensável, indicados para concretagem de peças densamente armadas e estruturas pré-moldadas de grandes obras, como a ponte Octávio Frias de Oliveira, que atravessa o rio Pinheiros, em São Paulo. Esta ponte estaiada tem como base um único pilar central em forma de “xis” e a distribuição dos cabos foi projetada em forma de leque.

Outro destaque do congresso foram os projetos apresentados das pontes sobre o rio Negro, no Amazonas, onde foi utilizado concreto resfriado e um volume de 2.800 sacos de cimento por estaca; e o projeto da ponte sobre o rio Poty, em Terezina (PI), a primeira ponte do mundo com mirante e elevadores panorâmicos instalados em um pilar central.

Ponte Vasco da Gama, em Portugal, também no estilo estaiada

Ambos os projetos foram feitos no estilo de pontes estaiadas que se tornaram referência nacional e internacional, como explica o presidente da ABPE. “Esta é, sem dúvida, a maior tendência do Brasil. Mas, precisamos entender que, as medidas discutidas e vistas durante o congresso, servem de base para novos empreendimentos. No entanto, a mudança de aplicação dessas tendências na construção civil de estruturas e pontes não é súbita e sim, gradativa”, avalia.

O Congresso Nacional de Pontes e Estruturas é realizado de dois em dois anos no Rio de Janeiro, mas há uma grande expectativa dos organizadores de que o próximo, em 2012, também aconteça em São Paulo, abrindo as possibilidades de discussão de obras e análise de futuros projetos entre associações, como o Ibracon (Instituto Brasileiro de Concreto) e profissionais da área.

Está marcado para setembro o Congresso Internacional de Estruturas e Pontes, em Veneza, na Itália. A ABPE já está acompanhando engenheiros brasileiros que irão participar expondo projetos feitos aqui no Brasil. Ainda não foram divulgados os trabalhos do Brasil inscritos no Congresso Internacional.

Pontes e concreto

Gilberto Barbosa do Valle - presidente da ABPE

De acordo com o presidente da ABPE, há também uma questão muito importante e que deve ser implantada por engenheiros na execução de uma obra: um planejamento para evitar o chamado colapso progressivo. Este estudo foi debatido durante o Congresso no Rio de Janeiro e traz uma abordagem voltada para o cuidado na construção. Segundo Gilberto do Valle, com o passar do tempo a estrutura de uma ponte pode ir se deteriorando e, por isso, antes de construir um empreendimento como esse se deve projetar levando em conta as forças da natureza. “Nestes casos, a escolha do material como o concreto, pode ser fundamental para a qualidade da obra”, revela.

Outro fator importante destacado por ele é com relação à sustentabilidade. “Qualquer material utilizado numa obra de ponte, vai gerar algum impacto ao meio ambiente”, diz. Ainda segundo Gilberto do Valle, esses congressos nacionais são de extrema importância para o setor, uma vez que a construção de obras de arte no país tem sido melhor planejada. “Tenho uma impressão positiva quanto ao crescimento de estruturas de pontes. Há mais qualidade nos processos contrutivos de pontes no Brasil e, por isso, vejo um volume maior de obras em várias regiões.”, afirma.

Entrevistado

Gilberto Barbosa do Valle – Presidente da ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas)
E-mail: gdovalle@projest.eng.br
Site: www. abpe.org.br

GLOSSÁRIO:
Obras de arte – estruturas da construção civil realizadas de forma única, especial, como, por exemplo, pontes e viadutos;

Se você gostou da matéria e tem interesse em saber mais o sobre as pontes inovadoras recém construídas no Brasil, como a ponte sobre o rio Poty, em Terezina (PI), deixe seu comentário a seguir.



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